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10/03/2013

Livro: Pela Europa!

Com o título «Pela Europa! Manifesto por uma revolução pós-nacional na Europa», recentemente editado pela Editorial Presença, Daniel Cohn-Bendit e Guy Verhofstadt, actualmente deputados europeus, pretendem mostrar que a defesa por uma Europa Federal pode ser transversal ao espectro político, i.e. da esquerda à direita ideológicas.
Segundo os autores, o inimigo deste passo final em direcção à transformação europeia capacitando a Europa de melhores formas de defesa contra as crises (não só financeiras e económicas) e de melhores meios para a defesa dos seus cidadãos, é o nacionalismo utilizado de forma populista e demagógica. Para eles, os indivíduos são compostos de várias identidades em simultâneo pelo que falando até de uma identidade europeia é incorrer no mesmo erro de falar em identidade nacional.

Um manifesto que deixa alguns pontos interessantes para reflexão e discussão mas incorre no mesmo erro que, frequentemente, os governos nacionais cometem quando julgam que fusão de instituições é sinónimo de redução da despesa e melhoria de serviços.

Um ponto que carecia de maior sustentação é a reorganização das instituições num sistema federal europeu, assim como a eleição dos seus cargos dirigentes.

É, efectivamente, um documento que deve ser lido por aqueles que se interessam pelo tema Europa e que, cada vez mais, está na ordem do dia. Afinal, quer queiramos quer não, somos Europeus!


Sinopse:

«A Europa está em crise. Como chegámos a esta situação? O que é que falhou? Confrontados com tão grande emergência, não estarão os Estados da zona euro prestes a criar um monstro não democrático? Será o euroceticismo reacionário? Conseguirá uma federação de 27 países funcionar eficazmente? Este manifesto é um apelo dirigido à inteligência de cada cidadão. É um exercício de lucidez e uma incitação à reflexão. E é também um grito de alarme. A era das cimeiras vazias e de meras declarações de intenções acabou. Chegou o momento de passarmos aos atos. 
Pela Europa! inclui também uma entrevista dada pelos autores ao jornalista francês Jean Quatremer, um especialista das questões europeias.»

08/11/2012

Momento de reflexão III

«Os receios produzidos pela economia tornam os problemas da Europa mais presentes na consciência das populações e atribuem-lhes uma importância existencial maior do que nunca. As elites políticas deveriam encarar este impulso invulgar à problematização como uma oportunidade e reconhecer o carácter excepcional da situação actual. Mas os políticos também se transformaram, há muito, em elites funcionais: deixaram de estar preparados para uma situação que escapa à abordagem administrativa habitual a reboque das sondagens, exigindo uma forma política diferente, uma forma que forja mentalidades.»


Jurgen Habermas

18/08/2012

Million dollar question!

No período da "silly season" e a sua aparente extensão pela festa do PSD no Pontal, na verdade a mais de 100Km do Pontal visto que se realizou o Aquashow da Quarteira, não fosse aquilo meter mais água do que a que meteu, aquela que me parece ser a "million dollar question" é a feita por Pedro Adão e Silva esta semana no Expresso (18 de Agosto de 2012):

«Podemos sentir-nos confortáveis quando a Europa enfrenta uma convulsão política profunda em torno do papel do Banco Central Europeu com um primeiro-ministro que não percebe o que se está a passar ou, mais grave, finge que nada de relevante está a ocorrer e o que importa é fixar-nos no nosso "regabofe" doméstico como forma de iludir um brutal retrocesso civilizacional?»

Uma pergunta de difícil resposta... ou talvez não.

06/07/2012

Livro: A Ideia de Europa

"A Ideia de Europa" de George Steiner, um filósofo contemporâneo, é um pequeno livro que resulta duma palestra proferida em 2004 durante a Presidência holandesa do Conselho da União Europeia no Nexus Institut. Um texto muito interessante que nos transmite a noção de Europa e a sua identidade através da exaltação da cultura.


«A Europa morrerá efectivamente, se não lutar pelas suas línguas, tradições locais e autonomias sociais.»


Um texto que contribuiu, um pouco mais, para reforçar a minha perspectiva sobre a condição de cidadão da Europa...






