25/01/2013

Matemáticas



Porque o Governo diz que a despesa pública se manteve inalterada em relação a 2011, isto é, diz-nos a DGO que a despesa do Estado em 2012 foi igual à de 2011, vamos lá tentar fazer um desenho para alguns comentadores e optimistas da direita que dizem que isto é muito bom também perceberem:
(... e porque o Governo considera vencimentos, subsídios e pensões como "gorduras do Estado")


  1. No ano de 2011, mesmo depois de Passos Coelho ter dito que seria "um disparate", o Governo decidiu cortar sensivelmente 50% dos subsídios de Natal (entre outros cortes de vencimentos). Vamos tornar as coisas simples: cortou 25% dos (dois) subsídios;
  2. No ano de 2012, o mesmo Governo decidiu que as pessoas recebiam subsídios a mais e decidiu cortar os dois subsídios. Na linguagem simples, cortou 100% dos (dois) subsídios;
  3. Na prática, só o corte nos subsídios representa um corte na despesa de 15% com salários em relação a 2010 e 11% em relação a 2011;
  4. A estes 11% devem ser adicionados, aproximadamente, 5% (uma vez que os valores variam de 3,5% a 10%) das reduções remuneratórias dos vencimentos dos funcionários públicos (a cima dos 1.500€), e chegamos ai a uns, aproximadamente, 16%;
  5. Aparece o primeiro dado estranho: se a despesa "com pessoal" conta com aposentações e saídas da Administração Pública, que esse valor seja de 17,9%... as saídas apenas representam 1,9%?
  6. Mas, diz-nos a DGO, que a despesa com os juros aumentou 13,9%... e aqui aparece outra dúvida. Se por um lado temos -17,9% e por outro temos +13,9%, então a "despesa" não devia ser "=0%" mas sim "=-4%", ou seja, deveria ter havido uma redução da despesa em 4%
  7. Assim, facilmente percebemos que, se não considerarmos a subtracção dos subsídios nem o aumento com os pagamento de juros, o Estado aumentou a sua despesa em 4%...

Então, se isto é mesmo muito bom e mais uma evidência da boa gestão dos dinheiros públicos, em que raio de rubrica orçamental, e porquê, o Governo teve de aumentar 4%?!... Há coisas que a matemática não explica...

08/11/2012

Momento de reflexão III

«Os receios produzidos pela economia tornam os problemas da Europa mais presentes na consciência das populações e atribuem-lhes uma importância existencial maior do que nunca. As elites políticas deveriam encarar este impulso invulgar à problematização como uma oportunidade e reconhecer o carácter excepcional da situação actual. Mas os políticos também se transformaram, há muito, em elites funcionais: deixaram de estar preparados para uma situação que escapa à abordagem administrativa habitual a reboque das sondagens, exigindo uma forma política diferente, uma forma que forja mentalidades.»


Jurgen Habermas

04/11/2012

Livro: Resgatados

Publicado pel'A Esfera dos Livros, de David Dinis e Hugo Filipe Coelho, "Resgatados, os bastidores da ajuda financeira a Portugal" dá a conhecer os acontecimentos que antecederam o pedido de regaste financeiro pedido à Troika (Comissão Europeia, BCE e FMI).
A confirmarem-se aqueles relatos, e alguns são tão pormenorizados que cimentam a ideia que de as fontes estiveram efectivamente envolvidas directamente em todo este processo, ficam claras as várias jogadas de bastidores, "traições" e mentiras deliberadas de alguns dos protagonistas. Conclusões a que cada leitor pode facilmente chegar!...
... eu retirei as minhas, reforcei algumas das minhas suspeitas e ideias sobre o carácter e a personalidade de alguns dos intervenientes. Abstenho-me de as exprimir aqui.


O pior, é que os acontecimentos provocados pelos "responsáveis" políticos neste processo, que se iniciou em 2007, intensificou-se com as eleições de 2009 e 2010 (legislativas e partidárias) e culminou em 2011, mostram aquele que é o lado mais negro da Política e aquele que deve ser combatido.

A Política não é isto, ou pelo menos não deveria ser...


Uma forma de escrita que agarra o leitor! 




