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04/12/2014

São Bento às cambalhotas

Fonte: Google Maps
Este poderia ser mais um texto sobre política. Não o é... bem, na verdade, e bem vistas as coisas, acaba por ser! A chamada "politica local".
Poderia ser sobre as cambalhotas que se dão em "São Bento", nome alternativo quando se alude à Assembleia da República, ou às decisões que dela saem e que fazem com que nós, cidadãos (ou "cidadões" segundo o Presidente da República), andemos às cambalhotas. Mas não. É mesmo sobre a Rua de São Bento em Lisboa.

Rua de São Bento onde se torna difícil compreender a gestão urbana, rodoviária e de segurança e, por vezes, até mesmo diferenciar os animais racionais dos irracionais. Poder-se-ia pensar que a Rua de São Bento é uma rua nobre por, quase no seu fim (e a olharmos vista a partir do Largo do Rato), comporta um importante imóvel patrimonial nacional que assume a honrosa função de ser a "Casa da Democracia" e, talvez por isso, ser percorrida por largas dezenas (ou centenas) de turistas nacionais e estrangeiros diariamente, seja em autocarros panorâmicos, seja em táxis, nos "tuk-tuks" e similares, ou mesmo a pé. Quem conhece esta importante rua conhecerá, seguramente, este facto.
Um pormenor muito importante a reter nesta fase do texto é que, adjacente à parte nova da casa da Democracia existe um pequena esquadra de polícia... muito discreta, mas está lá.

Pois comecemos pela perspectiva do condutor. Atente-se que falamos de uma Rua e não de uma Avenida. Se só esta referência não chegasse, poderíamos dizer que esta é uma rua estreita para o actual volume de circulação rodoviária. Em certas zonas do troço, dois autocarros cruzam-se com imensa dificuldade... algumas vezes, um deles, por segurança (de quem?), acaba mesmo por ter que galgar o passeio. Mas se noutros troços da rua esta situação poderia ser evitada pelo simples facto da estrada alargar, tal não se verifica por causa de veículos (mal) estacionados na estrada, em zonas proibidas, em cima de passeios, passadeiras e, também já os vi, em segunda fila!... e onde o problema ocorre com maior incidência?... ironia do destino: em frente à dita esquadra de polícia!

Mas se da perspectiva de um condutor descer ou subir a Rua de São Bento não é uma tarefa fácil, na condição de peão a coisa não melhora. Ignoremos os carros estacionados em cima dos passeios que antes referi, nas paragens dos autocarros e mesmo em cima das passadeiras. Se são um problema para o peão comum, imaginem os obstáculos que constituem para pessoas com mobilidade reduzida ou dificultada (apenas como referência, este "espectáculo" tem continuação na Av. D. Carlos I, onde se situa a ACAPO!).
Caminhar nos passeios da Rua de São Bento são uma autêntica aventura. Isto é, o peão é obrigado a uma gincana para se desviar dos buracos na calçada, dos andaimes e taipais de obras (alguns de anos!) e de 'presentes' fecais deixados pelos animais (desta vez refiro-me aos cães... não aos outros animais que os deixam defecar no meio do passeio e optam por lá deixar ficar o resultado da necessidade fisiológica). Sobre estes últimos 'obstáculos' poderíamos julgar que, por razões óbvias, se concentrariam nas imediações do "Hospital Veterinário" da zona, mas infelizmente não. Estão espalhados por toda a rua. De cima a baixo! Mas se a situação já obriga a este ziguezague nos passeios, por si só já bastante estreitos, acrescente-se a tudo isto um comboio de caixotes do lixo ao longo da rua, daqueles que as pessoas guardam nas escadas!

