06/02/2010

Arte Contemporânea ou a Moda do Lixo

Se há uma coisa difícil de definir é "arte". Afinal, o que é "arte"?

Há uns anos, e depois da febre para visitar a exposição de arte contemporânea da colecção Berardo, decidi ir ao CCB para ver o que afinal levava as pessoas a fazerem fila para ver este tipo de arte.

Logo à entrada estava exposta um obra de arte (?!) que não passava duma estrutura feita dum material metálico onde o visitante podia ouvir vários sons vindos do seu interior (meras gravações de sons). No CCB, onde estava a exposição, era uma "Obra de Arte"... num aeroporto ou num tribunal (utopia) facilmente poderia ser confundida como um simples detector de metais.
Mais de uma hora e meia a passear por entre "obras de arte" e saí de lá com uma alegria: "ainda bem que a entrada era livre. Se fosse paga teria sido um enorme desperdício de dinheiro!"

Vi de tudo.
Uma peça que não passava de um bocado de ferro aos rectângulos que se assemelhava a uma parede de "tijolo de 11", empilhados lado a lado, que permitia ao visitante espreitar dum lado ao outro.
Um par de bonecos de cera completamente nus deitados lado a lado.
Uma sala cheia de telas às cores lembrando uma palete de catálogo de cores duma qualquer marcada de tintas de parede.
Vários quadros abstractos (alguns de uma cor só!).
Um amontoado de garrafas verdes.
Enfim, um sem numero de "obras de arte" completamente estranhas e, na minha modesta opinião, seguramente feitas por autores num momento insano.

Aquele que considerei o expoente alto da exposição aconteceu quando entrei numa sala e, depois de uma vista de relance sobre toda a área, fiquei com a sensação de ter inadvertidamente entrado na zona onde teriam ficado os restos das obras que pudessem ter ocorrido no CCB.
Uma chapa ondulada de zinco com restos de cimento em cima, mais adiante algo que me pareceu ser um monte de pneus e ao fundo uns barrotes de madeira.
Só depois, quando vi que junto aos dois barrotes havia uma placa que tinha inscrito "Caminho para o Sul" é percebi que ainda estava na dita exposição de arte contemporânea.

Curiosamente, na semana passada (30 de Janeiro) li uma notícia interessante no semanário Expresso sobre «Museus sem soluções para proteger quadros».
Em síntese, a notícia falava sobre os acidentes provocados pelos visitantes nas obras de arte expostas em museus.
O mais curioso e caricato caso que ali era relatado foi provocado por uma empregada de limpeza na Figueira da Foz: «Vi os cacos no chão. Peguei na pá e na vassoura e detei-os ao contentor.»
Pois a bem, intencionada senhora havia pespegado no caixote do lixo uma "obra de arte" que «valia milhares de euros» dum tal de Jimmie Durham - artista plástico.
A dita "obra de arte" consistia, pasmem-se, em «17 pedaços de um lavatório de cerâmica». Não conheço a obra mas imagino que seja algo lindo de se ver e, naturalmente, com um significado profundo. Gostava de saber qual o nome da "peça" mas infelizmente a notícia não o dá a conhecer.

Será que se eu partir em cacos a minha sanita também a poderei expor numa qualquer galeria ou exposição?! Tenho o nome ideal para a "obra": "Desvaneio fecal"!

Pergunto-me como seria o tecto da Capela Cistina se Miguel Angelo em vez de ter perdido tanto tempo a pintar aquilo colasse pedaços de vitrais partidos? Ou pendurasse frigideiras e tachos?
Seria algo fantástico, já estou a imaginar...!

Parece, afinal, que não sou só eu a olhar para este tipo de "obras de arte" e ver nelas apenas um aglomerado de lixo. Pelo menos, há uma senhora na Figueira da Foz que, tal como eu, também possui falta de "visão cultural".
Acho que hoje em dia, qualquer guarda-chuva esquecido num bengaleiro poderá ser facilmente confundido com uma "obra de arte contemporânea"... (ora aqui deixo uma excelente ideia para algum "artista plástico" que possa eventualmente passar os olhos por este blog...)

Mas podemos sempre acompanhar as tendências da moda e entrar numa exposição deste tipo. Mesmo que olhemos para estas obras tal como um burro olha para um palácio, fica sempre bem dizer que se assistiu a uma exposição de arte contemporânea. Dá um ar intelectual e, naturalmente, passamos a parecer pessoas modernas... de alguém que está na moda (erudita)... hodierno.

Concluo: arte, pode ser aquilo que nós quisermos. Até a apara de um lápis em cima dum pedaço de papel de cozinha amarrotado e salpicado de molho de tomate pode ser considerado uma "obra de arte". Basta que haja uma pessoa qualquer que se julgue mais "à frente" do que os outros todos e veja nisso a representação da fragilidade da vida humana no universo resplandecente!


Hesito...

2 comentários:

  1. Para que um artigo fantástico, obra moderna, devaneio artistico ou lixo contemporaneo passe a ser uma obra de arte digna de museu, tem que ser avaliada e olha que normalmente são muito bem avaliadas : )
    Por isso, toca a "vasculhar" lá na arrecadação, partir e colar cacos, juntar tralhas, dar-lhes um nome (é muito importante dar um nome às obras). Quem sabe aparece um idiota, foleiro, quer dizer, excêntrico madeirense disposto a pagar por elas.
    Ficas rico e reconhecido como artista!

    Beijos
    Ana

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  2. fiquei triste quando soube que a arte do Norman Rockwell nao era valorizada....“Arte contemporanea” é o Lixo Global dos idiotas sem talento....

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