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28/09/2015

As sondagens valem o que valem... mas valem para quem?

Se os estudos de opinião podem ser usados para inúmeros assuntos, é inegável que é em períodos eleitorais que mais damos por eles. E há para todos os gostos.

Estando nós em período de eleições legislativas (aguardem porque a seguir virão a eleições presidenciais!) todas as semanas somos inundados de sondagens sobre intenções de voto. Se as semanais, duas ou três, não eram suficientes, então agora surgem-nos com uma novidade: sondagens diárias!
Porque não só podemos escolher o centro de sondagens pelo qual nutrimos maior simpatia, podemos também escolher o resultado que mais nos agrada. E se é esta diversidade de resultados entre estudos de opinião, alguns feitos no mesmo período sem qualquer acontecimento capaz de alterar a intenção de voto dos eleitores, que confunde (admitamos a possibilidade de tal acontecer) os cidadãos interessados, é a mesma diversidade que os descredibiliza, até àqueles tecnicamente bem feitos.

Se das estatísticas poderemos dizer que estas consistem na arte de massajar os números até eles nos dizerem o que nós queremos, o mesmo já não se deveria aplicar aos estudos de opinião dado que eles deveriam ser representativos (ou aproximar-se) da opinião dos inquiridos sobre um tema específico ou intenção destes agirem em determinada situação, extrapolando estes resultados para uma representatividade do universo pré-determinado.
Mas se o universo estudado é importante para a um estudo de opinião, então é decisivo e crítico a construção da amostra.

Mesmo sem querer entrar na análise sobre a estratificação da amostra (interessante ver alguns dados, especialmente aqueles relacionados com as faixas etárias!) ou na discussão sobre as vantagens e desvantagens na utilização de um "painel" para sondagens e barómetros, independentemente da sua frequência, decidi dispensar algum tempo a perceber a amostra da sondagem referida numa notícia da RTP de 23 de Setembro: «Coligação com vantagem de cinco pontos na sondagem diária da RTP».
Porque as fichas técnicas publicadas pelos órgãos de comunicação social são muito importantes para perceber as própria sondagens, um melhor entendimento sobre como se chegaram àqueles resultados, ou como os sustentam, só é possível com todos os dados disponíveis. Por essa razão recorri ao arquivo de documentos depositados na ERC.

Podemos ver neste caso específico que nos é dito que para o estudo foram efectuadas 891 entrevistas e que destas se calculou uma taxa de resposta de cerca de 70% (69,61%) o que, poderemos assumir, foram considerados 623 inquiridos.
Observando a restante informação, podemos constatar que destas 623 entrevistas, 10% dos inquiridos indicaram não votar (62) e 12% nem sequer sabe ainda se vai votar (75).
Ficando estes 137 inquiridos imediatamente fora das contas, restam apenas 486 inquiridos que dizem que vão votar (65%) ou que "em princípio" o farão (13%). Mas diz-nos ainda a ficha técnica que destes 486, 29% não sabem em quem votar (141) e 8% recusaram-se a dizer em quem vão votar (39).
Em suma, é-nos apresentada a notícia de uma intenção de voto sustentada numa amostra de apenas 306 inquiridos.

Sem querer julgar a boa vontade das entidades que compram estes estudos e a sua dificuldade em compreender o seu grau de sustentação, ou questionar o rigor científico das entidades que vendem estes estudos, as minhas duas dúvidas sobre estes estudos adensam-se cada vez mais:
1) afinal, a quem servem estes estudos de opinião? e
2) será que estes estudos pretendem ser eles o simples reflexo duma opinião ou transformar-se num instrumento de construção duma opinião?

... Afinal, as sondagens valem o que valem... mas valem para quem?

22/08/2010

Tudo pelo poder

Em Março deste ano dava aqui conta da opinião de Diogo Moreira que subscrevia sobre um eventual trilho de conquista do poder pelo PSD quando as sondagens indicassem maiorias nas intenções de voto.
Uma eventual pressão interna das elites sociais democráticas poderia ocorrer quando as sondagens indicassem que o PSD poderia chegar a Governo de forma folgada. Aí, o PSD provocaria uma crise política e, por qualquer meio previsto constitucionalmente, o Governo socialista cairia e o país via-se novamente obrigado a manifestar o seu voto para eleger um Governo.

Mas a este cenário plausível veio juntar-se uma variável que pode estar a forçar o PSD a provocar essa crise política ainda que as sondagens, mesmo dando alguma vantagem, pareçam começar a inverter o seu sentido: uma proposta de revisão constitucional completamente desastrada.

Não discuto o seu conteúdo, ainda que considere que algumas das alterações propostas colocam-se ao nível de algumas ideias bastante liberais que por esse mundo fora vamos vendo e, com isso, potenciando alguns retrocessos políticos e sociais, mas a forma e a razão porque foi apresentada nesta altura.

