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23/06/2011

Livro: A Ciência em Portugal

"A Ciência em Portugal" de Carlos Fiolhais é uma visão sobre o estado da Ciência, antecedido duma abordagem histórica.
São-nos dados a conhecer não só alguns pontos negativos do actual estado da Ciência em Portugal como alguns sucessos e metas alcançadas. São também apresentadas algumas ideias para o futuro das ciências exactas no nosso país.

Discordo de alguns (poucos) pontos de falha apontados pelo autor e tenho pena que o trabalho não tenha tido a oportunidade de ter sido enriquecido pelo último relatório PISA (pág. 60, "Aguardam-se resultados do PISA 2009") - talvez tivesse alguma influência na análise do autor.
Concordo plenamente com a ideia dum visível e sistemático afastamento entre a ciência e a escola (a esta distância consigo ter uma maior percepção disso quando faço uma retrospectiva dos meus tempos de estudante). Ultrapassando esta barreira talvez seja possível a aproximação dos alunos (como defende o autor, desde o pré-escolar) às ciências exactas. Tenho sérias reservas quanto à ideia de tornar, também, a comunicação social como um canal de aproximação das pessoas e da ciência e tecnologia - infelizmente, são temas que não estão na ordem do dia destes grupos (económicos) pela sua fraca rentabilização.
Efectivamente, é um trabalho de leitura recomendada.


Sinopse:

Neste ensaio passa-se em revista o estado da ciência em Portugal, nas suas múltiplas facetas: história, organização, produtividade, ligação à economia, ensino e divulgação das ciências. Usando vários gráficos e tabelas, mostra-se o grande progresso alcançado nas últimas décadas, sem esquecer de apontar o muito que falta fazer para que, na área decisiva da ciência e da tecnologia, Portugal seja um país mais competitivo à escala internacional.

Uma edição FFMS e Relógio d'Água.

16/07/2009

Uma opinião

«Eu não quero dar conselhos a ninguém, mas... vou só dar uma opinião. Nesta altura, acho eu, fazer coligações, é uma prova de fraqueza.»
A frase não é minha. É de Pedro Santana Lopes no programa de "Grande Entrevista" referindo-se às coligações anunciadas por outro candidato à Câmara Municipal de Lisboa, António Costa (e que hoje anunciou ainda um outro acordo).

Curiosamente estas declarações foram proferidas no dia 14 de Julho, exactamente um dia antes da
assinatura do acordo, já anunciado em 1 de Julho (reconheça-se essa justiça), entre PSD e CDS-PP, e dois dias depois do acordo que apelida de «prova de fraqueza».
Uma cronologia interessante...

Outra notícia curiosa é a forma como foi viabilizado um plano de urbanização numa zona da cidade de Lisboa. Parece que a força política com a maioria na Assembleia Municipal, PSD, absteve-se «por engano» numa matéria que pretendia rejeitar.
Há mérito no reconhecimento da "asneira" mas pode-se perguntar: afinal o que andam estes senhores a fazer nos orgãos de decisão?

Frequentemente se coloca a questão da credibilidade da classe política. E entrando neste tema recomendo o aprofundamento feito por autores como Max Weber, Vilfredo Pareto, Gaetano Mosca e Wright Mills. Surpreendentemente, ou talvez não, apresentaram teorias sobre classes e elítes que mantêm uma actualidade impressionante.
A necessidade de recuperar essa credibilidade é urgente. As pessoas necessitam de voltar a acreditar nessa classe.
Mas só poderão voltar a acreditar nos políticos "profissionais" se para isso eles contribuírem seriamente.

Como constatou François-Henri de Virieu na sua obra "La Mediacratie", «a argumentação cedendo o lugar à sedução, a vida política actual parece mais favorável aos profissionais da comunicação do que aos profissionais da convicção»... isto em 1990.
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