Mas a obras constantes nos edifícios, se são boas para fazer mexer a economia, tornam-se um problema para os transeuntes, principalmente quando se prolongam demasiado no tempo. Muito perto de uma hospedaria que existe nesta rua, perto do Largo do Rato, a recuperação de um edifício que está a ser levada a cabo, depois de muito tempo com fitas de plástico vermelhas e brancas a vedar parte do passeio, ocupa agora todo o passeio e obriga, através de duas passadeiras provisórias (amarelas) o peão a atravessar a estrada para o outro lado. Até aqui, tudo bem! O problema é que o sinal vertical de indicação de passadeira, em ambas, só existe para os condutores que descem a rua. Os que seguem no sentido ascendente, não têm sinal vertical e, muitos vezes, ignoram as passadeiras (mal) pintadas. Mais em baixo, junto a um taipal com alguns anos e que apenas delimita a zona de uma estrutura de ferro que segura um edifício - taipal esse que não só ocupa o passeio como parte da estrada - também existem duas passadeiras. A primeira, no sentido de quem desce a rua, devidamente sinalizada em ambos os sentidos e de carácter definitivo (branca). A segunda, mais a baixo, apesar de um sinal vertical no sentido descendente (no sentido ascendente esse sinal não existe, como nas outras)... não existe!... O sinal está lá, a passadeira não! - Será a ausência de sinais num dos sentidos sinal dos tempos ("cortes na despesa") ou que os manda colocar ignora que a rua tem dois sentidos?

... E assim, lá se vai por São Bento às cambalhotas.

Infelizmente, este não é um 'retrato' exclusivo da Rua de São Bento. Este é o retrato da crescente falta de civismo, da falta de educação e, acima de tudo, da falta de respeito pelo outro. Seja na "utilização", seja na "gestão". Quando poderíamos julgar que a sociedade em que vivemos já se encontraria num estádio avançado de evolução, estas pequenas grandes coisas fazem-nos pôr os pés na terra e perceber que, afinal, o ser humano ainda está numa fase muito primária da sua inteligência!

30/09/2013

Autárquicas 2013

A primeira ideia que se deve ter presente quando se olham para os resultados saídos de eleições é a sua característica principal: se são eleições de primeira ordem ou eleições de segunda ordem.
Não devem confundir-se com eleições de "primeira categoria" ou eleições de "segunda categoria". É que a "ordem" é facilmente (e cientificamente) explicável enquanto que a "categoria" é subjectiva.
As eleições de primeira ordem são aquelas cujo resultado final terá um impacto directo nos eleitores e cidadãos, e.g. eleições legislativas, e as de segunda ordem aquelas cujo impacto é sentido de uma forma indirecta, e.g. eleições locais - não obstante ser o poder local aquele que mais próximo está das populações, ou deveria estar, é do poder central, nomeadamente da Assembleia da República e, em consequência, do Governo que saem as grandes decisões com impacto elevado na vida dos cidadãos.

É por esta diferença que as análises qualitativas são arriscadas e pouco fiáveis principalmente quando delas se pretendem retirar mensagens - sejam elas locais ou nacionais.

Mas, evitando aquilo que considero um erro que é olhar para os resultados dos sufrágios locais, as eleições autárquicas, e daí retirar conclusões directas para a esfera nacional, se olharmos os resultados das eleições autárquicas de 2009 e os das eleições autárquicas de 2013, há leituras claras que podem ser feitas, em todos os sentidos:

§ É claro o aumento do número de pessoas que se deram ao trabalho de ir a uma secção para anular o seu voto - 69.120 (1,25%) em 2009 e 144.906 (2,95%) em 2013 - ou para votar em branco - 94.983 (1,72%) em 2009 e 190.288 (3,87%) em 2013;

§ É clara a redução do número de votantes - em 2009 foram 5.533.824 (59,01% dos 9.377.343 inscritos) e 4.944.099 em 2013 (52,59 dos 9.401.518 inscritos);

§ O PS, o aparente grande vencedor em 2013, pois ganhou 150 Câmaras Municipais, muitas delas com maioria absoluta, precisa de analisar o porquê de, à data em que faltam apurar 22 freguesias, no global ter perdido um mandato para a Câmara Municipal (908 em 2009 e 907 em 2013), ter perdido 193 mandatos para as Assembleias Municipais (2819 em 2009 e 2626 em 2013 - note-se que estão por atribuir apenas 86 mandatos!) - de referir, nesta fase, a perda de 2910 mandatos de freguesia é prematuro dada a reforma administrativa que tratou de eliminar algumas Assembleias de Freguesias.