Sendo que a última revisão constitucional se deu em 2005 é este ano que a lei fundamental pode ser revista e alterada (ainda que não seja obrigatório). Daí as iniciativas do PSD Madeira, primeiro, e agora do PSD (nacional).
Ambas as propostas de revisão constitucional deram que falar por conterem propostas polémicas e, em minha opinião, a roçar algumas ideias antigas que estiveram na origem e na manutenção de regimes autoritários: da primeira já ninguém se lembra; para a segunda parece-me que se está a tentar fazer o mesmo.
E digo isto porque a apresentação da proposta de revisão do PSD, completamente divergente dos problemas com que os portugueses se vêem a braços actualmente e fora do tempo por estarmos em vésperas de umas eleições presidenciais, surge para colmatar um vazio de ideias e propostas da recente eleita presidência do partido.

Esta proposta, e todo o processo que a gerou, que aparece numa altura em que as sondagens mostravam uma subida significativa do PSD na intenção de voto dos portugueses, não graças ao seu programa político mas à vontade de castigar o Governo, acaba por ter um efeito perverso nas aspirações sociais democratas e torna-se, seguramente, a origem da inversão verificada recentemente por várias empresas e centros de estudos de opinião.

Por isso, pelo estrago que este processo causou, a pressão que antes se julgava poder aparecer quando as sondagens indicassem uma maior à vontade em eleições, acaba por ocorrer no momento exactamente oposto.
É por essa razão que a questão do Orçamento de Estado de 2011, que só deveria se colocada lá para Outubro, está a ser posta agora em causa pelo PSD: primeiro, numa tentativa de limpar a imagem liberal que deixou com a proposta de revisão constitucional; segundo, tentar encostar no Governo a exclusividade do aumento da carga fiscal (da qual se tornou co-autor em Março); e terceiro, criar um ambiente, perigoso, com condições para a instabilidade política.
É que o PSD e os seus dirigentes, os visíveis e os que estão na sombra, sabem muito bem que o Governo não apresentará quaisquer linhas gerais do OE 2011 até 9 de Setembro, ainda que tecnicamente fosse possível.
Se o PSD contasse mesmo com as propostas do Governo até à data "limite" já teria apresentado a sua proposta de alternativa governativa que lhe desse garantias de que ganharia umas eleições na eventualidade do Presidente da República, por qualquer devaneio ou momento menos lúcido, dissolver a AR ou demitir o Governo - no entanto, pode estar a contar pedir um "cheque em branco" aos portugueses.

Não existe nenhuma razão válida e séria para que a questão do OE 2011 esteja a ser colocada neste momento, muito menos quando a justificam que «é o ‘timing' certo para que os portugueses e o Presidente da República possam tomar uma decisão quanto ao futuro da governação».
Esse 'timing' foi em 27 de Setembro de 2009 e a decisão tomada tornou-se válida para 4 anos de governação.

Se isto não é forçar uma crise política (artificial), então, não sei de que se tratará.

07/05/2010

Gato escondido com o rabo de fora

Em Março, Diogo Moreira alertava para os riscos das sondagens no "novo" PSD.
A seguir, todos ficámos deslumbrados com o discurso responsável e a (aparente) acalmia do PSD preocupado com a situação grave do país e a sua disponibilidade para «ajudar o país neste momento difícil».

Mas parece-me, e porque agora a «Oposição prepara-se para concluir que Sócrates mentiu ao Parlamento» (com base em opiniões, suposições e imaginações), o discurso do PSD está a voltar ao tom radical proferido por Passos Coelho durante os seus dois anos de campanha eleitoral interna: «O porta-voz do PSD, Miguel Relvas, não fecha a porta à apresentação de uma moção de censura caso o Governo mantenha a aposta nas grandes obras públicas». No entanto, e tentado manter o espectro da responsabilidade, «assume que eleições antecipadas e uma crise política não fazem parte da estratégia do maior partido da oposição».
Estou em crer que não faz parte da estratégia, mas se acontecer agora será muito bem vinda para os dirigentes do PSD.

Porque para o PSD, a solução para o país passa por um "encerramento temporário" da actividade económica em que as grandes obras públicas deveriam ser substituídas com medidas de grande alcance como, por exemplo, «uma nova lei das rendas», além da clara chantagem que estão a exercer sobre o país e sobre o Governo, parece-me que os sociais democratas começam agora a mostrar ter retomado a sua opção por um caminho de contradição.


Julgo que o PSD ainda não conseguiu mostrar quais são as grandes medidas necessárias a Portugal para enfrentar os problemas.
A julgar pela distribuição de "pastas" no «governo-sombra» do PSD, não me parece que as vamos conhecer tão cedo.



Comentando as mais recentes sondagens em que o PSD surge à frente do PS não posso deixar de registar a diferença entre os resultados da Eurosondagem e da Marktest:

Eurosondagem
PS: 36%
PSD: 28,5%
CDS-PP: 13,1%
CDU: 8,2%
BE: 8%


Marktest
PSD: 39,8%
PS: 34%
BE: 8,3%
CDU: 7,2%
CDS: 4,5%

Deve-se no entanto considerar o espaço temporal entre ambas. 8/13.04 a primeira e 20/25.04 a segunda.

