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26/01/2016

Mi casa es su casa

E é isto, um resumo do novo Portugal: quintas, novelas e Marcelo (... vá, e bola também!).

Venha de lá, então, um reality show a partir de Belém para entreter a malta, que a malta quer-se ocupada: "E se houvesse uma TV Belém para o antigo comentador?"

... Está a parecer-me que a comunicação social vai querer, agora, começar a retirar do "Presidente" os seus dividendos depois de tantos anos de apoio e suporte ao "Comentador". Afinal o senhor já cá anda há muitos anos...



Capa revista "TV 7 dias", 26.01.2016 - dois dias depois das eleições presidenciais

25/01/2016

Acreditar na Democracia

Portugal (ou uma pequena parte dele!) votou.

Os resultados estão apurados. O exercício democrático cumpriu-se sem problemas de maior (salvo um boicote numa freguesia e o impedimento de alguns cidadãos no estrangeiro exercerem o seu direito) e com respeito cívico, e isso é sempre de saudar.

Pela primeira vez na sua história, Portugal contou com uma dezena de candidatos a Presidente da República. Uns mais à séria, outros menos. Uns mais políticos, outros nem tanto. Uns mais populistas e demagógicos, outros mais "terra-a-terra" com a realidade e as necessidades dos portugueses.
Tudo isto mostra um aparente amadurecimento da Democracia em Portugal - um amadurecimento que, ainda assim, não dá plenas garantias de consolidação, especialmente pelo crescente e galopante alheamento dos cidadãos em relação à política e àquilo que os governa (uma tendência que se iniciou há muitos anos e cujas razões não vou, agora, discutir).

A partir de 9 de Março de 2016 teremos um novo Presidente da República. Sobre o que dele se espera, ou sobre a sua imprevisibilidade, muitos já falaram. Sobre o que eu acredito que será Marcelo Rebelo de Sousa no exercício do cargo, também já o disse e escrevi. Citando alguém com quem discordo em praticamente tudo, espero mesmo, mas muito mesmo, que ele me "surpreenda".

Mas, não obstante aquelas que sãos as diferenças ideológicas e idiossincráticas de cada um, continuo a gostar e a acreditar piamente na Democracia. Pois com as decisões que nela se tomam, vêm também as consequências.

A luta faz-se todos os dias.

22/01/2016

Portugal precisa de virar a página

Já o disse antes, desde a primeira hora, e reitero-o ainda com maior convicção: Sampaio da Nóvoa, de todos os candidatos a Presidente da República, é aquele mais capaz e com o melhor perfil para responder às exigências que se adivinham no exercício do cargo nos próximos anos.

Cavaco Silva tem todas as condições para ficar na história de Portugal como aquele que pior exerceu o cargo de Presidente da República, a par de Presidentes fantoches do antigo regime. Mas esta entrada negra na história está seriamente ameaçada pelo candidato Marcelo Rebelo de Sousa.

Cavaco Silva foi um muito mau Presidente da República, mas Marcelo, a ser eleito, por tudo aquilo que é e tem-no demonstrado ao longo de mais de 41 anos - contador de estórias, criador de factos através da mentira, incoerente nas suas posições e com uma séria tendência para se desresponsabilizar culpando os outros (os tais "barões do partido"), enfim, talvez como alguém da sua área política o caracterizou, um "cata-vento", será muito pior e mais perigoso politicamente. 
A Cavaco Silva conhecia-se uma linha política e uma ideologia. Fixo de ideias, no cargo sempre foi previsível. De Marcelo Rebelo de Sousa o que se conhece é que segue sempre uma linha curva volátil que se orienta conforme o momento, mesmo que esta siga o sentido contrário ao que já tenha seguido antes.

Se por muito azar a escolha (desinformada) dos portugueses recair em Marcelo Rebelo de Sousa, Portugal corre enormes e sérios riscos: democrático (no sentido da estabilidade) e social.

Portugal precisa de virar mais uma página negra da sua história. Uma página maldita com 10 anos ininterruptos.
Este é o momento certo para o fazer. Só se não quiser. E os arrependimentos, quase sempre, não servem para reconstruir aquilo que ficou despedaçado.


03/11/2015

A discussão faz-se de ideias

Quanto às presidenciais, o meu apoio é mais do que óbvio e está declarado.
Não tenho quaisquer dúvidas que é Sampaio da Nóvoa o candidato necessário para responder às exigências que se adivinham para o próximo Presidente da República.
Claro de ideias e esclarecido nas propostas, e todas elas tornadas públicas há muito tempo de forma continuada para que todos possam fazer a sua escolha informada, Sampaio da Nóvoa é a antítese daquilo que foram estes últimos 10 anos de Cavaco Silva como Presidente da República.

Mas mesmo consciente das minhas convicções e ideais, esclarecido quanto às opções e certo daquilo que quero para o futuro, nada me impede de ouvir os restantes candidatos, bem como conhecer as suas ideias e propostas. Entre uns mais conhecidos do que outros, uns "políticos" outros nem tanto, procurei, muitas vezes sem encontrar, tudo o que pudesse ser visto, lido e ouvido sobre a visão dos restantes candidatos já declarados - mais 19 para além de Nóvoa.

E foi no âmbito dessa tarefa que consultei também o site da outra candidatura, dita de esquerda, que recolhe mais atenção por parte da comunicação Social - Belém 2016, lançada a 13 de Outubro (há 22 dias, portanto).

E infelizmente, à semelhança do que sucedeu quando procurei informação sobre outros candidatos menos fotogénicos ou menos interessantes para parangonas de jornais, também neste caso continuo sem conhecer uma ideia, uma visão, uma proposta da candidata Maria de Belém. Consultando o seu site oficial de campanha, ao visitante apenas é disponibilizado um único link para os documentos necessários para a propositura da candidatura. Sem ideias públicas e expressas passíveis de serem consultadas por este meio, parece que esta candidatura pede ao visitante, a poucos meses das eleições e numa fase muito crítica para Portugal, uma "assinatura em branco".




Tendo escutado algumas das suas declarações, sobre a actualidade política, como «não gostaria de me pronunciar sobre isso» ou «não posso comentar porque não estou na posse de toda a informação que o actual Presidente da República dispõem», não gostaria de acreditar que este é o reflexo desta candidatura, da forma como foi precipitada e lançada: um enorme vazio de ideias.

Poder-se-á, no entanto, dizer que o vídeo na única página do site poderá (poderia!) ser uma ajuda ao esclarecimento do visitante e que este terá através do meio audiovisual disponível um cabal esclarecimento do que pretende ser esta candidatura a quando o hipotético exercício do cargo. Mas não!

