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11/07/2010

Puxar da pistola - por Pedro Adão e Silva

Um texto muito interessante que pode ser encontrado no Léxico Familiar.

«Há um par de anos, um grupo de empresários portugueses lançou um movimento para defender os centros de decisão nacionais. Ricardo Salgado, por exemplo, aquando da OPA do BCP ao BPI, e a propósito do papel do banco espanhol La Caixa, afirmava que o BES "está sempre pronto a colaborar no que se refere à construção de uma solução nacional de oposição a eventuais take overs hostis de estrangeiros". Depois do que se passou na quarta-feira, com a disponibilidade revelada por alguns desses mesmos empresários para enviar a PT para as distritais do campeonato mundial das telecomunicações, fica aqui uma promessa: da próxima vez que me falarem em centros de decisão nacionais "puxo logo da pistola". A questão é suficientemente séria. O que está em causa não é a sustentabilidade das contas públicas, é a sustentabilidade do estado-nação, que depende da existência de empresas nacionais internacionalizadas como a PT. E o que fica provado é que não há ninguém com capacidade para defender os interesses do país. É sabido que o mercado é a soma de um conjunto de acções racionais individuais que não resultam necessariamente numa opção estratégica racional. No caso da oferta pela Vivo, é de facto racional para os accionistas privados, a precisarem de liquidez, vender à Telefónica. Mas a consequência desta soma de acções individuais é só uma: amputar a manutenção da PT como empresa com escala e dimensão. O Estado pode usar a golden share para bloquear o negócio, mas o mais provável é a opção ser ineficaz. No fundo, a situação do país é mesmo insustentável: com empresários a apostarem no curto prazo e a desprezarem o interesse estratégico e um Estado frágil, que age com uma ilusão de poder que já não tem, podemos mesmo estar condenados.»

12/04/2010

Vamos lá repensar bem...

Uma das propostas de Pedro Passos Coelho há uns anos atrás era (e julgo que ainda deverá ser, afinal há que «retirar o Estado dos negócios») a privatização da Caixa Geral de Depósitos.

Mas com a notícia, hoje, no Jornal de Negócios, que nos dá a saber que «A Caixa Geral de Depósitos vai ter de recorrer às reservas para pagar 250 milhões de euros de dividendos ao Estado» não será um indicio, sem referir outros, que retirar o Estado deste negócio poderá ser um erro estratégico?

Naturalmente que a resposta a esta pergunta só será correctamente dada sabendo qual o volume de aumento de capital que a CGD necessita por parte do Estado. Mas mesmo assim, equacionando os riscos do Estado sair deste negócio, colocando os prós e os contras numa balança, parece-me que deste negócio, definitivamente, o Estado não deve sair!




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