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21/01/2014

Um referendo à estupidez

Sobre a proposta dos deputados do PSD para a realização de um referendo, publicada em Diário da República do dia 20 de Janeiro, já muito se falou e escreveu. Já se falou e escreveu sobre o facto de poder ser inconstitucional por desrespeitar a lei orgânica regime do referendo - na forma e no conteúdo - e sobre as motivações: o facto de se tratar uma manobra politiqueira de parar um processo legislativo (por birra ou razão ideológica) ou de ser resultado de enorme incompetência (de todo um grupo parlamentar ou de um grupo de pirralhos que levou pela certa as velhas raposas).
Qualquer uma das duas teorias para os motivos que levaram à proposta e à sua aprovação pode assentar que nem uma luva neste processo. Na verdade, será mais verosímil que sejam as duas simultaneamente.

Numa altura em que tanto se fala na possibilidade de se vir a verificar uma diminuição na qualidade e quantidade da investigação cientifica feita em Portugal, aqui estou eu para mostrar que com este texto em nada estou a contribuir para contrariar esse vaticínio. Mas, ainda assim, permitam-me a ousadia de usar o (nenhum) rigor científico para testar a hipótese de uma terceira motivação para a proposta de um referendo sobre esta matéria: a estupidez.
A estupidez do acto da proposta e a estupidez do acto da aprovação.
Poder-se-ia dizer, e só para dar um ar de que talvez até possa perceber o que estou a dizer (e fiquemo-nos só pelo "dar um ar"), num teste estatístico feito com todo o rigor (coisa que este não é, nem estatístico nem com rigor) esta minha hipótese seria a h1 (hipótese alternativa) e as anteriores a h0 (hipótese nula).

Tomando o modelo teórico adiantado por Carlo Cipolla, com base na acção e na relação perda/ganho, pressupõe-se a existência de quatro tipos de pessoas: os Inteligentes, os Crédulos (ou ingénuos), os Bandidos e, por fim, os Estúpidos.

A tipificação dos indivíduos, como referi antes, decorre de uma relação entre aquilo que estes perdem e ganham decorrente das suas próprias acções. Esta relação pode perfeitamente ser representada graficamente através do Sistema de Coordenadas Cartesianas (ou Plano Cartesiano) - lá estou eu a dar, novamente, o ar de quem percebe da coisa - conforme mostra a figura:


Consideramos, por isso, X como o individuo que promove a acção e Y aquele que sofre uma consequência dessa acção, I como o (1º) quadrante dos Inteligentes, H como o (2º) quadrante dos Crédulos, S como o (3º) quadrante dos Estúpidos e, finalmente, B como o (4º) quadrante dos Bandidos.

Podemos ver, assim, que uma acção promovida por X da qual ele obtenha um ganho (+) e que também ela proporcione algo de positivo (+) a Y, esta enquadra-se no 1º quadrante (I) e por isso depreendemos que X agiu de forma inteligente procurando o bem de ambos.

Se, por alguma razão, uma acção de X resulte para si numa perda (-) e para Y um ganho (+), o ponto cartesiano, isto é, o posicionamento do individuo encontrar-se-á no 2º quadrante (H) respeitante aos Crédulos ou Ingénuos e que, dependendo do tipo de acção, também poderão ser tipificados como honestos.

Mas se uma acção de X que tenha para a si um ganho (+) e para Y uma perda (-), encontraremos o individuo no 4º quadrante (B), o dos Bandidos. Pressupõe-se, aqui, uma acção intencional para prejudicar Y ou para obter um ganho exclusivamente seu sem qualquer preocupação com terceiros.

Finalmente, se atendermos que a acção de X resultou numa perda (-) para si próprio sem que Y tivesse um ganho, isto é, que para Y também resultasse uma perda (-) então depreendemos, pela sua acção, que o individuo agiu de forma estúpida e perfeitamente enquadrado no 3º quadrante (S) do Plano.