§ O PSD foi naturalmente um dos grandes derrotados - até na Região Autónoma da Madeira. De 2009 para 2013 perdeu em todas as linhas. Convém ao PSD uma análise cuidada principalmente sobre as escolhas dos candidatos e políticas. A associação com as políticas centrais não é totalmente clara pois é sobejamente conhecido que os eleitores, para as suas autarquias, votam nas pessoas e não nos partidos - excepto se os candidatos não conseguirem criar uma ligação com os eleitores;

§ O parágrafo anterior reveste-se de verdade, e é um ponto que as estruturas do PS devem considerar como um aviso e ponto de reflexão, a ver pela reeleição do candidato independente de Matosinhos, militante do PS e preterido pelo próprio partido em detrimento de outro militante sem enraizamento profundo na estrutura autárquica;

§ A coligação PCP/PEV subiu tanto em n.º de mandatos como em votos - sinal desta subida nos sufrágios foi, por exemplo, o resultado obtido em Loures, um grande centro urbano na região de Lisboa;

§ O concelho de Oeiras continua a reincidir em resultados eleitorais que contrariam a lógica de que os bons e correctos é que deveriam ser eleitos para governar o bem público.  

Outras análises e mensagens podem e devem ser retiradas, mas talvez aquela que poderá ter um maior significado acaba por ter origem nos resultados obtidos por Presidentes de Câmara em fim do 3.º mandato que entenderam candidatar-se a autarquias vizinhas (e.g. Loures, Lisboa, Sintra, Vila Nova de Gaia, etc.).

Uma mensagem para os partidos e para os próprios Presidentes "profissionais": numa altura em que a política é vista com grande desconfiança pelos cidadãos, se há coisa que se pode assumir é que os eleitores não toleram facilmente candidatos que pretendem perpetuar-se no poder, nem que para isso o tentem em concelhos com os quais não têm ligação!
... e não foi por falta de aviso, pois quando Avelino Ferreira Torres, por sua própria iniciativa em 2005, decidiu deixar a Câmara Municipal do Marco de Canaveses para se candidatar a Amarante, os eleitores deixaram isso bem claro, tanto em Amarante como depois, em 2009, de novo no Marco de Canaveses.

A bem da verdade, diga-se que o caso de Macário Correia em Faro, em 2009, cuja eleição não foi tão fácil assim, pode revelar que há regiões onde esta prática é melhor tolerada pelos cidadãos. Mas, tal como aqui já foi dito, as eleições autárquicas são locais e por isso têm características próprias e difíceis de serem colocadas em comparação com eleições ou estados de espírito nacionais. 



17/08/2010

Incêndios e memória curta

Todos os anos passamos pelo mesmo: incêndios às carradas!
Milhares e milhares de hectares queimados e, por isso, perdidos. Perdidos para muitos mas ganhos para alguns poucos.
Só este ano já se ultrapassou a barreira dos 50.000 hectares de vida queimada.

E todos os anos os meios são reforçados.
E todos os anos os contribuintes, por via do Estado, despendem milhares, ou milhões melhor dizendo, de euros para os combater os incêndios, renovação das áreas perdidas e compensações aos que perderam os seus bens no fogo.
E todos os anos há uma enorme percentagem de incêndios que começam com o sol abrasador da noite!
E todos os anos temos algumas (talvez poucas) dezenas de agentes da PJ envolvidos na investigação destes incêndios!
E todos os anos se prendem algumas dezenas de suspeitos!
E todos os anos se condenam poucos incendiários - que no ano a seguir estão novamente prontos e em forma para uma grande e produtiva "época de incêndios"!
E tudo se repete no ano seguinte...

