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14/06/2011

O Poder da Justiça

Não tenho o hábito de ver muitos filmes ou séries de televisão. Esporadicamente lá consigo ver um filme do princípio ao fim. E por isso são poucos os que posso dizer que, de alguma forma, me marcaram.
Tenho alguns filmes de eleição, naturalmente, mas podem contar-se pelos dedos duma mão aqueles que, para mim, são referências.

Mais do que todos aqueles aspectos que "vendem" os filmes como os efeitos especiais, o estatuto dos actores ou os realizadores, presto mais atenção à estória. Para mim, é isso que define um bom de um mau filme. Curiosamente, algumas das minhas preferências cinematográficas resultam de adaptações conseguidas de alguns livros.
E este, com o título "The Rainmaker", não fugiu à regra. Não conhecia o filme nem o livro. Não sei se a adaptação, realizada por Francis Ford Coppola, está melhor ou pior que o livro, mas fiquei muito curioso. O livro foi escrito em 1995 por John Grisham - formado em direito com bastantes livros escritos sobre Justiça, sendo que outros dos seus trabalhos também serviram de base para filmes como o "The Firm" com Tom Cruise e Gene Hackman ou "Runaway Jury" com John Cusack.

A estória poder-se-ia resumir (e quantas vezes é que já vimos isto acontecer em filmes?!) num jovem advogado que, tendo acabado de conseguir o seu diploma, abraça uma causa enfrentando grandes grupos financeiros em tribunal e no fim consegue sair vencedor ao ponto de provocar a falência da empresa condenada.
Até aqui nada de novo. Mas os contornos desta estória são verdadeiramente perturbadores.
Provavelmente para um americano a história representa apenas mais uma situação idêntica a muitas outras, mas para um português, como eu, que nasceu num país que tinha já (e ainda vai tendo) um sistema de saúde e um sistema de protecção social não pode deixar se causar estranheza e até uma certa apreensão pelos tempos e transformações que estamos a viver em Portugal e na Europa.

Esta estória conta o caso de um jovem que, depois de lhe ser diagnosticada uma leucemia, vê recusada (sete vezes) pela empresa de seguros a autorização para a realização de um transplante de medula óssea. A empresa que supostamente deveria assegurar os pagamentos de cuidados de saúde aos seus clientes, por razões burocráticas e financeiras, recusa uma intervenção cirúrgica que poderia salvar a vida a um jovem. Os pormenores de gestão desta empresa privada são expostos em tribunal onde ficam claros os interesses exclusivamente financeiros da seguradora e o arrastar das situações até que os clientes desistam (ou morram). Sempre contando que estes nunca recorram à justiça como forma de reclamar aquilo a que têm direito (porque para isso até pagaram bem).

Não deixa de ser curiosa a argumentação de defesa que o advogado da empresa faz do seu constituinte perante o júri: «pensem que uma indemnização no valor de 10 milhões de dólares fará subir os prémios dos seguros e isso pode criar condições a que o Governo possa querer tomar conta da forma como nós asseguramos os nossos cuidados de saúde» (cito de memória)... Que ultraje o Estado assegurar e cuidar da saúde dos cidadãos! Este é o pensamento liberal mais extremo e é bem real como tivemos oportunidade de ver na recente discussão sobre as alterações do actual sistema de saúde americano (bem representado neste filme/livro).

Mas, claro está, o ultraje não está no facto do Estado assegurar qualquer tipo protecção social mas sim no facto de haver quem deixe de ganhar dinheiro com isso.

Esta é apenas uma estória e por isso poderíamos considera-la como mais um livro ou filme de ficção no meio dos milhares que se escrevem ou fazem todos os anos, mas não podemos ficar indiferentes quando esta estória de ficção é escrita por alguém que conhece bem os sistemas judicial e político norte americano.
Pergunto-me, será mesmo ficção? Nos Estados Unidos não é efectivamente ficção! É assim que funciona o acesso aos cuidados médicos naquele país. Quem paga um seguro tem acesso aos serviços de saúde. Quem não tem, ou tem um seguro que não cubra todas as situações vê-lhe negado o acesso ou este passa a ser-lhe limitado.
E esta é apenas uma estória que representa milhares de outras histórias.

O que será que o futuro nos reserva?... Para onde nos levam estas novas correntes liberais europeias?...
Perguntas que só o tempo dará resposta mas a julgar pelas "nuvens" que se avistam no horizonte, é quase certo que enfrentaremos algumas tempestades.



25/03/2010

Avatar II

Já está no prelo a sequela do Avatar.
Vem ai Avatar II.

Aqui fica o trailer.




...promete!

08/03/2010

And the Oscar goes to...

Ao 82º ano a Academia fez a seguinte distribuição de Oscars:

Best Motion Picture of the Year

The Hurt Locker

Best Performance by an Actor in a Leading Role
Jeff Bridges for Crazy Heart

Best Performance by an Actress in a Leading Role
Sandra Bullock for The Blind Side

Best Performance by an Actor in a Supporting Role
Christoph Waltz for Inglourious Basterds

Best Performance by an Actress in a Supporting Role
Mo'Nique for Precious: Based on the Novel Push by Sapphire

Best Achievement in Directing
Kathryn Bigelow for The Hurt Locker

Best Writing, Screenplay Written Directly for the Screen
The Hurt Locker: Mark Boal

Best Writing, Screenplay Based on Material Previously Produced or Published
Precious: Based on the Novel Push by Sapphire: Geoffrey Fletcher

Best Achievement in Cinematography
Avatar: Mauro Fiore

Best Achievement in Editing
The Hurt Locker: Bob Murawski, Chris Innis

Best Achievement in Art Direction
Avatar: Rick Carter, Robert Stromberg, Kim Sinclair

Best Achievement in Costume Design
The Young Victoria: Sandy Powell

Best Achievement in Makeup
Star Trek: Barney Burman, Mindy Hall, Joel Harlow

Best Achievement in Music Written for Motion Pictures, Original Score
Up: Michael Giacchino

Best Achievement in Music Written for Motion Pictures, Original Song
Crazy Heart: T-Bone Burnett, Ryan Bingham("The Weary Kind")

Best Achievement in Sound Mixing
The Hurt Locker: Paul N.J. Ottosson, Ray Beckett

Best Achievement in Sound Editing
The Hurt Locker: Paul N.J. Ottosson

Best Achievement in Visual Effects
Avatar: Joe Letteri, Stephen Rosenbaum, Richard Baneham, Andy Jones

Best Animated Feature Film of the Year
Up: Pete Docter

Best Foreign Language Film of the Year
El secreto de sus ojos (Argentina)

Best Documentary, Features
The Cove: Louie Psihoyos, Fisher Stevens

Best Documentary, Short Subjects
Music by Prudence: Roger Ross Williams, Elinor Burkett

Best Short Film, Animated
Logorama: Nicolas Schmerkin

Best Short Film, Live Action
The New Tenants: Joachim Back, Tivi Magnusson


fonte: IMDb


27/02/2010

Ed Ulbrich: How Benjamin Button got his face

Não vi o filme. Este pequeno vídeo (cerca de 18 minutos) fez despertar a curiosidade, pela tecnologia envolvida e pioneira.

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