Apresentadas as possibilidades resultantes da acção, resta-nos testar a hipótese enquadrando, para isso, a acção dos deputados do PSD no que respeita à proposta e aprovação da realização de um referendo sobre co-adopção por um cônjuge do mesmo sexo e adopção de crianças por "casais" do mesmo sexo.

Tomando em consideração que a acção dos deputados do PSD (aqui, o X), ao proporem um referendo, fez com que ficassem conotados como batoteiros ou como gente capaz de fazer golpadas políticas e, dessa forma, ter resultado num prejuízo para a imagem da Assembleia da República e dos próprios deputados, constatamos que há uma notória perda (-).
Se considerarmos também que a aprovação posterior desse referendo provocou outra perda (-) no que respeita à sua própria imagem e credibilidade como deputados, da democracia representativa ou mesmo no estatuto que dispunham, então é seguro dizer que o ponto cartesiano de X se poderá encontrar no 2º ou  então no 3º quadrante.

Mas para aferir o enquadramento correcto de X, então teremos que olhar a consequência da sua acção em Y.

Se entendermos Y como as crianças e famílias que, com a proposta e aprovação de um referendo despropositado (e note-se, mais uma vez, o rigor cientifico do "despropositado"!), continuarão sem ver concretizados alguns dos seus direitos fundamentais, constataremos que também estes, em resultado da acção de X, sofreram uma perda (-). Assim, constatamos que -X com -Y coloca o ponto cartesiano no 3º quadrante conotando X - deputados do PSD que propuseram e aprovaram um referendo parvo (de novo o rigor cientifico na assumpção de "parvo") - na posição que, segundo a teoria de Carlo Cipolla, pertence àqueles que agem de forma estúpida.

Poderá o leitor atento, ou aquele que se deu ao trabalho de ler este texto até aqui (nem que seja só para me chamar algum nome feio), argumentar que este trabalho, na constatação a que agora chega, apresenta uma fragilidade científica - se o fizer, nesta fase, deixa-me bastante surpreendido o que, simultaneamente, me satisfaz: ou não prestou a devida atenção ao processo de análise ou a teorização, aparentemente, sustenta-se numa argumentação credível.
Mas, e voltando ao tema, poderá o leitor argumentar que a hipótese que aqui foi levantada pode não se comprovar uma vez que o posicionamento de Y poderá ser 0 (zero) o que faz com que o ponto de X acabe por não estar colocado no 3º quadrante.
Pois, prezado leitor, a utilização dessa argumentação é desmontada de imediato se se recordar que existia em curso, e votada favoravelmente, uma proposta de legislação que permitiria a co-adopção por um cônjuge do mesmo sexo. Assim, o posicionamento de Y nunca poderá ser 0 (zero) mas sim de valor negativo (-) uma vez que, pela acção de X, houve para Y um retrocesso, uma perda.

Infelizmente, não tendo este trabalho o objectivo de aferir o grau ou o nível de estupidez que a acção em estudo confere, poderemos concluir que, pelo menos, se podem assumir como verdadeiras a Primeira Lei Fundamental da Estupidez Humana (pela surpresa que a acção provocou) e a Terceira Lei Fundamental da Estupidez Humana (pelo resultado da própria acção), a saber:

1ª - Cada um de nós subestima, sempre e inevitavelmente, o número de indivíduos estúpidos em circulação;
3ª - Uma pessoa estúpida é aquela que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer um prejuízo.

15/01/2014

Livro: As Leis Fundamentais da Estupidez Humana

Alguns minutos são suficientes para ler um pequeno ensaio, bem divertido, de Carlo M. Cipolla intitulado "As Leis Fundamentais da Estupidez Humana". Este ensaio foi editado, em português, em dois formatos: um isoladamente (numa edição promovida por uma empresa de gás - capa na imagem) e num livro chamado "Allegro ma non troppo" que junta outro ensaio intitulado "O papel das especiarias (e em particular da pimenta) no desenvolvimento económico da Idade Média".