Mas como disse Vasco Franco, Secretário de Estado para a Protecção Civil, há uns dias em entrevista na Antena 1, as pessoas "têm memória curta" e que nestas alturas a tendência é para esquecer o que está para trás e aumentar a dimensão dos acontecimentos recentes - evidência disso mesmo foi um recente artigo de opinião do Prof. Cardoso Rosas sobre as suas "Arrumações de Verão" onde diz ter encontrado um jornal de há 10 anos que dava a conhecer que «o país estava a arder».
Afinal, não estamos em pior situação do que em anos anteriores. A memória é que é fraca. Principalmente como começa o calor!

Dizem-nos repetidamente que os responsáveis por todas estas desgraças, de antigamente e de hoje, são, nem mais nem menos, os "proprietários" das terras que, impunemente, continuam a criar condições para que estes cenários se repitam. Os "proprietários" deveriam fazer a limpeza das matas e dos caminhos! E estes incêndios só atingem esta escala porque os "proprietários" não fazem o que deviam!
Mas o presidente da Autoridade Nacional Florestal, Amândio Torres, tocou num ponto muito importante e quase sempre esquecido: «para limpar é preciso dinheiro, sendo difícil transferir de magros orçamentos familiares».

Admitindo que a questão económica não estivesse na origem do problema da falta de limpeza das matas e florestas, ainda que generalizada, poder-se-ia considerar justa esta acusação; o problema é que quando se aponta o dedo aos "proprietários" acrescenta-se quase sempre a palavra "privados".
E os outros?
Será que não há mais proprietários além dos "privados"?
E os terrenos e áreas pertencentes ao Estado e aos Municípios estão todas limpas e isentas de risco?
Estas são as perguntas que, frequentemente, me assolam a mente quando se responsabilizam os "proprietários"...
Naturalmente que o não cumprimento de uns não é desculpa para o incumprimento dos outros... mas torna-se grave quando são os "outros" que acusam os "uns" por incumprimento!

No concelho que escolhi para viver, zona de muito agrado de D. João V, costumo dar umas voltas com o intuito de o explorar, não só na procura de caminhos alternativos como no de ficar a conhecer um pouco melhor a região.
Pois ontem ao regressar duma incursão a uma superfície comercial para abastecer um pouco a despensa, vinha numa dessas rotas alternativas a ouvir as notícias que davam conta do mapa de incêndios em Portugal e onde, uma vez mais, se falava na falta de limpeza das florestas. Os "proprietários"!
Anui com a cabeça e as perguntas voltaram a surgir na minha cabeça. Foi então que obtive uma resposta: Há terrenos municipais que não estão limpos! Também há municípios responsáveis por não limpar os terrenos! Afinal há mais para além dos "privados"!

Na estrada que percorria, que até me parece ter trânsito a mais para as condições que oferece (estreita e sinuosa), e onde, curiosamente, surgiu um foco de incêndio há bem pouco tempo, as bermas - desde o alcatrão até às vedações dos "proprietários privados" - encontram-se cheias de mato! Seguramente com mais de 1,20m de altura... contiguas a zonas extensas de eucaliptos!
Basta uma pequena brisa e uma ponta de cigarro criminosamente lançada pela janela dum carro e o problema está instalado!

Mas situações destas há, seguramente, mais no concelho onde vivo assim como noutros concelhos espalhados pelo país fora!!
Infelizmente é um cenário que se repete vezes sem conta!

Também por isto concordo com Vasco Franco: a memória é curta!
A memória é curta quando se acusam outros sem olhar ao facto de se estar a incorrer no mesmo desmazelo, no mesmo erro, no mesmo crime; a memória é curta quando os dirigentes municipais se esquecem que também eles são responsáveis pelo "combustível" que muitas vezes ajuda a propagar incêndios; a memória é curta na assumpção das responsabilidades; a memória é curta porque muitas destas intervenções essenciais só ocorrem de 4 em 4 anos...

27/07/2010

Em Alcobaça...


Diz a canção que "quem passa por Alcobaça não passa sem lá voltar", e eu voltei lá (muitos anos depois).
De lá, trago na memória duas situações que merecem destaque.