Ainda assim é importante não esquecer que esta situação, ainda que o tenham feito crer, não é inédita (mais uma evidência do fraco jornalismo que se vive em Portugal):
«A três meses das eleições legislativas, e três semanas depois das europeias, o PSD passa pela primeira vez para a frente do marcador que dita o novo Governo. Num jogo em que o empate técnico continua a marcar a análise, a sondagem dá agora uma ligeira vantagem ao partido de Ferreira Leite, que sobe sete pontos em relação ao mês passado (de 28,3% para 35,8%) e vê os socialistas perderem dois pontos nas intenções de voto (de 36,3% para 34,5%).»

E depois foi o que se viu.
Julgo no entanto, importantes as considerações de Pedro Magalhães.



07/10/2009

Resultados III - Finais - Legislativas

Aparentemente temos resultados finais das legislativas de dia 27 de Setembro/09.
Contados os votos dos emigrantes verifica-se que, tal como já havia adiantado como provável (PS 97 e PSD 81), a composição da AR ficará assim distribuída na próxima legislatura:

PS 97
PPD/PSD 81
PCP-PEV 15
CDS/PP 21
BE 16

Premindo na figura, surgirá o quadro comparativo com as legislativas de 2005.
Ficamos a aguardar, nos próximos dias, o convite do Sr. Presidente da República à formação do próximo Governo.

Nos últimos dias tem-se visto em alguma imprensa lançar cenários sobre "eleitores fantasma", círculos eleitorais uninominais em vez de plurinominais e ainda de círculo eleitoral único em vez dos vários círculos.
Ainda que não disponha de muito tempo para desenvolver estudos sobre estas matérias (talvez um dia tenha que, forçosamente, encontrar tempo para tal) dediquei-me a pegar nos resultados deste último acto eleitoral (27/09/2009) e a distribuir os 226 deputados dos círculos eleitorais do continente e ilhas como se só existisse um círculo.
Cheguei a um resultado interessante:


1 Círculo 20 Círculos Dif
PS 87 97 -10
PPD/PSD 69 81 -12
CDS/PP 25 21 4
BE 23 16 7
PCP-PEV 19 15 4
PCTP/MRPP 2 0 2
MEP 1 0 1

Fiz esta pequena análise no sentido de perceber quais a eventuais diferenças na proporcionalidade da representatividade partidária na AR. Nesta cenário estão em "disputa" apenas 226 mandatos que correspondem aos 20 círculos nacionais (continente -18, Açores 1, Madeira - 1). Os dois círculos internacionais ("Europa" e "Fora da Europa"), que atribuem os restantes 4 deputados, foram excluídos.

Assim e se, em vez dos 20 círculos eleitorais existisse um único círculo eleitoral, à semelhança do que existe noutros países, verificamos que:

-> Haveria uma maior representatividade partidária na AR passando e existir 7 forças políticas em vez da actuais 5;

-> Partidos como o PCTP-MRPP e MEP elegeriam deputados, 2 no caso do primeiro partido, 1 no caso do segundo;

-> Não obstante o facto de se manter a mesma ordem de grandeza representativa dos partidos na AR, o PS perderia 10 deputados e o PSD 12 sendo que o mais beneficiado seria o BE com um ganho de 7 deputados;

-> Um cenário destes eliminaria as actuais diferenças na eleição de deputados verificadas entre os círculos, ou seja, no número de votos necessários para a eleição de um deputado onde, por exemplo, no círculo de Portalegre são necessários de mais votos do que em Lisboa em virtude do número de deputados ser superior neste último em comparação com o primeiro (e que, por sua vez, está ligada com o numero de eleitores de cada um dos círculos);

-> Por ventura, um cenário destes reduziria significativamente questões que há muito vêm sendo levantadas, por exemplo, a dos "eleitores fantasma" visto que está directamente relacionada com a proporcionalidade dos eleitores em cada um dos círculos.

Parece-me correcto dizer que, com esta "análise", não pretendo afirmar de antemão que o sistema eleitoral deve ser revisto e alterado ou se um é melhor ou pior que outro, até porque esta não é uma questão que se possa abordar de forma ligeira por envolver muitas variáveis de estudo.
Limitei-me apenas a pegar nos números, criar um cenário "e se...?" e partilhar convosco.


01/10/2009

Resultados II



Apresento o quadro comparativo, agora rectificado, com os resultados oficiais (ainda que temporários) divulgados pela DGAI.
Foram necessárias pequenas alterações em relação ao que apresentei anteriormente mas não existem diferenças significativas visto que estas eram mínimas (um problema com origem na "fonte" que utilizei na noite das eleições).

27/09/2009

Resultados I



Estão apurados os resultados para as 4.260 freguesias, faltando ainda os votos dos portugueses no estrangeiro que equivalem a 4 mandatos na AR.