Não sendo um conhecedor em técnicas de comunicação (embora tenha, momentaneamente estudado marketing político), o vídeo causa alguma estranheza pois salta à vista uma imitação - e mal feita, diga-se - do "O" da campanha de Obama às presidenciais dos EUA em 2012 e ainda mais o facto do movimento das linhas com as cores da bandeira nacional se deslocar para o interior do "O" (zero, neste caso) - cuidado com a semiótica: é que, aos eleitores, pode estar a ser dado um sinal de entrada para o desconhecido... 



Mas imagens à parte: ouve-se um discurso, para além de editado (estranho corte aos 9 minutos e 38), com muitos lugares comuns e mensagens inócuas, no qual se esperaria ouvir e conhecer mais. Esperar-se-ia uma apresentação clara de princípios e de compromissos.
Afinal, trata-se de uma candidatura ao cargo de Presidente da República, de alguém que «não nasceu hoje para a política», e não de uma candidatura a um cargo de auditoria de defesa nacional...!

Não basta citar a Constituição da República Portuguesa, ou falar nos feitos históricos de Portugal. Não chega apenas a apresentação de um Curriculum Vitae com os cargos e (algumas) posições ocupadas no passado - é que não se pode começar por dizer que o cargo exige independência e capacidade para estabelecer pontes para depois apresentar como evidência da sua «maturidade e visão políticas» uma carreia politico-partidária. E até aí, muito há que se lhe diga no que toca à gestão independente de situações partidárias.

Mas a cima de tudo, não chega fazer-se um discurso cheio de retórica, apresentar uma candidatura quase como um chamamento pelo bem e glória dos portugueses, para depois dizer que «o mandato é claro», que «o programa do Presidente da República é a Constituição».
Enganam-se, e enganam, aqueles que assim pensam. A discussão faz-se de ideias.


23/05/2015

De "Equus ferus caballus" para "Equus africanus asinus"

Diariamente leio alguns textos, uns bons e outros maus, uns de onde consigo retirar conhecimento e outros que me levam ao arrependimento... de os ter lido!
As estes últimos a melhor "resposta" a dar é esquecer que os li e ignorar. Mas há uns que, de tão maus que são, isso se torna impossível de conseguir. E é sobre um desses que agora escrevo. Será, porventura, o texto mais ignorante, deturpado e falacioso que alguma vez li.

O texto em questão é do da "sra." (porque "Prof." é título que se atribui a quem tem capacidade e competência para ensinar) Maria Fátima Bonifácio, sra. que lá vai aparecendo quando é preciso bajular a direita, disparar umas alarvidades contra a esquerda, ou quando não há mais ninguém disponível para se prestar ao ridículo, e que é impresso hoje (22.05.15) no jornal Público com o titulo «Um "transportador de desassossegos"».

No referido texto, a dita sra. historiadora (ou estoriadora?!) tenta argumentar sobre a candidatura do Prof. (este sim, tem direito a título) Sampaio da Nóvoa. Mas deste texto, ignorando o histórico pensamento da sra. Bonifácio e a sua elevada capacidade argumentativa sobre qualquer que seja o assunto (veja-se que até sobre leis do tabaco se lhe encontra pensamento filosófico e argucia), depois de lido poder-se-ia retirar uma de 3 conclusões:
1 - o texto resulta da ignorância da sra. quanto ao cargo a que Sampaio da Nóvoa se está a candidatar;
2 - o texto resulta da incapacidade de interpretação por parte da sra. do conteúdo das entrevistas dadas por Sampaio da Nóvoa (a jornais e televisões);
3 - o texto deturpa intencionalmente a verdade e pretende construir uma imagem errada da candidatura e das ideias já apresentadas por Sampaio da Nóvoa.

A sra. Bonifácio escreve «É facto que jura renegociar a dívida “até ao limite do possível”, mas ignora por onde passam o limite e o possível.» - o que as pessoas informadas e sérias sabem e compreendem - a sra. M. Fátima Bonifácio não - é que quem renegoceia dívidas ou o que quer que seja em matéria executiva são os Governos. E a sra. Bonifácio sabe que esta "jura" que tenta atribuir a Sampaio da Nóvoa nem sequer existe na entrevista que cita.

A sra. Bonifácio escreve que «Nóvoa é o homem providencial para abraçar esse combate e demonstrar ao mundo “que as políticas de austeridade [não] são uma inevitabilidade”.» - ainda que assim fosse, se Nóvoa quisesse demonstrar alguma coisa não seria ao «mundo» mas sim à Europa, mas a sra. Bonifácio não conseguiu interpretar a frase «Se nós acreditássemos que esta Europa não vai mudar, e que as políticas de austeridade são uma inevitabilidade ficávamos em casa a protestar contra qualquer coisa»

Sobre a alusão de Sampaio da Nóvoa em que o voto no «arco da governação» implica que 20% dos portugueses fica à partida excluído, a sra. Bonifácio escreve «O remédio, como se adivinha, está em puxar o arco para a esquerda até incluir o Bloco e o PC. Mas, nesta hipótese humana e generosa, ficam excluídos 80% dos portugueses.» - revelando, à partida, enorme dificuldade na matemática, a sra. Bonifácio considera que a esquerda é representada apenas por dois partidos em Portugal, que no PS, por exemplo, não há votantes de esquerda ou, em última análise, tal presunção não passa de um enorme desejo que a sua direita represente 80% dos portugueses.

A sra. Bonifácio, incompreensivelmente, classifica PCP e BE como partidos da «extrema-esquerda» - teria evitado mais um atestado da sua ignorância se tivesse lido alguns dos trabalhos feitos por colegas seus tanto na Universidade para a qual trabalha como do ICS onde se diz investigadora.

A sra. Bonifácio, referindo-se à falta de apoios de estruturas partidárias, escreve «A sua candidatura, que ainda não recebeu o apoio declarado de nenhuma dessas agremiações, é “pessoal”.» - mesmo que conseguíssemos ignorar que se diz historiadora e não se lhe exigindo que conheça a Constituição da República Portuguesa, perguntando a alguns colegas seus, a sra. Bonifácio facilmente teria percebido que as candidaturas à Presidência da República são isso mesmo: pessoais («São elegíveis os cidadãos eleitores, portugueses de origem, maiores de 35 anos.» Artigo 122.º da CRP).