Sinopse:

Começa assim... 


«A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsters de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkegaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo. […] Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da ‘ideia de Europa.’» 


… e termina assim este ensaio verdadeiramente admirável de George Steiner: 


«Com a queda do marxismo na tirania bárbara e na nulidade económica, perdeu-se um grande sonho de — como Trotsky proclamou — o homem comum seguir as pisadas de Aristóteles e Goethe. Liberto de uma ideologia falida, o sonho pode, e deve, ser sonhado novamente. É porventura apenas na Europa que as fundações necessárias de literacia e o sentido da vulnerabilidade trágica da condition humaine poderiam constituir-se como base. É entre os filhos frequentemente cansados, divididos e confundidos de Atenas e de Jerusalém que poderíamos regressar à convicção de que ‘a vida não reflectida’ não é efectivamente digna de ser vivida.»

17/12/2011

Livro: De Roma a Lisboa: a Europa em debate

"De Roma a Lisboa: a Europa em debate" trata-se de mais uma reunião de vários textos de autores que abordam o tema Europa, União Europeia, no contexto do Tratado Reformador, ou Tratado de Lisboa como ficou conhecido, em diversas áreas, coordenado por Maria Manuela Tavares Ribeiro. Desde a vertente constitucional deste tratado, passando pela cobertura jornalística que o Tratado mereceu, as relações internacionais (Cabo Verde e Colômbia), a Europa nos manuais escolares, sem esquecer, naturalmente, a sua "permanente indefinição" e o alargamento europeu.
Um trabalho que cobre diversos temas transversais da Europa:
  • "European constitutional ambitions after Lisbon";
  • "O Tratado de Lisboa: conteúdo e desafios";
  • "Comunicando a Europa: o Tratado de Lisboa";
  • "Europa: Cultura, identidade, fronteiras";
  • "Rumo aos 27: O alargamento da UE nos manuais escolares";
  • "A União Europeia e o conflito colombiano: de uma irrelevância de facto a uma irrelevância de conteúdo?";
  • "A Parceria Especial CaboVerde/UE: olhares da imprensa";
  • e "A União Europeia: um actor (político) em permanente indefinição".
Um livro editado em 2010 pela Almedina que, em alguns aspectos nele abordados, se mantém actual face aos mais recentes acontecimentos e por isso poderá ser (mais) uma ferramenta para ajudar a compreensão desta Europa: «[...] cada vez mais os Estados da União se dividem entre os que têm uma concepção da Europa como projecto político e os que perfilham uma concepção instrumental e pragmática; ao mesmo tempo que as suas agendas ("nacionais" e "internacionais") tendem a divergir»

Sinopse:

«A Europa em mutação no século XXI debate-se ainda em busca de uma ideia de si mesma enquanto projecto e realidade política. Vai-se abrindo, porém, à percepção de que a União Europeia é ainda um caminho a percorrer, mais ainda do que um ponto de destino.
E se a Europa foi fruto de um conjunto de reflexões de intelectuais, ela foi também produto de ideais teóricos, mas é um facto que deixou de ser o produto de ideais teóricos para converter-se em realidade que define o ser europeu: a razão, o direito, a democracia.
Mas nela, na Europa, podemos encontrar os contrários. Se a Europa é o direito, ela é também a força; se é a democracia também é opressão, se é razão é também mito.
Como sublinhou o europeísta suíço Denis de Rougemont, esta Europa dividida conservará o seu destino histórico comum. E ao longo dos séculos houve intentos de reconciliação em que a diversidade europeia se transforma numa unidade continental como solução para os problemas, para os confrontos, para os conflitos. Em muitos momentos da nossa contemporaneidade a Europa foi avançando em direcção oposta à unidade, a acentuar a diversidade e a fomentar a sua fragmentação - segundo as etnias, as línguas, as culturas, as religiões. Mas também é verdade que houve a preocupação em percorrer o caminho em sentido contrário, ou seja, da diversidade para a unidade.
Não se estranhará, portanto, que a unidade da Europa seja uma tarefa em construção e, por ora, inacabada.»