Perante estes resultados, ainda que provisórios, podemos verificar o seguinte:

- A julgar pela distribuição dos dois mandatos da "Europa" e os outros dois de "Fora da Europa" em eleições anteriores, muito provavelmente os PS ficará com 97/98 deputados e o PSD 81/80;

- Numa primeira análise, o PS terá perdido cerca de meio milhão de votos (504.741) e, a confirmar-se o ponto anterior, terá menos 24 deputados na Assembleia da República. Ainda assim deverá considerar-se um bom resultado tendo em vista a iniciativa reformista que este Governo teve e o clima social e económico que vivemos (em verdade, não exclusivamente português);

- O PSD terá aumentado o número de votos em relação ao resultado de 2005 nuns aparentes 6.857 votos (3 deputados), isto é, mais 0,39% que o resultado obtido por Pedro Santana Lopes. No entanto, devemos lembrar que na altura o PSD concorreu coligado com o PPM e MPT que equivalem a cerca de 15.000 votos (visto que o MPT este ano se coligou com o PH, que em 2005 obteve mais de 16.000 votos, considero para efeitos apenas os votos do PPM que são facilmente identificáveis). Penso, por isso, que podemos arredondar os números e estimar que, para já, o PSD terá tido um aumento real de cerca de 20.000 a 22.000 votos nestas eleições - "objectivo cumprido" dizem alguns dirigentes do partido ainda que reconheçam a derrota (tal como previa, os únicos a fazê-lo) visto que pretendiam ser o partido mais votado.
Julgo que o PSD perdeu muito em centrar a sua campanha nas "conspirações" e, principalmente, no apelo ao voto de protesto.
Já começaram a soar as vozes discordantes e, como era expectável, António Preto e Helena Lopes da Costa foram eleitos para deputados na AR pelo círculo eleitoral de Lisboa.
Com este resultado, uma repetição do obtido em 1985, não se prevêem dias pacíficos no interior do PSD.

- O BE aumentou o número de votos em 192.702 e com isso a sua representação na AR passou de 8 para 16 deputados. Deixa assim de ser o 5º partido com representação parlamentar passando a ser o 4º.
A maior "queda", ainda que também com aumento de votos (mais 14.174) e deputados (mais 1), é a da CDU que deixa de ser a 3ª força representada para passar a ser a 5ª.

- Paulo Portas e o CDS-PP conseguiram dois objectivos importantes: serem superiores ao BE e assumirem-se como a 3ª força na AR. A campanha centrada na questão dos subsídios, nomeadamente o RSI, conseguiu chamar muitos eleitores a votar CDS-PP. Verifica-se um aumento de 177.142 votos e 9 deputados.
Com este resultado, Paulo Portas e os seus deputados podem ter adquirido um valioso "poder negocial" no que respeita à aprovação de diplomas no Parlamento... e Portas sabe disso.

- Constata-se que PSD e CDS-PP juntos, comparativamente com 2005, tiveram um aumento de votos que rondam os 185.000 a 200.000 este ano significando que esta duas forças cresceram apenas 3% a 4% em relação a 2005, muito graças ao CDS.

- A abstenção, a confirmar-se nos 39,40%, é a maior desde 1976. Este foi também o acto eleitoral com maior número de inscritos.

- Com o aumento dos inscritos e da abstenção verificados nestas eleições, parece-me pouco correcto, sem dados que o comprovem, especular sobre as deslocações do eleitorado.

Para ver melhor o quadro que elaborei basta premir em cima da figura.

Voltarei ao tema assim que os resultados sejam definitivos e com as devidas actualizações.


Projecções - Análise

Foram conhecidas as primeiras projecções (CESOP, Eurosondagem e Intercampus) que dão a vitória ao PS.
Como habitualmente em todas as outras eleições anteriores, todos os partidos são vencedores... mesmo que não ganhem!
Há sempre objectivos atingidos e feitos conquistados (curiosamente nunca há perdedores).
Para estes resultados prevejo o mesmo discurso com excepção para o PSD.
A confirmarem-se as projecções é o maior perdedor de todos.

A expectativa centra-se nos resultados nacionais do CDS-PP e BE e no resultado final do PSD.
No que concerne ao primeiro ponto de interesse, ficaremos a saber se o objectivo do CDS-PP em retornar ao lugar da 3ª força política na AR (com isso ficar à frente do BE), será ou não atingido e que consequências isso terá na direcção do partido - recordemos as razões da demissão de Paulo Portas na sequência dos resultados das legislativas de 2005.
O segundo aspecto é o resultado final do PSD, visto que todas as projecções, e já aqui anunciadas, admitem como provável um resultado inferior ao de 2005 (28,70%).

Um dado que se verifica desde já, é a perda da maioria absoluta pelo PS, e que será aproveitada para justificar os resultados dos partidos de oposição. Há que realçar, no entanto, que as projecções apontam para um bom resultado se tivermos em conta o ambiente social e económico em que vivemos.

Dois pormenores:
- As forças de "esquerda" permanecem em maioria na Assembleia da República;
- A abstenção perspectiva-se superior à verificada em eleições anteriores (34,98% em 2005). Mais alta até que aque se verificou em 1999 (38,16%).