Mas de entre tantos disparates (há ainda mais alguns naquela mais de meia página de jornal) há aquele que, para mim é a "cereja no cimo do bolo". Escreve a sra. Bonifácio: «Inquirido, há dias, se se sentia mais próximo do Partido Socialista ou do Partido Comunista, o candidato à Presidência da República respondeu: “Não sei.” Está tudo dito. Politicamente, António Nóvoa não sabe o que é, nem quem é.»
Mas para que cada um possa tirar as suas próprias conclusões sobre se esta "tirada" é reflexo de ignorância, deficiência na compreensão e interpretação, problema auditivo, mitomania ou outra qualquer característica da sra. Bonifácio aqui fica a transcrição da entrevista dada à RTP em 6 de Maio 2015:
«Vitor Gonçalves: ... e olhando para o nosso espectro partidário, o senhor sente-se mais próximo do partido socialista do que do partido comunista, por exemplo?

Sampaio da Nóvoa: eu não sou capaz de lhe responder dessa maneira.
VG: não é capaz?
SN: não.
VG: então deixe-me concretizar-lhe a pergunta de outro modo: nas eleições, em eleições anteriores o senhor alguma vez votou, por exemplo, no partido comunista ou... ou não?
SN: eu não vou divulgar em nenhuma circunstância as votações que fiz e em quem em momentos anteriores.»

Porque a sra. Bonifácio até gosta de escrever uns livros sobre história, não lhe seria difícil encontrar referências que - estivesse ela nos tempos onde se podem encontrar algumas características com as quais o seu pensamento se parece identificar - depois de escrever um texto como este, era o momento de colocar um chapéu de papel ornamentado e ficar um bom bocado de tempo virada para a parede até perceber o quão mau é aquilo que escrevinhou.
Sobre o texto da sra. Bonifácio, como ela própria escreveu: «Está tudo dito.»

02/07/2013

Xeque... Mate?

Dizem os entendidos que, num jogo de estratégia como o Xadrez, os jogadores devem calcular e antecipar as três jogadas seguintes, se pretendem ganhar o jogo.


Hoje, Paulo Portas, apresentando a sua demissão do Governo, demonstrou que a melhor resposta a uma acção estratégica disparatada e declaradamente errada é uma atitude estrategicamente inteligente.

Com a demissão apresentada pelo ex-Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, de entre as várias opções que se colocavam perante o Governo, nomeadamente perante o Primeiro-Ministro, a acção politicamente inteligente poderia passar por:

  1. escolher para novo Ministro das Finanças uma cara nova, dissociado da imagem de austeridade que este Governo tem infligido aos portugueses, permitindo, dessa forma, uma folga na contestação até meados de Setembro;
  2. ou, querendo manter a mesma linha política e orçamental, escolhendo a "prata da casa" e promovendo um Secretário de Estado em funções a Ministro (um precedente perigoso e questionável moral e eticamente, já aberto anteriormente), de todos os Secretários de Estado em funções a escolha deveria cair sobre Paulo Núncio, aquele que goza de um índice de impopularidade menor por lhe ter sido atribuída a autoria da medida da factura electrónica.
Qualquer uma destas opções, um mal menor, poderiam contribuir para evitar [mais] um erro estratégico na governação de Portugal.

Mas quando julgamos que a falta de visão política, para não lhe atribuir outra expressão, não pode causar maiores danos, eis que alguém trata de provar que estamos enganados. 

Passos Coelho, colocando novamente o "pé em ramo verde", fez com que o seu parceiro de coligação, Paulo Portas, decidisse jogar forte - na gíria do xadrez, decidiu atacar o rei em xeque, e com vista ao mate!
Portas decidiu, assim, 1) capitalizar o descontentamento do eleitorado do PSD, que viam na promoção da ex-Secretária de Estado Maria Luís Albuquerque uma linha de continuidade e «persistência dos desequilíbrios , estruturais e institucionais, que determinaram a crise orçamental e financeira», 2) cair novamente nas boas graças do eleitorado do CDS e, por fim, 3) apresentar-se como determinante para a salvação nacional de um mal maior. Portas, que, desta forma, puxa o tapete ao terceiro líder do PSD, e uma vez que dificilmente conquistará votos no eleitorado do PS, não obstante algum descontentamento nele patente, ou no do BE e do PCP, posiciona-se para aumentar a sua base de apoio na direita portuguesa.

Num cenário de queda do XIX Governo Constitucional, ainda que a sua manutenção, mesmo com uma base de apoio declaradamente mais reduzida na Assembleia da República, não seja de todo um cenário a excluir, com o actual quadro institucional português Paulo Portas é, novamente, e independentemente duma vitória eleitoral da esquerda em Portugal, aquele que em melhores condições se apresentará para decidir a formação do XX Governo Constitucional da República Portuguesa.

Paulo de Sacadura Cabral Portas é, de longe, actualmente e dificilmente será ultrapassado num futuro próximo, o melhor e mais brilhante estratega político em Portugal.

Ainda que ocupemos espectros ideológicos antagónicos, reconheço que seria extremamente estimulante disputar uma partida de xadrez com Paulo Portas.


PS: sob a égide de evitar uma crise política, no actual cenário político e democrático português, o Presidente da República tornou-se o único responsável político pela actual instabilidade política que se vive em Portugal. E desta vez, a Democracia tem que forçosamente funcionar!

16/02/2012

Toca e foge!

Mais uma vez, assistimos ao nosso Presidente da República a jogar uma espécie de "toca e foge".


Agendada uma visita à remodelada escola António de Arroio, lá partiu o Presidente na sua comitiva escoltada pela PSP que depois de passar pela Avenida João XXI acima, diz quem se encontrava pela zona, deu uma volta de 360º regressando pelo mesmo caminho de onde vinha!
Parece que havia um qualquer problema de segurança na dita escola obrigando a comitiva a regressar para terreno seguro. O dito problema afinal era uma pequena manifestação de alunos contra medidas tomadas pelo actual Governo que o Presidente "de todos os Portugueses" preferiu evitar (para não usar outra expressão de carácter mais depreciativo). A justificação oficial, parece, foi que "um imponderável relacionado com a actividade presidencial" obrigou a uma alteração de última hora na agenda!


Uma situação bastante caricata, não tanto pelo acto de "fuga" em si, mas sim pelo "fugitivo" ser quem é!
Senão vejamos: a 9 de Março de 2011, Cavaco Silva tomava posse na Assembleia da República como Presidente, para um segundo mandato. No seu discurso inflamado, e por vezes confuso (coisa que já vai sendo habitual), o recentemente empossado Presidente, em jeito de conclusão afirmava:


"Foi especialmente a pensar nos jovens que decidi recandidatar-me à Presidência da República. A eles dediquei a vitória que os Portugueses me deram. Agora, no momento em que tomo posse como Presidente da República, faço um vibrante apelo aos jovens de Portugal: ajudem o vosso País!
Façam ouvir a vossa voz. Este é o vosso tempo. Mostrem a todos que é possível viver num País mais justo e mais desenvolvido, com uma cultura cívica e política mais sadia, mais limpa, mais digna. Mostrem às outras gerações que não se acomodam nem se resignam."