Sinto-me tentado em dizer que talvez este tenha sido o melhor ensaio que li até hoje - perdoem-me os grandes filósofos. Pela sua simplicidade, clareza de discurso e pela exposição do raciocínio que, aliado a um grande dose de sentido de humor, cria todas as condições para se conseguir facilmente colar a teoria nele expressa com a realidade de facto.
Um curto texto que consegue, de forma muito simples, contribuir para um melhor entendimento do que é a vida em sociedade. É-me, hoje, muito mais fácil (e divertido) a caracterização com um enquadramento gráfico de certas "personagens" da praça pública ou até da minha esfera social.

Neste ensaio o autor brinda-nos com 5 leis fundamentais (e fundamentadas) sobre a estupidez (de uma verdade quase absoluta, acrescento eu), a saber:

 1ª - Cada um de nós subestima, sempre e inevitavelmente, o número de indivíduos estúpidos em circulação
2ª - A probabilidade de uma certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica desta mesma pessoa
3ª - Uma pessoa estúpida é aquela que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para si, ou podendo até vir a sofrer uma prejuízo
4ª - As pessoas não estúpidas desvalorizam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas. Em particular, os não estúpidos esquecem-se constantemente que, em qualquer momento, lugar e situação, tratar e/ou associar-se com indivíduos estúpidos revela-se infalivelmente um erro que se paga muito caro
5ª - A pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigoso que existe (O estúpido é mais perigoso do que o bandido).

Este é um daqueles textos que todos deveriam ler, mas não resisto a transcrever um parágrafo interessante (entre muitos outros) sobre a relação da estupidez e o poder (sobre o «fluxo constante de pessoas estúpidas para posições de poder»):

«Num sistema democrático, as eleições gerais são um instrumento de grande eficácia para assegurar a estabilidade da fracção E[1] entre os poderosos. Recorde-se que, com base na Segunda Lei, existe uma fracção de E de votantes que são estúpidos e as eleições oferecem-lhes uma magnífica ocasião para prejudicar todos os outros sem obter qualquer ganho com as suas acções. Realizando esse objectivo, através das eleições contribuem para a manutenção do nível E de estúpidos entre as pessoas que se encontram no poder.»


[1] - Quota de pessoas estúpidas de uma população.

NOTA: para um correcto entendimento e enquadramento das Leis Fundamentais propostas pelo autor ou mesmo de alguns conceitos, como o de «estúpido» ou «bandido», deve ser lido o ensaio na integra (para além das edições impressas, há disponível na Internet em versões inglesas e português do Brasil)




Sinopse (do livro "Allegro ma non troppo"):

Por que razão um estúpido é mais perigoso que um bandido? Qual é a relação histórica entre o consumo da pimenta, o desenvolvimento da metalurgia e a difusão do nome Smith? Estas e outras intrigantes perguntas encontram resposta nos dois divertidos ensaios que compõem este livro, uma pirueta anárquica de fino humor; o primeiro ensaio é uma paródia hilariante da história económica e social da idade Média, com o Império Romano à mistura; o segundo, uma deliciosa brincadeira, em jeito de teoria geral da estupidez humana. Duas pequenas obras-primas de jocosa extravagância intelectual, que nos propõem uma pausa de irreprimível comicidade e humorismo.
Esta obra destina-se a todos os leitores sem excepção, em especial aos interessados pelas peripécias da História e aos amantes da escrita irónica e perspicaz.

17/10/2013

Histórias de rua 2


Conversa fina


...uma manhã passada na oficina... enquanto esperava que o carro ficasse pronto, dois outros clientes à espera conversavam sobre a porcaria que os cães do vizinho de um deles fazia no seu terreno... eu lia, ou tentava ler, um livro mas a minha concentração era constantemente interrompida: "aqueles filhos da p%&$", "cães do car#$£§", "fod&%-me o terreno todo"... e ali estava todo o vernáculo em poucos minutos!!... e eis quando sou surpreendido pela forma como terminou a conversa: "e depois lá anda a empregada a apanhar cócó"...