Projecções - CESOP



Min Max
PS 36,0% 40,0%
PSD 25,0% 29,0%
CDS 8,5% 11,5%
BE 9,0% 12,0%
CDU 7,0% 10,0%


Projecções - Inetrcampus



Min Max
PS 36,0% 40,0%
PSD 26,3% 30,3%
CDS 8,6% 11,6%
BE 8,5% 11,5%
CDU 6,0% 9,0%

Projecções - Eurosondagem



Min Max
PS 36,2% 40,4%
PSD 26,9% 30,7%
CDS 7,7% 9,9%
BE 9,0% 11,2%
CDU 6,5% 8,7%

Afluência - 16h

Até às 12h00 haviam participado 21,29% do eleitores. Cerca de 200 mil a mais que em 2005.
No entanto, às 16h00 haviam já votado 43,30%. Em 2005, à mesma hora, contavam-se cerca de mais 380 mil eleitores do que este ano - a participação rondava na altura os 51%.

Só às 20h00 ficaremos a saber se a abstenção este ano será superior ou inferior à das últimas legislativas.



25/09/2009

Sondagens e Campanhas

Apesar do volume de sondagens feitas no período que antecede estas legislativas, e para as quais fiz uns gráficos de variação (evolução) para melhor análise, é preciso deixar claro o seguinte: as sondagens não são previsões!
Não será de espantar se os resultados finais se revelarem, em alguns casos, bastante mais além das margens de erro apresentadas pelas empresas e centros de sondagens (a mais baixa de 1,75% e a mais alta 3,58%) pois um dado importante em todos estes estudos de opinião foi a elevada percentagem dos "Não Sabe/Não Responde".

A campanha eleitoral.
Foi melhor a pré campanha do que a campanha eleitoral. A razão é simples: na pré campanha foram apresentados, discutidos e desmistificados programas eleitorais (uns mais que outros) pelo seu maior ou menor conteúdo e na campanha eleitoral as ideias ficaram para trás sendo que o centro da discussão foram casos, pseudo-casos, coligações imaginárias ou maledicência.

CDU - Humildade do seu líder. Jerónimo de Sousa consegue cativar pela simpatia. Pena que o discurso se repita.

BE - A desconfiança no programa do BE começa na pré campanha com a questão dos benefícios fiscais que pretende eliminar. A questão dos dirigentes do partido que apostaram em PPR's e em acções na bolsa (outra bandeira do partido) também não ajudaram a manter a imagem que Louçã, directamente envolvido, transmitia de seriedade e coerência.
Ficaram por explicar os custos, formas e consequências das nacionalizações propostas.
Já agora, «Fim de rodeos», essa actividade tão portuguesa, é na verdade uma proposta do BE - página 76!

CDS-PP - Portas soube explorar a sua imagem, a questão da segurança (ou a falta dela) e o RSI. Atacou os partidos da esquerda e ainda o PSD, este último sempre com muito jeitinho não vá ter que se coligar novamente.
Demasiadas propostas demagógicas.

PSD - Um partido que conseguiu em ambos os períodos (pré campanha e campanha) mostrar-se pouco preparado para ser alternativa. Muitas contradições e incoerencias, o repetitivo discurso da "asfixia" (com dois monumentais tropeções: a asfixia democrática que não existe na Madeira mas existe no continente e o caso das escutas que afinal não tiveram qualquer interferência do Governo). Ainda o "caso TVI", onde apenas existem suposições mas que são usadas como certezas, demasiadamente usado esquecendo o caso TVI/Marcelo Rebelo de Sousa onde o PSD foi protagonista principal; a desculpa despropositada de que o TGV interessa mais aos espanhóis e que as obras públicas contribuem certamente para dar emprego a ucranianos e cabo-verdianos; enfim, um rol de atrapalhações e aberrações que não contribuem certamente para credibilizar o (vago) programa eleitoral do partido assim como transmitir confiança ao eleitorado (ou pelo menos uma parte dele).
Julgo que escapou aos olhos dos jornalistas que tanto gostam de "casos" a pouca importância que a líder do PSD deu a Pedro Passos Coelho que, apesar de afastado por esta, apareceu na campanha.
A inclusão de candidatos acusados de corrupção e a forma como as listas foram elaboradas (afastando as vozes discordantes) não contribuiu em nada para a suposta "Política de Verdade" do PSD.
No meio de tudo isto, ficaram por apresentar as propostas e soluções do PSD para Portugal.

PS - Uma grande máquina de campanha a funcionar. Sócrates centrou-se na apresentação do trabalho realizado em 4 anos e no que pretende para os próximos 4. Deixou para outras figuras os principais ataques à oposição. Marcou pontos quando conseguiu encostar o BE à extrema esquerda desmontando parte do programa eleitoral e beneficiou ainda com a denúncia da eventual tentativa por parte da presidência de encomendar notícias que colocariam em risco a imagem do Governo (acentuada com o afastamento dum elemento da Casa Civil por iniciativa do Presidente da República).
O "caso TVI", sem que haja qualquer dado factual que comprove a relação PS/Governo com a situação, demagogicamente aproveitado, e a opinião de Mário Soares sobre eventuais coligações (quando para qualquer dos partidos o tema estava encerrado) pode ter custado ao PS alguns votos durante este período eleitoral.
Não obstante a união no PS conseguida nesta campanha, as medidas implementadas (e necessárias), nem sempre da melhor forma, nos 4 anos deste Governo custaram certamente a renovação da maioria absoluta.
São as vicissitudes de se implementar reformas que englobam os "poderes instalados" e a resistência natural do ser humano à mudança (mesmo antes de saber quais as consequências dessa mudança).