(podem confirmar a veracidade destas palavras no "Site da Verdade"!)


Pergunto eu, então, Sr. Presidente da República não foi exactamente isso que pediu aos jovens? Que fizessem ouvir a sua voz? Que não se acomodassem? Que não se resignassem? Foi isso que eles fizeram, e onde ficou a coragem para os ouvir?
Ou será que a intenção era que os jovens levantassem a sua voz e não se acomodassem ou se resignassem só até ao mês de Junho de 2011?!


Certamente perguntas que ficarão por responder por "imponderáveis" que, por alguma razão, deverão estar relacionados com actividade presidencial... isso ou então é o jogo do "toca e foge"!

08/01/2011

O Professor e o "Bom Aluno"


Há uns meses atrás deixei aqui algumas razões pelas quais não ia contribuir para uma putativa reeleição de Cavaco Silva na presidência da República.
Se em Novembro tinha a certeza que o candidato Cavaco Silva não era a pessoa certa para o lugar por falta de isenção, coragem política ou por não entender qual o papel de PR, então hoje, essa certeza está mais que fundada.

Fico surpreso como é que alguém que teve a coragem de celebrar o Dia de Portugal como se se tratasse do "dia da raça" teve a passividade para deixar que o país, do qual é suposto exercer o cargo de Presidente da República, o mais alto do Estado, fosse enxovalhado por um presidente de outro país mesmo à sua frente.

No entanto, não posso ficar surpreso com o facto do candidato Cavaco Silva ter "encaminhado" uma pessoa com dificuldades financeiras para uma «instituição de solidariedade que não seja do Estado». Afinal, o Presidente Cavaco, já tinha deixado esse elogio na sua mensagem de ano novo ao destacar como exemplar «o modo como os Portugueses participaram nas campanhas lançadas pela sociedade civil com vista à recolha de produtos alimentares e bens de primeira necessidade».
É esta a sua convicção. A convicção de que o Estado é dispensável mesmo quando o Estado é cada vez mais chamado para socorrer a situações de necessidade das pessoas (subsídio social de desemprego; complemento solidário para idosos; majoração do abono de família; subsídio monoparental; alargamento do período de licença de maternidade e paternidade; bolsas para estudantes do ensino secundário; etc.). Essa sua convicção, ou porque não dizê-lo, esse seu objectivo é também ele referido ainda na sua mensagem de ano novo: «A luta para que estes Portugueses não sejam abandonados não é monopólio de ninguém, pois constitui responsabilidade de todos».

Torna-se assim claro que Cavaco Silva (que agora voltou a falar em exercer os plenos poderes do Presidente da República se for eleito - preparem-se que vem lá dissolução da AR) esfrega as mãos de contente com o projecto de revisão constitucional do PSD, ainda que lhe custe ter sido iniciativa de Pedro Passos Coelho e não da sua amiga Manuela Ferreira Leite.

Se a reeleição de Cavaco Silva não for travada no dia 23, devemos todos estar preparados para que os «monopólios» tendencialmente gratuitos do Estado (Serviço Nacional de Saúde, Segurança Social e Educação) sejam distribuídos a privados (a amigos seus?!) com todos os custos a serem suportados pelo cidadão, o tal «utilizador-pagador», tenha ou não tenha dinheiro para isso!
O elogio que o Presidente Cavaco Silva fez ao ensino privado ainda há muito pouco tempo soou-me a prenúncio: «deve haver multiplicação e diversidade na escolha e nas oportunidades».

O candidato Cavaco Silva parece-me um pouco desorientado na sua campanha, ou esquecido.
Além de não responder ao que está um pouco (ou mesmo muito) obscuro remetendo respostas para o site da presidência, ainda que lá nada sirva de resposta esclarecedora, ou mandado outros responder dizendo que não responde, aquele que é o «garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas» quando é confrontado com a falta ou mesmo inexistência de democracia no arquipélago da Madeira limita-se a não comentar enganando o cidadão dizendo que esse é uma questão partidária e por isso «um presidente não deve participar na luta partidária»!
Uma vez mais uma evidente parcialidade do PR (naquele caso no papel de candidato) e o desconhecimento do papel do cargo para o qual foi eleito há 5 anos atrás.


Vemos agora que para o candidato Cavaco Silva "a cereja sobre o bolo" é, de facto, a saudade dos tempos, os «bons tempos» em que Portugal foi o «bom aluno».
E na verdade Portugal foi «bom aluno» em três momentos da sua história: em 1977 e 1983 com a entrada do FMI, e todas as suas consequências (em ambos com governos socialistas que ficaram com a "batata quente na mão"); o terceiro momento entre 1985 e 1995 com os milhões de dólares que entraram diariamente em Portugal remetidos pela CEE para que o Governo liderado por Cavaco Silva pudesse reduzir sectores produtivos (nomeadamente a agricultura e as pescas, que actualmente tanto defende) e construir estradas (estando ainda por explicar onde foi parar grande parte daquele dinheiro - há quem fale em Ferraris, vá-se lá saber porquê!?).

Sou levado à conclusão de que, também neste ponto está em sintonia com o PSD, que se encontra preparado para governar com o FMI (mas que depois parece que «é um erro o PSD querer chegar já ao poder») tendo em consideração que os fundos da UE a rodos são coisas do passado!

Curiosamente, esbarrei com esta passagem do livro "Pagadores de Crises" do jornalista José Goulão editado pela Sextante Editora (2010) que lembra a experiência pela qual passámos, enfim, a "classificação" que têm os "bons alunos":
«Nessa fase em que Portugal começou a distinguir-se como «bom aluno» das entidades estrangeiras que traziam o neoliberalismo no bojo, como o FMI, o Banco Mundial ou a Comunidade Europeia, foram implantadas medidas orientadas principalmente contra os sectores laborais, tais como a generalização dos contratos a prazo, o aumento do desemprego, sob o pretexto do combate à inflação e ao défice orçamental, restrições ao direito à greve e à actividade sindical.»

É também por tudo isto que não confiarei o meu voto a Cavaco Silva. Não o mereceu em 2006 e muito menos merecerá em 2011!

Ainda assim, pensa votar em Cavaco Silva?