Sim, cócó, porque dizer "merda" é coisa de gente mal educada!

28/06/2010

Má notícia para a ficção nacional


A ficção nacional, que depende cada vez mais das estações de televisão para continuar viva face à importação de séries, novelas e filmes, têm hoje mais um revés.

O meio de ficção que sempre apostou na devassa e exposição das vidas pessoais, roçando a zona de "reality shows", e na intriga disfarçada de jornalismo, tem hoje a sua última edição: o jornal 24horas.

A ficção nacional fica, (só) a partir de amanhã, mais pobre. E o Jornal SOL ganha mais leitores... Resta-nos ainda "o Diabo"...

Aproveite-se, desde já, para instaurar uma Comissão de Inquérito na Assembleia da República para averiguar qual a implicação do Governo... qual Governo qual quê... aproveite-se, desde já, para instaurar uma Comissão de Inquérito na Assembleia da República para averiguar qual o papel de José Sócrates no encerramento deste pseudo-jornal, deste pasquim que tanto nos entreteve.

Sem qualquer ponta de ironia ou escárnio, desejo sinceramente toda a sorte aos jornalistas (aos verdadeiros jornalistas, porque certamente havia por lá) que trabalharam neste caderno de entretenimento, esperando que em futuras publicações jornalísticas encontrem linhas editoriais sérias que correspondam à essência do que é o Jornalismo.

28/05/2010

Google Chrome - testes de velocidade

Eis alguns testes à velocidade do browser de Internet da Google, o Google Chrome:

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Derrube do poder político

Tudo serve para derrubar o poder político: calunia, escárnio, comissões de inquérito, golpes de Estado, atentados à bomba, atentados à coroa de flores...

Pois se não acreditam, ora aqui está a prova como o Presidente da Ucrânia foi vil e barbaramente atacado por uma terrorista coroa de flores. Bastou desviar os olhos por segundos...

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Será que haverá algum partido político ou organização em Portugal aproveite a ideia?


15/04/2010

Nunca chegue atrasado

O humor também faz parte da vida.

O velho padre foi homenageado pelos pelos seus 25 anos de trabalho ininterrupto à frente da Paróquia.
O presidente da câmara da região e membro da comunidade, convidado para entregar o presente e proferir um pequeno discurso durante o jantar, atrasou-se.

O sacerdote decidiu proferir umas palavras e disse:


- A primeira impressão que tive da paróquia decorreu da primeira confissão que ouvi. A primeira pessoa que se confessou disse-me que tinha roubado um aparelho de radio, dinheiro aos seus pais, a firma onde trabalhava e tivera aventuras amorosas com a esposa do patrão. Dedicara-se ainda ao tráfico de drogas e até tinha transmitido uma doença à própria irmã.
Fiquei assustadíssimo... Pensei que o bispo me tinha enviado para um lugar terrível. Mas fui confessando mais gente, que em nada se parecia com aquele homem... Constatei a realidade de uma Paróquia cheia de gente responsável,com valores, comprometida com a sua fé.
Vivi aqui os 25 anos mais maravilhosos do meu Sacerdócio.

Nesse momento, chegou o político e o padre passou-lhe então a palavra.

O autarca, depois de pedir desculpas pelo atraso, disse:

- Nunca vou esquecer o dia em que o sr. padre chegou à nossa Paróquia. Como poderia? Tive a honra de ser o primeiro a confessar-me!


Moral da história: NUNCA CHEGUE ATRASADO!


01/04/2010

Imprensa Falsa

Esta está bem pensada...

«Os problemas entre Jaime Gama e José Lello subiram de tom. No início da semana, o deputado socialista bateu com a tampa do computador depois do presidente da Assembleia permitir a presença de repórteres nas galerias, o que possibilita a captação de imagens dos ecrãs dos computadores dos deputados.