Visitei o Mosteiro de Alcobaça e, além dum estado de conservação bastante bom, verifiquei que este monumento, na grande maioria das suas áreas, está preparado para receber pessoas com mobilidade reduzida. Nas áreas térreas, divisões e claustros, existem rampas que permitem que pessoas que se movimentam em cadeiras de rodas possam visitar o monumento (infelizmente ainda são poucos os que já contam com estas infraestruturas).
Naturalmente que, pela arquitectura da época, em algumas zonas esta acessibilidade não é mesmo possível.

Mas se o IGESPAR, que é a instituição que tem a seu cargo a gestão e manutenção deste belo monumento, pensa nas pessoas com mobilidade reduzida, já a Câmara Municipal de Alcobaça as esquece ou ignora.

Muito perto do Mosteiro, existem várias zonas de parqueamento pago pensadas exclusivamente para os veículos e não para pessoas. Nada disto seria de estranhar não fosse a forma como foram optimizadas, seguramente a pensar na maximização do espaço e do lucro, em que para permitir a paragem nos dois lados da estrada - o dobro do espaço e o dobro do dinheiro cobrado - disponibilizam-se espaços de parque pago em cima dos passeios sem assegurar a existência de zonas de passagem de peões (com ou sem mobilidade reduzida)!!

Como é que situações destas são possíveis?
Sou levado a pensar que quem fez esta proposta e quem a autorizou foram pessoas pouco inteligentes, com certeza mais preocupadas com o seu umbigo do que com os munícipes e visitantes da cidade de Alcobaça!





Situações destas devem ser erradicadas e os seus autores chamados à responsabilidade!
(estas e aquelas cujo nome do autarca em funções é usado para dar nome às infraestruturas municipais... mas essa é uma outra história!)

06/07/2010

Revoltas do Norte.

Há umas semanas, Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto e da Junta Metropolitana do Porto, na sequência da decisão de se começar a cobrar a utilização de algumas SCUT, avisava todo o país naquele seu tom severo e zangado com o mundo que as pessoas do Norte estariam «à beira de se poderem revoltar».

No dia seguinte era Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto e comentador desportivo nas horas vagas, que reforçava a ideia de que estaria para breve um novo "5 de Outubro" ou uma nova "Revolução dos Cravos" (talvez, sugestão minha, podendo adoptar o nome de código "Revolução das Tripas"), dizendo que o "sentimento de revolta no norte vai acabar mal".

Pois bem, a revolta está na rua!! Na primeira grande manifestação visível, coordenada e organizada para demonstrar que nenhum dos Ruis estava enganado e que os avisos ao Governo e ao resto do País (e quiçá ao Mundo) eram para ser levados a sério, juntaram-se cerca de... 100 pessoas! (pena que não consiga encontrar o vídeo da reportagem feita pela RTP!!)
Parece-me que muitos dos revoltosos foram-se manifestar para a praia... mas nada disso terá sido surpresa para a Sra. Flora Silva, Presidente da Assembleia Municipal de Viana do Castelo, justificando a situação com o bom tempo que se fez sentir.

Enfim, prioridades...

09/04/2010

Money of the boys...

Há umas semanas a frase "money for the boys" suscitou alguma polémica na Assembleia da República por ter sido proferida pelo Ministro da Finanças, Teixeira do Santos, referindo-se aos autarcas.

Eu adapto a frase: "Money of the boys".
Porque é assm que são geridos os dinheiros públicos em algumas das autarquias, neste caso concreto, a de Mafra presidida pelo Sr. Ministro dos Santos, reeleito recentemente pela lista PSD:

«[...] o município escolheu a empresa municipal Pavimafra para efectuar trabalhos, “sem adoptar procedimentos pré-contratuais”, assim como “adjudicou diversas empreitadas por ajuste directo e sem submissão a visto do Tribunal de Contas”, violando em ambos os casos a lei da transparência, publicidade, igualdade, concorrência e imparcialidade. “Tais adjudicações e a despesa daí resultante são ilegais e susceptíveis de configurar eventual responsabilidade financeira sancionatória” [...].

O relatório refere também que, em 2006, “o município ultrapassou o limite legalmente estabelecido para os empréstimos de médio e longo prazo em 91 por cento, o que corresponde a um valor em excesso” de cerca de 2,8 milhões de euros.»