06/12/2010

O Poder Presidencial em Portugal

No passado dia 25 de Novembro tive oportunidade de assistir ao lançamento do livro "O Poder Presidencial em Portugal - Os dilemas do poder dos presidentes na república portuguesa" na mítica Livraria Barata (ainda que lá vá poucas vezes, é uma das minhas favoritas!).

Neste lançamento, além dos autores, Profs. André Freire e António Costa Pinto, estavam também os Profs. Carlos Blanco Morais e Jorge Reis Novais que proporcionaram momentos de discussão académica bastante interessantes.
Por momentos senti-me de novo aluno.

Uma apresentação maioritariamente em convergência de ideias que acabou enriquecida com um debate onde os presente puderam assistir a uma troca de ideias interessantíssima, algumas delas em discordância com o trabalho dos autores. Não posso ficar indiferente às críticas do Prof. Jorge Reis Novais aos métodos da ciência política e dos politólogos de «atribuir classificação a tudo» chamando a atenção do seu trabalho "Semipresidencialismo" na mesma temática. Não deixa de ser corajosa esta crítica encontrando-se literalmente entre dois autores da área da Ciência Política.

Um debate que, na minha humilde opinião, pecou por ser demasiadamente curto perante o interesse do tema e à discussão que suscita, o poder e a acção presidencial. Para esta sensação de que muito ficou por discutir, contribuiu a clareza e qualidade dos oradores presentes.

Porque tinha em mãos outro livro interessante, só consegui iniciar a leitura alguns dias depois. Ainda que o tempo disponível não fosse muito, o conteúdo absorvente deste trabalho fez com que o lesse em apenas 3 noites!

Este livro divide-se em duas partes: a primeira aborda a evolução histórica do poder presidencial («O Poder Presidencial em Perspectiva Histórica»); e a segunda a questão deste poder em democracia complementada com alguns dados e factos («O Poder Presidencial em Democracia»).
Refira-se que esta obra assenta no anterior trabalho dos mesmos autores, O Poder dos Presidentes - A República Portuguesa em debate.
Ambos os trabalhos debruçam-se sobre a mesma temática, e por isso verificamos que as primeiras partes são iguais, encontrando-se diferenças nas segundas sendo o último (O Poder Presidencial em Portugal - Os dilemas do poder dos presidentes na república portuguesa) acrescentado e complementado também com as presidenciais de 2006.

Trata-se, na minha opinião, de um livro interessante e que contribui positivamente para a compreensão, além da componente histórica do cargo de Presidente da República, de determinadas atitudes e exercício da função. É, sem qualquer sombra de dúvidas, uma obra apropriada para o momento que se aproxima, as eleições presidenciais.
Responde a muitas questões que se levantam no dia a dia sobre a figura do Presidente da República (como instituição).

No entanto, e apesar de considerar este livro muito válido e que contribuiu para que pudesse aprofundar o meu conhecimento nesta área, julgo pertinente umas pequenas observações (porque a ciência política, além dos números e probabilidades, também se faz de discussão).

Ainda que a vertente constitucional não seja o meu forte, sou levado a acompanhar o Prof. Jorge Reis Novais na divergência dos autores quando referem que com a revisão constitucional de 1982 os poderes do Presidente da República ficaram reduzidos. Não obstante a necessidade do PR ter de consultar o Conselho de Estado antes de dissolver a Assembleia da República, o facto do parecer desse órgão não ser vinculativo e a abertura que o texto constitucional permite ao entendimento individual, dá a liberdade ao Presidente de proceder por iniciativa e motivação pessoal.
Considero também que as acções presidenciais - vetos e fiscalizações - demonstradas pelos autores (pág. 108) poderia ser complementada com o números de leis enviadas para promulgação pela AR e pelo o Governo em cada mandato. Desconhecendo a dificuldade que esse pormenor implicaria para o trabalho, julgo que dessa forma poderia ficar mais clara a percentagem dos vetos e das fiscalizações de cada um dos Presidentes nos mandatos analisados em relação ao número de leis elaboradas.

Como seria natural num trabalho destes, não poderiam fugir ao tema das "escutas de Belém". No entanto, nesta passagem, os autores referem a demissão do assessor do Presidente que alegadamente esteve na origem deste incidente. Na verdade, este assessor apenas foi afastado da função que exercia na altura mantendo-se ao serviço da presidência e sendo recentemente promovido dentro da instituição.

Por fim, na abordagem duma das partes que considero bastante relevante neste trabalho, a relação dos candidatos presidenciais com o sistema partidário e os partidos políticos, para o leitor menos esclarecido sobre as candidaturas a Presidente da República pode ficar a noção errada de que as candidaturas são de natureza partidária. Esta confusão obviamente não é da responsabilidade dos autores mas sim do discurso fortemente partidário na apresentação de candidaturas (onde destaco a responsabilidade das candidaturas apoiadas pelo PCP) e no decorrer das campanhas eleitorais.

Em suma, este é um livro que se recomenda a todos aqueles que se interessam por Ciência Política, por Política e para aqueles que querem ficar esclarecidos sobre o nosso semipresidencialismo!



Nota: as considerações que aqui deixo não devem ser entendidas como críticas ou uma forma de desvalorizar este livro. Muito pelo contrário: a importância com que este livro se apresenta na temática que aborda é razão suficiente para se abrir à discussão.

13/11/2010

Dois pesos, duas medidas e uma certeza

As presidenciais estão quase aí. 23 de Janeiro é o dia de decidir o lugar na Presidência da República.
As escolhas possíveis são claras: optar pela mudança, ou optar pela continuidade agravada pelo facto de se tratar do segundo mandato.

A minha opção é clara: MUDANÇA. Com Cavaco Silva como Presidente da República foi Portugal que saiu a perder. E, pior que isso, não sabe qual é o papel dum Presidente na República!
Um político profissional que diz não ser. Uma pessoa que se diz isenta mas que não sabe ser.

Para quem ainda tem dúvidas, o artigo de opinião de Daniel Oliveira retrata bem o tratamento que é dado ao Candidato-Presidentes e aos restantes candidatos.

«A Alegre pergunta-se sobre as suas relações com o Partido Socialista. Cavaco está isento de explicar as suas interferências crónicas, a partir de Belém, na vida interna do maior partido da oposição, de que a participação directa na escolha do representante do PSD nas negociações do Orçamento, numa clara violação do seu dever de neutralidade, foi o último exemplo. Cavaco é independente, mesmo que nunca o seja.
[...]
A todos os candidatos se fazem perguntas sobre as suas incongruências, as suas contradições, os seus erros passados, presentes e futuros. Cavaco passeia sem nunca ter tido de explicar os seus delírios sobre umas escutas que imaginou e que depois negou sem realmente negar.