Lello fechou a tampa do computador bruscamente, num gesto em que foi seguido por muitos outros deputados socialistas. Um deles entalou os dedos e terá dito “foda-se, pá”, o que levou o presidente da Assembleia da República a repetir, uma vez mais, que a forma de se dirigirem ao plenário é “senhor presidente, senhoras e senhores deputados”.

Mas a crispação entre a mesa da Assembleia e a bancada socialista é cada vez mais visível. Ontem, o deputado José Lello engoliu uma tesoura em protesto contra Jaime Gama, que proibiu recortes e colagens no hemiciclo.

Muitos outros deputados engoliram tubos de cola, guaches e lápis de cor. Uma deputada tentou mesmo engolir um bloco de papel cavalinho, tendo sido salva por Pacheco Pereira, a quem uma vez aconteceu o mesmo, embora neste caso ninguém saiba porquê.

Os deputados tinham levado este material para se entreterem, visto que estavam sem usar o computador. A proibição de Jaime Gama foi por isso muito sentida na bancada socialista, que permanecia amuada até há pouco, quando o Imprensa Falsa tentou contactar através de um bilhete por baixo da porta.»



Esta e outras mais podem encontrar aqui.

25/03/2010

Avatar II

Já está no prelo a sequela do Avatar.
Vem ai Avatar II.

Aqui fica o trailer.




...promete!

16/03/2010

Não estás comigo...

Poder-se ia aplicar a máxima "não estás comigo, então estás contra mim"!
Mas fica aqui este momento de humor...

Segundo a Lusa, «Manuel Quintas, o antigo pároco da Areosa, Viana do Castelo, que apelou ao voto no PS nas últimas Autárquicas, viu o seu nome ser retirado da toponímia da freguesia, por decisão dos eleitos locais, maioritariamente do PSD.

No final de 2009, a Assembleia de Freguesia de Areosa decidiu acabar com o Largo Padre Manuel Correia Quintas, uma designação que vigorava há décadas, rebatizando-o de Largo da Liberdade.

A anterior placa toponímica, que estava colocada no Centro Paroquial, já foi retirada, tendo sido substituída pela nova, afixada no edifício da sede da Junta de Freguesia, situado mesmo em frente.»


Uma sugestão para uma próxima alteração dos estatutos do PSD:
- além da sanção que pode ir até à expulsão, no caso dos militantes, em virtude de se verificarem actos e manifestações contra as ideias do partido e seus líderes, se o meliante(!?) prevaricador, seja ele militante, pároco, personalidade histórica de relevo local ou nacional, e outros, tiver dado o seu nome a uma rua, praceta, avenida, largo ou beco, este será imediatamente retirado encontrando-se um nome condizente com o espírito da norma: rua, praceta, avenida, largo ou beco da
LIBERDADE.

... interessante paradoxo.

«Há coisas fantásticas não há?!»


26/02/2010

Homenagem a Bocage

Soneto do Pau Decifrado


É pau, e rei dos paus, não marmeleiro,

Bem que duas gamboas lhe lobrigo;
Dá leite, sem ser árvore de figo,
Da glande o fruto tem, sem ser sobreiro:

Verga, e não quebra, como zambujeiro;
Oco, qual sabugueiro tem o umbigo;
Brando às vezes, qual vime, está consigo;
Outras vezes mais rijo que um pinheiro:

À roda da raiz produz carqueja:
Todo o resto do tronco é calvo e nu;
Nem cedro, nem pau-santo mais negreja!

Para carualho ser falta-lhe um U;
Adivinhem agora que pau seja,
E quem adivinhar meta-o no cu.


20/02/2010

Conjugação verbal ou acordo ortográfico?

O nosso PR ganhou o hábito de surpreender a malta.
Ora é o mastigar dum "bolo-rei", ora é um discurso que o povo não compreende (e ainda falavam do Sampaio).