E não me parece que este endividamento de 91% não tenha sido convertido em ganhos nas areas sociais.

E este é apenas um de muitos!

O resto da notícia aqui.

16/03/2010

Não estás comigo...

Poder-se ia aplicar a máxima "não estás comigo, então estás contra mim"!
Mas fica aqui este momento de humor...

Segundo a Lusa, «Manuel Quintas, o antigo pároco da Areosa, Viana do Castelo, que apelou ao voto no PS nas últimas Autárquicas, viu o seu nome ser retirado da toponímia da freguesia, por decisão dos eleitos locais, maioritariamente do PSD.

No final de 2009, a Assembleia de Freguesia de Areosa decidiu acabar com o Largo Padre Manuel Correia Quintas, uma designação que vigorava há décadas, rebatizando-o de Largo da Liberdade.

A anterior placa toponímica, que estava colocada no Centro Paroquial, já foi retirada, tendo sido substituída pela nova, afixada no edifício da sede da Junta de Freguesia, situado mesmo em frente.»


Uma sugestão para uma próxima alteração dos estatutos do PSD:
- além da sanção que pode ir até à expulsão, no caso dos militantes, em virtude de se verificarem actos e manifestações contra as ideias do partido e seus líderes, se o meliante(!?) prevaricador, seja ele militante, pároco, personalidade histórica de relevo local ou nacional, e outros, tiver dado o seu nome a uma rua, praceta, avenida, largo ou beco, este será imediatamente retirado encontrando-se um nome condizente com o espírito da norma: rua, praceta, avenida, largo ou beco da
LIBERDADE.

... interessante paradoxo.

«Há coisas fantásticas não há?!»


31/12/2009

Cheias no Peso da Régua... ou nem por isso.

Esta não podia deixar passar em claro...

Em 2006 o blog "
Eu Jornalista" dava conta dos estragos que as cheias haviam deixado no Peso da Régua. Em 2008 era o blog de Fernando Peneiras, "Peso da Régua em fotografia", que mostrava fotos das cheias na Régua.
Agora o Sr. Presidente da Câmara Municipal do Peso da Régua, Nuno Gonçalves, e mais alguns empresários estão indignados (e a comunicação social esfrega as mãos com mais esta parvoíce) porque o Centro de Previsão de Cheias do Douro falhou a previsão de cheias para a noite de 29 para 30 de Dezembro!

Em primeiro lugar, deveria este autarca, até porque é ele que está a dar a cara, perceber a definição de "previsão" (e se calhar até percebe, mas admiti-lo pode significar menos popularidade).
Uma "previsão", para quem não sabe, e sem entrar na área da etimologia, é sinónimo de conjectura que, por sua vez, significa, e qual quer bom dicionário de português o comprovará, nada mais que uma opinião de fundamento incerto!


Deveria este autarca e os "empresários" que se queixam de terem sido enganados, tendo por isso prejuízos, darem-se por muito contentes por se ter tratado apenas duma "previsão" (não concretizada, felizmente) em vez duma "certeza"!
Já ficou provado que o prejuízo causado por uma cheia é bastante superior ao dum "falso alarme".
Ainda assim, parece haver explicação para que as cheias não se tenham verificado.

Mas, imagino eu, em busca de subsídios ou compensações (os tugas são exímios nisso) há que, seja por que razão, declarar a existência de prejuízos.


O que seriam os seus comentários e os prejuízos materiais (já para não falar da comunicação social, sequiosa de polémicas) se não tivesse sido dado o alerta com base numa "previsão" e a subida do Douro se tivesse verificado efectivamente?!

Já sabíamos que na desgraça dos outros há sempre alguém que tenta retirar proveito... agora vemos que se tenta tirar proveito (seja lá qual for) mesmo quando essas desgraças não ocorrem.
Não deixa de ser grave um Presidente de Câmara manifestar dúvidas em relação à credibilidade de organismos como o Centro de Previsão de Cheias do Douro ou a Protecção Civil!

... mas tudo serve para aparecer uns minutos na TV!


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