Cavaco faz, há décadas, política sem debate, propaganda sem perguntas difíceis, erros sem censura mediática. E basta ler os jornais para perceber que a tradição vai continuar a ser o que era.»

09/04/2010

Promulga... mas contrariado!

Ora, depois disto e disto que aqui escrevi, a situação teve desenvolvimentos.

«O Tribunal concluiu que a iniciativa legislativa no sentido de permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo não viola a garantia institucional do casamento, considerando que a mesma não tem por efeito denegar a qualquer pessoa ou restringir o direito fundamental a contrair (ou a não contrair) casamento, que o núcleo essencial da garantia constitucional do casamento não é franqueado pelo abandono da regra da diversidade de sexos entre os cônjuges e que a extensão do casamento a pessoas do mesmo sexo não contende com o reconhecimento e protecção da família como “elemento fundamental da sociedade”. »

O comunicado do TC pode ser lido aqui.
(Parece-me que caem por terra alguns dos argumentos usados para alegar como inconstitucional este diploma)

A batata quente passou para as mãos do Presidente Cavaco Silva. Estou em crer que Cavaco Silva não quererá correr o risco de vetar este Decreto e vê-lo, em seguida, novamente aprovado pela Assembleia da República - e aí obrigado a promulgar sem "mas nem meio mas".

O mais certo é promulgar este diploma e em seguida fazer um daqueles discursos pouco esclarecidos (à semelhança como o que fez na situação do Estatuto dos Açores).

Os próximos dias prometem ser agitados...



09/03/2010

Acredito se quiser...

«Mas é assunto [recandidatura a Presidente da República] em relação ao qual eu não dediquei ainda um minuto da minha ponderação»

E agora pergunto: será que tenho o direito de dizer à boca cheia, ou até mesmo escarrapachar na primeira página dos jornais que este senhor está a mentir?...

... Pode ser formada uma comissão de inquérito para apurar se o Presidente da República está a mentir aos portugueses?

Pode ser montado mesmo circo em volta do PR como foi montado em volta das declarações do PM sobre se sabia ou não do negócio da PT/TVI?

Fico curioso...

20/02/2010

Conjugação verbal ou acordo ortográfico?

O nosso PR ganhou o hábito de surpreender a malta.
Ora é o mastigar dum "bolo-rei", ora é um discurso que o povo não compreende (e ainda falavam do Sampaio).

Agora saiu-se com uma nova conjugação do verbo "fazer":
«Há uma coisa que um Presidente da República nunca pode fazer que é de comentar em público a vida dos partidos políticos. Nunca o fiz, não faço, nem FAÇAREI. [...]»

A TSF tem o registo fonográfico aqui.

Lapso ou será que isto também já faz parte do novo acordo ortográfico?!

Haja ainda alguém na política que nos faça rir de vez em quando.

"Xôr" Presidente, descanse, todos nós de vez em quando, pelo menos uma vez na vida, assassinamos a língua portuguesa.

11/02/2010

A não notícia!

Estive a ver com alguma atenção a entrevista que Judite de Sousa fez ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento.
(De entrevista teve muito pouco. Mais parecia um interrogatório.)

Diverti-me com alguns atestados de estupidez e incompetência que Noronha Nascimento passou a alguns jornalistas... por uma ou duas vezes também a Judite de Sousa levou o seu recado.
Já a vi ter muitos ataques de "limitação intelectual", mas hoje abusou... pareceu-me que em algumas alturas Noronha Nascimento sentia que tinha de partir para o desenho para que a entrevistadora percebesse o que ele estava a dizer (com a parte das razões porque teria de ser o Pres. do Supremo Tribunal de Justiça a pronunciar-se sobre aquelas escutas em questão apenas e não sobre outras foi por demais!!).

Mas para mim, o ponto alto foi mesmo o fim. A forma como termina a entrevista foi deliciosa:
(e cito de memória) «[...] ficámos com uma notícia importante, o facto de, nas escutas em que o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça teve de se pronunciar, o nome do Presidente da República não ter sido referenciado.»

(Na verdade, para a comunicação social é uma notícia importante porque é má!... Lá se acabou a possibilidade de "indiciar", "julgar" e "acusar" alguém que não tem nada a ver com o assunto)

Do vinho do Porto (assim como de algumas outras coisas) costuma-se dizer que «quanto mais velho melhor»... o mesmo já não se pode dizer de alguns profissionais do jornalismo.

Hesito...

15/01/2010

Band of brothers.

Peguei no titulo duma excelente série dramática para dar título a uma excelente comédia.

Em 2004 o candidato a candidato a Presidente da República, o Prof. Aníbal Cavaco Silva, escreveu uma artigo de opinião no semanário Expresso comparando a lei de Gresham («
a má moeda tende a expulsar do mercado a boa moeda») aos políticos em Portugal.
Também os maus políticos tinham tendência a fazer com que os bons políticos optassem pelo afastamento da vida política.
Uma inequívoca alusão a Pedro Santana Lopes. Não como o bom político que se afasta mas sim como o mau político que afasta os bons.


Santana Lopes, creio que já depois de perder as legislativas para José Sócrates, responde que a responsabilidade por ele, o "menino guerreiro", não ter ganho as eleições estava no facto de não ter contado com o apoio de altas figuras do PSD e, pior ainda, porque os «irmãos mais velhos» davam «pontapés na incubadora» onde estava o irmão mais novo e prematuro.
Uma inequívoca alusão ao referido artigo de opinião do Prof. Cavaco Silva.

O tempo avançou.
Chegámos a 2010.

O então candidato a candidato a Presidente da República ganhou as eleições presidenciais em 2006 e prepara já, em 2010, a sua recandidatura para 2011.

E não é que agora o Sr. Presidente, um dos «irmãos mais velhos», vai condecorar o «irmão prematuro»!?
Passaram 6 anos, o «
prematuro» cresceu, amadureceu, continuou a perder eleições e, presumo, terá deixado de ser uma «má moeda» passando a ser uma «boa moeda».

Então, se assim é, há que reconhece-lo! E com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo por ter exercido «funções públicas de alto relevo».
Se já estranhei a condecoração do ex-inspector Moita Flores pelas mesma razões (?!) mais reservas coloco nesta.

Isto podia ser uma piada de mau gosto... mas não é.
O site da Presidencia anuncia-o
aqui.