Ainda assim, é importante votar. Mas mais importante é votar em consciência. É necessário distinguir a realidade da demagogia e da utopia.
Acho que, apesar de ter sido uma má campanha eleitoral com consequências para imagem da classe política, ficaram claros os caminhos que cada partido pretende para Portugal.
É necessário escolher e escolher bem!
As cartas estão na mesa... os trunfos estão à vista!



Sondagens - variação Marktest

Sondagens - variação Intercampus

Sondagens - variação Aximage

Sondagens - variação Eurosondagens

Sondagens - variação CESOP

(deu algum trabalhino fazer isto...)

18/09/2009

Campanhas... negras!

Apesar de ter decidido que não iria fazer qualquer comentário sobre a campanha eleitoral para as eleições do dia 27 de Setembro, entendi que, pela forma como a campanha está a ser conduzida, nomeadamente os temas que se discutem, iría abrir uma excepção.
Estava eu, por isso, a fazer um pequeno texto sobre a "campanha negra" que está a ser feita, em que os partidos puxam os temas demagógicos à discussão, fugindo assim aos temas principais e que deveriam ocupar o espaço central (acabando por "apanhar" os mais distraídos), quando li o texto do Prof. João Cardoso Rosas no jornal i esta quinta-feira (17/09/2009): «"Os espanhois" e outras histórias florentinas».

O retrato fiel do que se temos assistido neste período eleitoral.

«Pense-se na "asfixia democrática" do continente e em como ela deixou de existir na Madeira, só porque aí é praticada pelo PSD. Pense-se nos apelos à ética, subitamente suspensos quando se tratou de favorecer um amigo político, o famoso "homem da mala". Pense-se no modo como a líder do PSD tratou a sua oposição interna: à boa moda florentina, eliminando todos aqueles que lhe pudessem fazer sombra, sem qualquer remorso nem respeito.
Parece estranho mas, diante de Ferreira Leite, Sócrates, o político profissional, começa a surgir como um homem excessivamente bem-intencionado, ou até um pouco ingénuo. Anda por aí a apresentar, com insistência, a obra feita e o programa para a próxima legislatura. Ferreira Leite, por seu turno, parece estar a levar demasiado à letra os ensinamentos de Maquiavel.»

É um facto: «A campanha abandonou agora a respeitabilidade dos debates e passou à fase mais suja.»

O texto de opinião, e que recomendo vivamente, pode ser lido aqui.

Ainda falando de campanhas negras, no caso das "escutas" em Belém, a história está a tomar proporções ridículas.
Lembremo-nos que tudo começou num jornal que já há muito tempo, na minha opinião, perdeu o estatuto de "jornal de referência".
O jornal PÚBLICO tornou-se num verdadeiro pasquim!

Quando, finalmente, se esperava que o Sr. Presidente viesse, de uma vez por todas, encerrar o assunto (já o devia ter feito no momento em que a história começou), este falou... para dizer que não ia falar!
Até depois das eleições vamos ficar com este tema em suspenso e passível de ser usado como arma de arremesso. Lamentável!

Tenho muita dificuldade em acreditar em teorias da conspiração, mas tendo estudado um pouco as áreas de marketing e comunicação política, pessoalmente, não ficaria nada surpreendido se se confirmasse que a "notícia" tivesse sido de facto encomendada.

Aproveito a deixa para recomendar um livro: "Nos Bastidores do Jogo Político - O poder dos acessores" de Vitor Gonçalves editado pela Livraria Minerva.


15/09/2009

Debates - ... e acaba aos 10!

Sócrates vs Louçã
- A convergência inicial sobre a IVG não serviu para amornar o tom do debate que viria a seguir. Menos combativo do que esperava, trouxe algumas novidades. Uma discussão onde Francisco Louçã enumera situações pontuais como reflexo do país e onde Sócrates responde com indicadores que nada dizem ao primeiro.
O tom dos intervenientes elevou-se mas o momento que fez gelar Louçã foi quando Sócrates pegou nas nacionalizações e no fim dos incentivos fiscais na área da saúde, educação e PPR’s propostos pelo BE no seu programa eleitoral.
A resposta foi um tanto ou quanto atrapalhada, talvez resultado da surpresa que este ataque terá provocado. Parece-me que Louçã estaria preparado para “jogar ao ataque” contando que Sócrates permanecesse na defesa.
O Secretário-geral do PS, com algum sucesso, conseguiu encostar o líder do BE à esquerda mais radical e com isso, não sendo um debate brilhante, deixou curiosas algumas pessoas relativamente às políticas defendidas pelo BE.