SINOPSE:


O ambiente entre o primeiro-ministro e o seu ministro das Finanças era tenso. Portugal estava no centro das notícias. Vai ou não haver pedido de resgate? À saída de um almoço com os seus quatro secretários de Estado, Teixeira dos Santos disse-lhes uma frase enigmática: «Até ao fim do dia, algo farei!». E cumpriu o prometido. Depois de mais uma, a última, discussão com José Sócrates deu uma entrevista ao Jornal de Negócios. O título «Portugal vai pedir ajuda externa» marcou o destino do país e correu Mundo. Quando José Sócrates pôs os olhos no jornal, não se exaltou, como era seu costume. Fora traído. A partir de mais de 60 conversas reservadas com membros do anterior Governo e da oposição, diplomatas e membros de instituições internacionais, jornalistas e diretores de órgãos de comunicação social, conselheiros de Estado, banqueiros e pessoas ligadas ao setor financeiro e parceiros sociais, os jornalistas David Dinis e Hugo Coelho reconstroem a difícil teia dos acontecimentos que antecederam o pedido de ajuda financeira a Portugal: as conversas, os dilemas, as discussões, as difíceis negociações com a troika e sobre o memorando que condiciona os nossos dias de hoje.


- O dia em que Sócrates se zangou com o FMI.

- Como Cavaco Silva soube das negociações secretas com a Comissão Europeia e o BCE.
- As reuniões entre José Sócrates e Passos Coelho: o que aconteceu realmente.
- Como Sócrates preparou a sua saída.
- A carta em que Passos pediu margem para não cumprir as metas.


Os autores, a história e o Livro


Das frases que fazem História IV

Das frases que fazem História:

«A verdade é que só a concentração de votos no PS poderá travar a agenda liberal aventureira e perigosa da direita contra os serviços públicos e pelo recuo da protecção social do Estado.»

José Sócrates, 13 de Abril de 2011

03/11/2012

Das frases que fazem História III

Das frases que fazem História:

«Não podemos estar sempre a dizer que não precisamos de ajuda, que a execução do orçamento está a correr impecavelmente, mas depois temos de aumentar impostos, cortar nas reformas, fazer muitas outras coisas - nomeadamente, aquelas que o Governo se tinha comprometido a não fazer quando fez o acordo com o PSD para viabilizar o orçamento, que era não tocar nas despesas que as famílias têm na educação, saúde e habitação, e não tocar no IVA dos produtos essenciais. Tudo isso hoje voltou à agenda do dia. [...] e precisamos de fazer isto tudo porquê? Porque está tudo bem ou porque está tudo mal? [...] não viabilizaremos estas medidas [PEC IV].»

Pedro Passos Coelho, 12 de Março de 2011

Das frases que fazem História II


Das frases que fazem História:

«Subir impostos é aumentar a recessão»

Paulo Portas, 24 de Março de 2011

Das frases que fazem História I

Das frases que fazem História:


«Admitir agora a necessidade de mais medidas de austeridade constitui uma prova de desleixo e da sua falta de rigor.»

Miguel Relvas, 28 de Fevereiro de 2011



29/10/2012

A Maratona de Gaspar

O Povo costuma ser sábio, e por isso "o último a rir..."

Quando há uns dias ouvi mais uma das frases estonteantes de Victor Gaspar fiquei sem saber se haveria de rir ou chorar com tamanho absurdo.
Dizia Gaspar que o "processo de ajustamento" português se assemelharia a uma Maratona e que estaríamos, actualmente, a correr o quilómetro 27. Um quilómetro onde os grandes maratonistas não desistem!

Ora, o absurdo desta comparação não está tanto na Maratona mas sim no 27º quilómetro! É que se tivermos em conta que na Maratona, a prova mais exigente do atletismo, são corridos 42.195 m, isto é, pouco mais do que 42 Km, o facto de estarmos ao Km 27 significa que "o melhor povo do mundo" já correu mais de metade da Maratona de Gaspar.

A constatação da execução orçamental de 2012, com todos os objectivos propostos não atingidos, o descalabro social que estão a provocar ao "melhor povo do mundo" e a proposta recente do Orçamento de Estado para 2013 são prova, mais de que evidente, de que nos enganámos no sentido da Maratona e estamos a correr em sentido inverso ao correcto.

Mais uma brincadeira de Gaspar para distrair a malta!

Porque Victor Gaspar não é assim tão ignorante quanto parece, sabe muito bem que a Portugal está reservado o mesmo destino que teve Filípides, o mensageiro grego que teve como missão correr de Marathónas até Atenas, precisamente 42 Km de distância, para avisar que haviam vencido os Persas.
Anunciou a vitória e caiu para o lado, literalmente morto pelo cansaço: também Portugal agradará a Troika mas, para isso, o seu povo cairá morto pelo esforço a que está a ser obrigado por este Governo e por este Presidente da República!

14/10/2012

A boa e a má despesa

Um artigo de Maria de Lurdes Rodrigues que é importante ler antes de iniciar uma discussão sobre despesa pública.
Publicado no Expresso de 5 de Outubro, 2012.

«[...] é necessário que a narrativa sobre despesa pública seja mais rigorosa e objectiva, distinguindo a boa da má despesa pública.»


clique na imagem para aumentar

Related Posts with Thumbnails