08/08/2011

Livro: A Europa Possível

"A Europa Possível" de Luís Beirôco é um livro que, fazendo uma exposição da história da construção europeia, dos seus principais momentos e protagonistas, deixa evidente quem são os estados membros que comandam essa construção, as suas intenções e objectivos: o eixo Franco-Alemão.

Este trabalho contribui para uma clara percepção do caminho escolhido pelos estados europeus orientado exclusivamente pela visão economicista e de mercados livres. Enquanto ocorre a união económica na Europa percebe-se a incapacidade, ou falta de vontade política, dos mesmos estados na construção duma união política cujo inicio se dá com o fracasso da primeira iniciativa de construção dessa união: a Comunidade Europeia de Defesa (CED).

Um livro editado em 2004 mas que reflecte todas as preocupações actuais na defesa duma União Europeia, além de económica, também política. Facilmente se consegue entender que, apesar a alternância dos dirigentes europeus, a falta de vontade política dos anos 60, 80 e 90 que impediu uma união política da UE está patente nos dias de hoje. E, infelizmente, porque os interesses de cada um dos estados europeus (e não europeus!) não se alteraram muito ao longo dos anos, temo que esta incapacidade política possa estar para durar tornando a Europa uma organização vulnerável no plano internacional - não nó no aspecto económico, vejam-se os sucessivos "ataques" dos mercados aos países europeus, mas também no aspecto político se, e apenas como exemplo, tivermos presente os recentes "ataques" de dirigentes norte-americanos às políticas militares e de defesa dos estados europeus (sempre dependentes dos orçamentos dos EUA no plano militar e da NATO).

Uma leitura que se recomenda.


Sinopse:

A história da construção europeia ensina-nos que sempre que do plano económico se pretende avançar para o plano político multiplicam-se as dificuldades e surgem as divisões. Os chamados eurocépticos sustentam que os pressupostos da construção europeia se alteraram com a implosão da União Soviética e a reunificação alemã. Para eles, que valorizam o retorno das nações, enquanto reflexo identitário provocado pela globalização, o método comunitário, tal como definido pelos pais fundadores, está ultrapassado. Os europeístas, por seu lado, pensam que é precisamente o fim do mundo bipolar que impõe que se acelere o passo a caminho da união política. Por duas ordens de razões. Em primeiro lugar, porque acolher os países da “outra Europa” obriga a um reforço da solidariedade e da coesão. Em segundo lugar, porque a Europa deve assumir um papel autónomo na nova ordem internacional que se pretende construir.

17/07/2011

Livro: História da União Europeia

"História da União Europeia" de Nuno Valério é um trabalho bastante interessante sobre a construção da organização. A apresentação da evolução da UE é feita cronologicamente o que proporciona um acompanhamento mais próximo das alterações e problemas que se lhe foram surgindo, assim como a sua ligação a outras organizações internacionais.

Além da visão histórica transportada até aos dias de hoje, permitindo uma percepção clara da construção europeia assente, essencialmente, na vertente económica, este trabalho deixa algumas considerações sobre o futuro da organização - hegemonia, externa e interna, e homogeneidade.

Terminada a sua leitura, não pode deixar de se constatar um evidente falhanço da união política!

Uma questão premente, e à qual o autor não dá resposta devido à sua natural complexidade, mas cujo trabalho apresentado abre portas a uma maturação e reflexão sobre o tema, é a de saber qual o rumo desta união europeia: «saber se a União Europeia vai, a prazo, evoluir no sentido federal esboçado e fracassado com o Tratado Constitucional, implodir num regresso à estrita soberania nacional, ou estabilizar na fórmula intermédia da supranacionalidade».


Sinopse:

Esta é uma obra muito documentada e exaustiva, de grande actualidade, incontornável para compreender o espaço europeu e todos os aspectos da sua articulação e protagonismo mundial. O processo de integração europeia é analisado em grande profundidade desde longínquos antecedentes históricos até aos mais recentes, já no século XX, a partir do pós-guerra. As várias fases do processo de integração são aqui perspectivadas até à efectiva existência da União Europeia, com a entrada em vigor do Tratado de Maastricht. A terceira parte do livro ocupa-se da evolução mais recente e das perspectivas para o futuro da União Europeia no século XXI.
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