Ferreira Leite vs Jerónimo
- Jerónimo de Sousa manteve durante todo o debate uma atitude de ataque relativamente ao PSD. Naturalmente que isso aconteceu porque o eleitorado do PCP está à esquerda e não junto do PSD não correndo, por isso, o risco de perder votantes. Ainda assim parece-me que o objectivo de cativar os indecisos ou ir conquistar alguns votos ao PS não terá sido atingido.
Talvez tentando seguir a linha de José Sócrates no confronto com Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa tentou atacar o programa do PSD com a alusão ao facto da parte respeitante à justiça ter sido “copiada” dum relatório do Compromisso Portugal que, como se sabe, junta uma série de empresários portugueses, logo um sector da sociedade ao qual o PCP dedica algum do seu tempo a atacar.
Manuela Ferreira Leite voltou a “tropeçar” (como diz Pacheco Pereira) na «asfixia democrática» que lançou para a discussão pública com a reafirmação da sua existência no continente e negando-a no arquipélago da Madeira. Aqui, o seu embaraço fê-la fugir ao centro da questão colocada pela moderadora do debate.
Parece-me que deste confronto houve muito pouco a retirar, ambos os candidatos entraram como saíram, e onde destaco apenas mais dois pormenores. A confusão da antiga Ministra das Finanças entre IRC e IRS atribuindo ao primeiro imposto a taxa mais alta de 42% quando na verdade é de 25%. O segundo aspecto diz respeito à declaração de que «o PSD foi durante10 anos Governo e houve crescimento». É naturalmente uma afirmação tendenciosa pois peca por incompleta. Referindo-se claramente aos governos de Cavaco Silva, Manuela Ferreira Leite falhou na explicação de que a razão desse crescimento se deveu essencialmente à entrada dos subsídios da antiga CEE (hoje UE), maioritariamente aplicados em grandes obras públicas, nomeadamente auto-estradas.

Ferreira Leite vs Portas
- Não tive oportunidade de assistir com a devida atenção este debate. Ainda vou tentar ver…

Portas vs Louçã
- Não tive oportunidade de assistir com a devida atenção este debate. Ainda vou tentar ver…

Sócrates vs Ferreira Leite
- Este debate seria a cereja sobre o bolo e sobre o qual se criaram grandes expectativas que acabaram por não ser correspondidas.
Esperava menos de Manuela Ferreira Leite e mais de José Sócrates. Mas a estratégia do líder do PS em deixar o papel de “zangado” para Ferreira Leite foi bem conseguida.
O debate não serviu para consolidar ou arrancar votos ao eleitorado do PSD ou PS. Terá porventura servido para despertar alguns indecisos mas não mais do que isso.
Incomodada com a questão de ter integrado nas suas listas candidatos acusados de corrupção e com julgamento marcado, MFL puxou o seu curriculum, trabalhos e experiência para se afirmar como uma pessoa credível reafirmando a “Verdade” do PSD e onde esses casos não poderiam ser usados para o contrariar. Mesmo que isso contradiga uma das ideias defendidas por um dos fundadores do partido, Francisco Sá Carneiro, no que respeita à ética e ao facto de que o político dever estar acima de toda e qualquer suspeita.
MFL mostrou-se novamente a “tropeçar” nas respostas e nas contradições, acabando JS por ser mais conciso e objectivo no seu discurso.
Sócrates, tentando contornar os temas mais incomodativos para o seu Governo, tentou centrar a conversa nos temas mais fracturantes e antagónicos como os investimentos públicos e apoios sociais.
Ficaram evidentes as diferenças principais entre os dois partidos e também a falta de respostas a algumas questões, por exemplo, como é que o PSD pretende colmatar os apoios às empresas e apoios sociais quando propõe a diminuição da receita fiscal nomeadamente a descida da Taxa Social Única ou o IRC.
Confrontada com o que é defendido no programa eleitoral, não ficou claro o que o PSD entende por «introdução de medidas destinadas a que a pensão de reforma dos Portugueses passe a ser crescentemente encarada também como uma responsabilidade individual, […] ou o progressivo plafonamento do valor das contribuições e das pensões mais elevadas, sempre com o integral respeito pelo principio da confiança».
Tentando justificar a intenção de não avançar para os grandes investimentos públicos, MFL apresentou um novo argumento. Quer a independência económica de Portugal relativamente a Espanha (não podemos esquecer que estamos inseridos na EU). Afirmou ainda que Espanha lucrará com o TGV em Portugal. Tal como no debate com Jerónimo de Sousa, a “história” ficou a meio pois Portugal também beneficiará, ainda mais do que Espanha, de verbas comunitárias.
Um debate muito centrado no passado, deixando alguns temas do futuro por discutir.

Acredito que esta serie de debates não terá contribuído de forma clara e decisiva para ganhar votos ao eleitorado colocado no sector “Não Sabe/Não Responde”.

A campanha eleitoral está aí e é nesta fase que tudo se decidirá.


07/09/2009

Debates - Vira aos 5...

A primeira parte dos 10 debates que antecedem as legislastivas de 2009 está concluída. Verdade seja dita que de debate tem muito pouco. É mais um frente a frente do que outra coisa qualquer até porque o modelo escolhido não promove uma verdadeira discussão de ideias e propostas.