Agora saiu-se com uma nova conjugação do verbo "fazer":
«Há uma coisa que um Presidente da República nunca pode fazer que é de comentar em público a vida dos partidos políticos. Nunca o fiz, não faço, nem FAÇAREI. [...]»

A TSF tem o registo fonográfico aqui.

Lapso ou será que isto também já faz parte do novo acordo ortográfico?!

Haja ainda alguém na política que nos faça rir de vez em quando.

"Xôr" Presidente, descanse, todos nós de vez em quando, pelo menos uma vez na vida, assassinamos a língua portuguesa.

08/02/2010

O caso das escutas e o plano secreto!


Jornal Sol, TVI, Correio da Manhã, Felícia Cabrita, Moura Guedes e até Paulo Rangel, o pequeno capacho, andaram todos a alar em torno do tal plano do Governo e de José Sócrates para se apoderar dos órgãos de Comunicação Social mas nenhum deles conseguiu revelar os contornos desse desígnio.
Até ao Parlamento Europeu o pequeno Rangel (e não me refiro à estrutura física) levou hoje este malévolo plano mas sem conseguir apresentar o quando, o porquê ou o como - isto vindo dum eurodeputado eleito por um partido cujo líder, há muito pouco tempo, defendia que os orgãos de comunicação deviam ter alguém que controlasse as notícias que publicavam (curiosa ironia!?).

Pois bem, em primeira mão, digo: Yes I Can!... isto é, eu consigo ir mais além do que todos eles e estou em condições para revelar qual é o verdadeiro objectivo e como pensava o Governo conquistar o controlo sobre a Comunicação Social portuguesa (CSp)!... e verifico que tem mais tentáculos que um polvo... Berlusconi ao lado disto não passa de um aprendiz!

Aqui vai a primeira bomba: aquilo que os órgãos de comunicação, já sob a alçada deste Governo ditatorial, ainda que duma forma ténue, anunciam como a descoberta duma alegada base da ETA em Portugal não é verdade!
Aquilo que a GNR descobriu em Óbidos fazia parte duma base logística, isso sim, para tomar conta da CSp. A ramificação do Governo português vai ao ponto de pressionar o Governo espanhol para corroborar a versão de que aquilo fazia parte duma base etarra.
Esta influência estava bem congeminada não fosse, e foi aí que eu vi o alcance da coisa, a discrepância entre a carga explosiva anunciada pelo lado português (500Kg) e pelo lado espanhol (1.500Kg)... uma ligeira diferença de 1 tonelada revelou esta cumplicidade.
Mas não fica por aqui!

O desmantelar desta plataforma vem prejudicar e atrasar bastante a intenção do Governo, aliás, de José Sócrates, de extinguir todas as forças militares e policiais substituindo-as pela "Policia do Pensamento".

Depois de colocar no terreno esta Policia do Pensamento a controlar tudo e todos, e estou em crer que isto já estará um estádio avançado, senão vejam as declarações de alguns dirigentes sindicais, todos os Ministérios seriam extintos.
No seu lugar surgiriam novas organizações que manteriam a designação Ministério apenas para enganar os otários da UE - esses tipos que andam sempre a dormir e nem nunca perceberiam nada se não fosse o pequenino Rangel (começou por "pequeno", já vai em "pequenino", vamos ver onde pára...).

Assim passariam a existir o Ministério da Verdade (nome de código: Minivero), o Ministério da Paz (nome de código: Minipax), o Ministério da Riqueza (nome de código: Minirico) e finalmente o Ministério do Amor (nome de código: Minamor).
Ao primeiro caberia o controlo das notícias e divertimento (encabeçado por Pedro Silva Pereira); ao segundo a guerra (encabeçado pelo Prof. Augusto Santos Silva); o terceiro lidaria com finanças e economia (e aqui não sei que o lideraria, se o Prof. Teixeira dos Santos ou Vieira da Silva); finalmente, ao último caberia a responsabilidade da ordem e da lei (mais uma vez não me foi possível descortinar que tomaria conta desta organização)!