Fica facilmente evidenciado como, na política e na vida, uma pessoa pode passar de besta a bestial!
Será que 6 meses de asneiras atrás de asneiras é considerado o exercer de
«funções públicas de alto relevo»?
Será que o Sr. Presidente que há um ano pedia rigor e mais exigência por parte de todos os portugueses baixou ele agora os seus níveis de exigência?!
Ou será a condecoração atribuída só pelo facto de Pedro Santana Lopes ser o único ex-Primeiro-Ministro que não foi agraciado com este "prémio"?...

Opinião minha: nem uma carica de latão pendurada ao pescoço merece!

É por estas e por outras que a política continua a merecer olhares de desconfiança dos cidadãos.

Penso que há uma ideia generalizada de alguns (muitos) políticos de que todos têm memória curta. A verdade é que ainda há alguns que gostam de fazer exercícios de memória...

Hesito...


07/01/2010

Este vale a pena no "Aspirina B"

Por norma não faço deste um ponto concentração de links para outros blogs assim como não é meu hábito colar aqui textos na integra de outros.
E não é agora que o vou fazer.

Mas porque cada vez que o Sr. Presidente da República se dirige a mim (sim, porque também um sou um dos portugueses) fala em código ou então toma-me por estúpido com os seus discursos, em grande parte, perfeitamente despropositados (para não dizer disparatados).
Para não fugir à regra, a mensagem de Ano Novo foi mais do mesmo!

Um texto que achei muito interessante e muito objectivo é o que escreve "Val" no "Aspirira B" (um dos poucos blogs que sigo com alguma regularidade). Não resisti em da-lo a conhecer.
Não vou colocar aqui o texto todo, pois ele tem um autor que não sou eu!

Deixo apenas um "adoçar de boca":
«A Mensagem de Ano Novo do Presidente da República condensa os lugares-comuns da retórica da impotência, característica dos discursos da direita em geral, e do PSD em especial. Que sentido tem repetir maniacamente que há desemprego e défice demasiado altos? Acaso só a direita é que está preocupada? Será que o Governo ignora os números, esse mesmo Governo que reduziu o défice quando pôde e apoiou as vítimas da crise internacional quando foi necessário? Este alarmismo estéril e tóxico, nunca se comprometendo com alguma solução, manifesta a paupérrima qualidade intelectual e cívica que constitui a actual direita.»


O resto podem ler aqui!

Já agora podem adiciona-lo aos "favoritos" para o continuarem a acompanhar! Vale mesmo a pena!


03/10/2009

Artigo 187.º

Há uns dias escrevi aqui que a "comunicação ao país" do Sr. Presidente da República poderia ter sido feita no sentido de criar condições para justificar alguma decisão "surpresa" que poderia (e poderá ainda) vir a tomar.

Não tardou em houvesse quem me perguntasse que "surpresa" poderia ser essa?
A sua renúncia ao mandato?
Não. Se o pretendesse fazer já o teria feito, ainda que isso não fizesse qualquer sentido nesta altura.
A "surpresa" a que me referia tem a ver com formação do próximo Governo Constitucional.
Não se trata duma teoria de conspiração, coisa que rejeito completamente, mas sim duma possibilidade constitucional.

Transcrevo aqui o Artigo 187º da Constituição da República Portuguesa:
«1. O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.»

Se notarmos, e de acordo com este Artigo, a nomeação do Primeiro-Ministro não está explicitamente reservada ao partido vencedor do acto eleitoral.
O acto eleitoral e o respectivo resultado é apenas algo que o PR deverá ter em conta.
Assim, e dada esta declaração de (mais um) conflito entre a Presidência e o PS, julgo que não é de descurar a possibilidade que existe do nome de José Sócrates, que será proposto pelo PS para Primeiro-Ministro, ser recusado ou, num caso mais extremo, ser aceite como Governo uma maioria de 39,55% (PSD e CDS-PP).

Ambas as situações são constitucionalmente aceites ainda que possam vir a ser difíceis de aceitar pela população e assim ver nestas decisões do PR uma tentativa de "reajustar" o resultado eleitoral de 27 de Setembro de 2009.

As declarações à impressa por parte dos líderes partidários depois das reuniões com o PR (quinta e sexta-feira), mesmo sem que tenha sido divulgado qualquer teor, podem indiciar que tudo se passará como é expectável.
No entanto, como já nos foi possível ver enquanto foi Primeiro-Ministro e nestes 3 anos como Presidente da República, Cavaco Silva é capaz de proporcionar algumas surpresas aos portugueses.


Talvez o convite para formar o próximo Governo seja ainda feito antes de serem conhecidos os resultados finais destas eleições - a 7 de Outubro quando se conhecerá o numero total de votos dos portugueses recenseados e a viver no estrangeiro.

29/09/2009

O Presidente falou...

... e não disse nada que se aproveitasse!

O Sr. Presidente da República falou e, mais uma vez, não conseguiu ser claro nem na forma, nem no conteúdo, nem no objectivo.
Pretendeu justificar algo em que se viu envolvido (ou se envolveu) e tentou tapar o sol com uma peneira.


Já o aqui disse por mais do que uma vez, e esta declaração só vem dar mais força a esta ideia: a degradação das relações institucionais entre o Governo e a Presidência tem na instituição "Presidente da República" a principal responsável.

O Sr. Presidente Cavaco Silva começa a sua declaração dizendo que «não existe em nenhuma declaração ou escrito do Presidente qualquer referência a escutas ou a algo com significado semelhante».
Justifica, por isso, a sua decisão de afastar o assessor envolvido nesta polémica no facto de «o e-mail publicado deixava a dúvida na opinião pública sobre se teria sido violada uma regra básica que vigora na Presidência da República: ninguém está autorizado a falar em nome do Presidente da República, a não ser os seus chefes da Casa Civil e da Casa Militar. E embora me tenha sido garantido que tal não aconteceu, eu não podia deixar que a dúvida permanecesse. Foi por isso, e só por isso, que procedi a alterações na minha Casa Civil.»

Além de chegar à conclusão que todas as "fontes" da presidência, excepto os chefes da Casa Civil ou da Casa Militar, não são credíveis entendo também que há dois pontos importantes a reter: ou o responsável pelo jornal Público mentiu (e por escrito) inventado encontros e suspeitas, e o próprio Presidente a levanta també esta suspeita («Desconhecia totalmente a existência e o conteúdo do referido e-mail e, pessoalmente, tenho sérias dúvidas quanto à veracidade das afirmações nele contidas.») ou alguém na Presidência está a mentir.