Esta é a minha visão dos primeiros 5 "encontros":

Sócrates vs Portas
- Esperava um "debate" forte e agressivo e rico em discussão. Como referi antes, o modelo de debate não deu liberdade a essa discussão e serviu, em algumas das vezes, para os candidatos se refugiarem evocando a necessidade de respeito pelas regras.
Falou-se muito do passado e pouco do futuro. Discussão parca em ideias para o futuro. Muita demagogia na contra-argumentação das iniciativas aplicadas pelo Governo.
Ficou ainda por explicar por que razão uma das bandeiras eleitorais do CDS-PP contra o actual Governo foi aprovada com os votos do partido de Paulo Portas.

Louçã vs Jerónimo
- Confesso que já o apanhei quase a meio, mas fiquei com a impressão que não perdi muito. Alguma convergência nas ideias e com os ataques dirigidos unicamente ao Governo e ao PS com o objectivo claro de chamar assim eleitores do espectro socialista.
Tanto BE como PCP, e na sequência dos programas eleitorais que apresentaram, podem dar-se ao luxo de defender teorias e ideias que agradam ao ouvido do eleitorado pois claramente são partidos, e disso têm noção, que dificilmente se verão na posição de ter que formar um Governo.
De debate, pouco ou nada houve, ainda que a moderadora tenha espicaçado os dois candidatos ao contraditório.
É de facto mais fácil à distância, e para os órgãos de comunicação social, atacar adversários da mesma ala política em vez de o fazer olhos nos olhos.
Julgo que perderam aqui uma excelente oportunidade de clarificar ou acentuar as diferenças entre os dois partidos. Imperou uma estratégia calculista.

Sócrates vs Jerónimo
- Um frente a frente tranquilo e sem grades confrontos. Não interessa a José Sócrates hostilizar os militantes comunistas. Jerónimo de Sousa também optou pela prudência na escolha das palavras, seguramente para não fechar as portas a um possível futuro entendimento (pelo menos parlamentar).
Esta tónica calma e delicada, onde só o código do trabalho serviu para amornar a discussão, deveu-se seguramente à estratégia do líder socialista, logo no início, em estabelecer como alvo dos ataques políticos os partidos da direita.
Notou-se que Jerónimo se encontrava mal preparado para a discussão dos problemas e por isso teve de se socorrer dos chavões comunistas que facilmente ficam no ouvido sem que se saiba muito bem o seu significado. Sócrates, naturalmente, beneficiou com disso.

Ferreira Leite vs Louçã
- Esperava mais de Louçã e menos de Manuela Ferreira Leite. Conciso nas ideias conseguiu com que um dos argumentos de Manuela Ferreira Leite fosse um «é a vida!». Uma vez mais, defendendo medidas mais radicais e só possiveis de defender porque não formará Governo, logo não as poderá nunca aplicar, colocou a sua opositora algumas vezes em situação de fraca contra-argumentação.
Foi uma discussão de ideologias, bem aproveitada pelo candidato do BE.
Um aspecto interessante, e com pouca ressonância na comunicação social do dia seguinte, foi o facto de MFL ter admitido o sucesso da sustentabilidade e viabilidade conseguidas na Segurança Social pelo actual Governo. Ficámos também a saber que o que não consta no programa eleitoral do PSD não será mexido. Ou porque está bem ou porque não é prioritário mexer. Se não se fala, então não se mexe.
Preocupam-me estas omissões e a falta de clarificação de ideias no que concerne a determinadas áreas... fica-se sem saber claramente qual a visão do PSD para determinados sectores da sociedade.

Jerónimo vs Portas
- Este era o debate onde não esperava nada de novo. E assim aconteceu.
Uma vez mais, Jerónimo de Sousa pouco à vontade e naturalmente voltaram a emergir chavões como «aparelho produtivo», «bem de Abril» ou «programa constitucional». Tentou direccionar a atenção o discurso contra o Governo. Foram poucas as vezes em que tentou espicaçar a direita ou o CDS-PP. Muito bem quando lembrou a Paulo Portas que embora não tenha sido Ministro da Saúde ou da Agricultura, teve responsabilidades no anterior Governo e por isso tem que assumir responsabilidades no legado que deixou em 2005.
Já Portas aproveitou bem as fragilidades demonstradas pelo seu opositor. Sentiu-se como peixe na água explorando muito bem o tempo de antena que teve. Seguro, definiu como seu adversário directo José Sócrates e Jaime Silva (Ministro da Agricultura). Sustentou sempre a sua argumentação em exemplos, ainda que por vezes empolados.
Dirigiu-se essencialmente ao eleitorado do "centrão" e, com a apresentação de soluções (poucas) que me parecem algo demagógicas, deverá ter conseguido despertar a atenção em algum eleitorado do grupo dos "Não Sabe/Não Responde". No entanto não me parece suficiente para conseguir obter mais votos para o CDS-PP.
Ficaram patentes a convergência na identificação dos "problemas" e divergência na aplicação das "soluções".


Vamos ver o que nos reservam para os próximos 5 frente a frente.

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