O culminar desta tomada de poder seria a mudança de designação de Primeiro-Ministro para Grande Irmão, do hino nacional e o lema de Portugal passaria a ser:

Guerra é Paz,
Liberdade é Escravidão,
Ignorância é Força.

Tudo isto só seria possível com a ajuda cirúrgica de duas medidas muito importantes e já em curso:
1ª - obrigatoriedade dos jovens permanecerem nas escolas até ao 12º ano;

2ª - a distribuição em massa de pequenos Magalhães e portáteis dos programas e-escola.

Estas medidas não seriam nada mais do que métodos de, de forma disseminada e inconsciente, introduzir mensagens nos cérebros dos jovens criando neles pequenos delatores de Guedrespo's, isto é, denunciando todos aqueles que são contra o Governo.

Porque este é o tão falado e ao mesmo tempo tão desconhecido plano do Governo e de José Sócrates para controlar a CSp, vos digo:
«Ao futuro e ao passado, a um tempo em que o pensamento seja livre, em que os homens sejam diferentes uns dos outros, e não vivam sozinhos - a um tempo em que a verdade exista e o que for feito não possa ser desfeito: Da era da uniformidade, da era da solidão, da era do Grande Irmão, da era do duplopensar - eu vos saúdo!»

Felizmente, temos políticos e empresas privadas que, de forma completamente desinteressada e imparcial, denunciam tamanhos atentados contra o Estado de Direito!
Um bem-haja!


Os mais atentos encontrarão neste relato semelhanças com a obra «mil novecentos e oitenta e quatro» de George Orwell, mas isso é pura... verdade!
Por muito que tente, não consigo desenvolver um nível de imagiação semelhante ao de alguma pseudo-imprensa e políticos da nossa praça.
Por isso tive que me "encostar" ao trabalho fantástico de Orwell para criar este pequeno texto de ficção (não devo andar muito longe do que fazem alguns pseudo-jornalistas).


Mas lá mais para a frente, talvez me consiga debruçar sobre este divertido tema de forma mais séria.


27/12/2009

Livro: 90 Livros Clássicos para Pessoas com Pressa


Naqueles 30 a 45 minutos que diariamente reservo em exclusivo para a leitura "li" 90 livros!
Não fiz nenhuma proeza digna de registo no livro de recordes do Guiness. É apenas resultado duma das características do livro que consegue, em muito poucas palavras e em BD, resumir 90 livros clássicos.
O livro de Henrik Lange chama-se "90 Livros Clássicos Para Pessoas com Pressa" e é editado em Portugal pela Editorial Presença.

Vemos obras de autores como Homero, Victor Hugo, Paul Auster, Bram Stoker, Patrick Suskind, Stephen King, John le Carré, Alexandre Dumas, Jean-Paul Satre, Umberto Eco, Kafka ou Hemingway divertidamente resumidas.
É deliciosa a forma como este autor consegue descrever alguns dos grandes clássicos da literatura, e.g. «Romeu e Julieta» (um dos meus favoritos) de Shakespeare:
«Romeu e Julieta são amantes infelizes de famílias rivais. Ele até lhe faz serenatas debaixo da varanda. Romeu é um artista. A situação complica-se ainda mais. Romeu é banido por ter assassinado o primo de Julieta e ela finge que se mata. Isto resulta, porque Romeu julga que Julieta morreu realmente e mata-se. Ela acorda, vê-o morto e mata-se. Uma exemplar comédia de horrores.»

Nem mesmo a Biblia é esquecida...

Um livro de humor, para mim, muito bem conseguido. Parece que este autor, oriundo do mundo da BD, já terá na calha outro livro do mesmo género (agora sobre filmes).

Recomendo...


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