Não posso, no entanto, de deixar de recordar as palavras de Nicolau Santos (cujas crónicas semanais no jornal Expresso sigo com alguma atenção) sobre o assessor que, segundo Cavaco Silva não falou com ninguém:
«Eu, que tive em Fernando Lima o meu primeiro chefe quando entrei no jornalismo, ponho as mãos no fogo: ele nunca daria um passo destes, num assunto extremamente sensível, sem a aquiescência, ou pelo menos o conhecimento de Cavaco Silva. Só quem não conhece Lima pode supor outra possibilidade.» (aqui).
Curiosamente, outras pessoas ligadas aos meios de comunicação também fazem este tipo de avaliação sobre o Sr..


No fim do discurso ficou, parece-me claro, tudo por esclarecer. As palavras de uns contra os escritos de outros.

No que me parece ser uma tentativa de justificar toda esta embrulhada em que viu envolvido, alude a «declarações de destacadas personalidades do partido do Governo» sobre a participação de membros da sua casa civil na elaboração do programa do PSD e que mais uma vez, segundo o Sr. Presidente, não passavam de mentiras («de acordo com a informação que me foi prestada, era mentira»).
Pois as referidas declarações não passavam de comentários e interpretações no seguimento de notícias publicadas sobre a participação de assessores da Presidência na elaboração do programa eleitoral do PSD, inclusivamente anunciadas pelo próprio PSD no seu sitio de Internet.
Parece-me que, também neste ponto, o Sr. Presidente terá sido mal informado.

A seguir voltam-se a misturar temas, anunciando que «A primeira interrogação que fiz a mim próprio quando tive conhecimento da publicação do e-mail foi a seguinte: “porque é que é publicado agora, a uma semana do acto eleitoral, quando já passaram 17 meses”?»

Será sou eu que não sei fazer contas ou as eleições foram a 27 de Setembro e a primeira notícia sobre as suspeitas de escutas na Presidência foram publicadas no jornal Público de dia 18 de Agosto?
Será que em Agosto todos podiam falar em nome do Presidente e da Casa Civil e só agora é que isso é ir contra a regra?
Por que razão, logo nessa altura, o Sr. Presidente Cavaco Silva não esclareceu que ninguém fala por ele?
Estranho timming, não?!...

Mas tudo isto, diz-nos o Sr. Presidente, com dois objectivos claros: colar a imagem do Presidente ao PSD e desviar as atenções dos portugueses dos assuntos que eram de facto importantes.

Esta parece-me ser a maior e a melhor evidência que a imagem do Sr. Presidente está de facto colada ao PSD. Não porque o PS o tenha feito ou tentado sequer, mas sim porque o próprio Presidente da República o faz.
É o Sr. Presidente Cavaco Silva que vem hoje anunciar (mais) uma teoria da cabala com origem no PS juntando-se assim, recordemos, ao PSD que passou uma campanha eleitoral inteira a promover este tipo de insinuações infundadas desviando, isso sim, as atenções do que de facto era importante discutir.
Se isto não é colar imagens ou discursos então não sei o que será!

No fim, nem sei bem a que propósito, ficamos todos a saber que toda situação culmina no facto do sistema de comunicações da Presidência não apresentar um nível de segurança que seria desejável.
Recorde-se que, mesmo com «vulnerabilidades», o e-mail que coloca um assessor da Presidência e o próprio Presidente no centro de toda a polémica não saiu da Casa Civil mas sim do Jornal Público (ainda que o sistema de comunicações não tivesse sido violado como concluíram elementos desse órgão de comunicação social)

Em conclusão:
o sr. Presidente, como o fez já em situações anteriores, veio ocupar espaço de antena de forma completamente atabalhoada e sem qualquer explicação cabal, lançado para a praça pública declarações sem qualquer fundamentação baseadas em interpretações pessoais.
Se as relações entre a Presidência e o actual e futuro Governo (assim se espera) já não estavam estáveis, o Sr. Presidente veio colocar mais uma acha na fogueira com aquilo que considero ser uma tentativa de sacudir a responsabilidade duma situação que continua por esclarecer. Perdeu-se hoje mais uma boa oportunidade para esclarecer toda esta situação e criaram-se condições para continuar a alimentar todos estes disparates e complexos de perseguição.

Ou terá sido esta uma forma encontrada no sentido de criar condições para "justificar" alguma surpresa futura?... Os próximos dias o dirão...



21/09/2009

Cooperação... mas que cooperação?

Já o tinha escrito aqui neste blog: é minha clara convicção que não é o Governo o único responsável pelas (supostas) más relações entre este orgão e o Sr. Presidente da República - arriscaria dizer até que, neste aspecto, a maior fatia da responsabilidade cabe mesmo à Presidência; e escrevi também que não seria para mim uma surpresa se se confirmasse que a notícia das supostas "escutas" feitas pelo Governo em Belém fosse uma farsa a pedido.

Esta notícia, vem reforçar isso:

«Lisboa, 21 Set (Lusa) -- O Presidente da República, Cavaco Silva, afastou hoje Fernando Lima do cargo de responsável pela assessoria para a Comunicação social, que passará a ser desempenhado por José Carlos Vieira.

Segundo disse à Lusa uma fonte oficial da Presidência da República, trata-se de uma "decisão do Presidente da República".

No 'site' da Presidência da República o nome de José Carlos Vieira já se encontra como o assessor para a Comunicação Social.»

(novamente uma «fonte oficial da Presidência da República»... recordo, mais uma vez, que as instituições têm "porta-voz" e não fontes oficiais!)

Lembro que o Sr. Presidente veio dizer que ficava em silêncio nesta fase e que após as eleições iria pedir mais informações sobre segurança. Ainda, quando lhe perguntavam se de facto a notícia tinha tido origem na Presidência, respodia à jornalista que a Sra. não seria ingénua e que ele, o Sr. Presidente, também não o era.

É um facto que o Sr. Presidente ficou em silêncio e não entrou na luta partidária tal como anunciou, mas teve uma acção que revela, para já, existir um indício de que, muito provavelmente, não é o PS que está na origem de mais uma trica entre estas duas instituições, naturalmente utilizada demagogicamente por alguns partidos da oposição (o discurso sobre o estatuto político-administrativo dos Açores, a piada do jipe, etc. são apenas outros exemplos).

Impõem-se, nesta fase, a necessidade dum claro esclarecimento da Presidência relativamente a este afastamento, pois não podemos esquecer que a notícia divulgada pelo DN indica que a iniciativa parte do próprio Presidente.

Embora não lhe reconheça essa humildade, gostaria também de ver a Sra. Manuela Ferreira Leite tentar retratar-se da afirmação proferida do alto da sua Verdade: «não me interessa se há escutas ou não, o que interessa é que as pessoas achem que há».
É importante saber o quanto antes a quem é que as pessoas devem o "achar que há escutas"!

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