08/11/2012

Momento de reflexão III

«Os receios produzidos pela economia tornam os problemas da Europa mais presentes na consciência das populações e atribuem-lhes uma importância existencial maior do que nunca. As elites políticas deveriam encarar este impulso invulgar à problematização como uma oportunidade e reconhecer o carácter excepcional da situação actual. Mas os políticos também se transformaram, há muito, em elites funcionais: deixaram de estar preparados para uma situação que escapa à abordagem administrativa habitual a reboque das sondagens, exigindo uma forma política diferente, uma forma que forja mentalidades.»


Jurgen Habermas

04/11/2012

Livro: Resgatados

Publicado pel'A Esfera dos Livros, de David Dinis e Hugo Filipe Coelho, "Resgatados, os bastidores da ajuda financeira a Portugal" dá a conhecer os acontecimentos que antecederam o pedido de regaste financeiro pedido à Troika (Comissão Europeia, BCE e FMI).
A confirmarem-se aqueles relatos, e alguns são tão pormenorizados que cimentam a ideia que de as fontes estiveram efectivamente envolvidas directamente em todo este processo, ficam claras as várias jogadas de bastidores, "traições" e mentiras deliberadas de alguns dos protagonistas. Conclusões a que cada leitor pode facilmente chegar!...
... eu retirei as minhas, reforcei algumas das minhas suspeitas e ideias sobre o carácter e a personalidade de alguns dos intervenientes. Abstenho-me de as exprimir aqui.


O pior, é que os acontecimentos provocados pelos "responsáveis" políticos neste processo, que se iniciou em 2007, intensificou-se com as eleições de 2009 e 2010 (legislativas e partidárias) e culminou em 2011, mostram aquele que é o lado mais negro da Política e aquele que deve ser combatido.

A Política não é isto, ou pelo menos não deveria ser...


Uma forma de escrita que agarra o leitor! 




SINOPSE:


O ambiente entre o primeiro-ministro e o seu ministro das Finanças era tenso. Portugal estava no centro das notícias. Vai ou não haver pedido de resgate? À saída de um almoço com os seus quatro secretários de Estado, Teixeira dos Santos disse-lhes uma frase enigmática: «Até ao fim do dia, algo farei!». E cumpriu o prometido. Depois de mais uma, a última, discussão com José Sócrates deu uma entrevista ao Jornal de Negócios. O título «Portugal vai pedir ajuda externa» marcou o destino do país e correu Mundo. Quando José Sócrates pôs os olhos no jornal, não se exaltou, como era seu costume. Fora traído. A partir de mais de 60 conversas reservadas com membros do anterior Governo e da oposição, diplomatas e membros de instituições internacionais, jornalistas e diretores de órgãos de comunicação social, conselheiros de Estado, banqueiros e pessoas ligadas ao setor financeiro e parceiros sociais, os jornalistas David Dinis e Hugo Coelho reconstroem a difícil teia dos acontecimentos que antecederam o pedido de ajuda financeira a Portugal: as conversas, os dilemas, as discussões, as difíceis negociações com a troika e sobre o memorando que condiciona os nossos dias de hoje.


- O dia em que Sócrates se zangou com o FMI.

- Como Cavaco Silva soube das negociações secretas com a Comissão Europeia e o BCE.
- As reuniões entre José Sócrates e Passos Coelho: o que aconteceu realmente.
- Como Sócrates preparou a sua saída.
- A carta em que Passos pediu margem para não cumprir as metas.


Os autores, a história e o Livro


Das frases que fazem História IV

Das frases que fazem História:

«A verdade é que só a concentração de votos no PS poderá travar a agenda liberal aventureira e perigosa da direita contra os serviços públicos e pelo recuo da protecção social do Estado.»

José Sócrates, 13 de Abril de 2011

03/11/2012

Das frases que fazem História III

Das frases que fazem História:

«Não podemos estar sempre a dizer que não precisamos de ajuda, que a execução do orçamento está a correr impecavelmente, mas depois temos de aumentar impostos, cortar nas reformas, fazer muitas outras coisas - nomeadamente, aquelas que o Governo se tinha comprometido a não fazer quando fez o acordo com o PSD para viabilizar o orçamento, que era não tocar nas despesas que as famílias têm na educação, saúde e habitação, e não tocar no IVA dos produtos essenciais. Tudo isso hoje voltou à agenda do dia. [...] e precisamos de fazer isto tudo porquê? Porque está tudo bem ou porque está tudo mal? [...] não viabilizaremos estas medidas [PEC IV].»

Pedro Passos Coelho, 12 de Março de 2011

Das frases que fazem História II


Das frases que fazem História:

«Subir impostos é aumentar a recessão»

Paulo Portas, 24 de Março de 2011

Das frases que fazem História I

Das frases que fazem História:


«Admitir agora a necessidade de mais medidas de austeridade constitui uma prova de desleixo e da sua falta de rigor.»

Miguel Relvas, 28 de Fevereiro de 2011



29/10/2012

A Maratona de Gaspar

O Povo costuma ser sábio, e por isso "o último a rir..."

Quando há uns dias ouvi mais uma das frases estonteantes de Victor Gaspar fiquei sem saber se haveria de rir ou chorar com tamanho absurdo.
Dizia Gaspar que o "processo de ajustamento" português se assemelharia a uma Maratona e que estaríamos, actualmente, a correr o quilómetro 27. Um quilómetro onde os grandes maratonistas não desistem!

Ora, o absurdo desta comparação não está tanto na Maratona mas sim no 27º quilómetro! É que se tivermos em conta que na Maratona, a prova mais exigente do atletismo, são corridos 42.195 m, isto é, pouco mais do que 42 Km, o facto de estarmos ao Km 27 significa que "o melhor povo do mundo" já correu mais de metade da Maratona de Gaspar.

A constatação da execução orçamental de 2012, com todos os objectivos propostos não atingidos, o descalabro social que estão a provocar ao "melhor povo do mundo" e a proposta recente do Orçamento de Estado para 2013 são prova, mais de que evidente, de que nos enganámos no sentido da Maratona e estamos a correr em sentido inverso ao correcto.

Mais uma brincadeira de Gaspar para distrair a malta!

Porque Victor Gaspar não é assim tão ignorante quanto parece, sabe muito bem que a Portugal está reservado o mesmo destino que teve Filípides, o mensageiro grego que teve como missão correr de Marathónas até Atenas, precisamente 42 Km de distância, para avisar que haviam vencido os Persas.
Anunciou a vitória e caiu para o lado, literalmente morto pelo cansaço: também Portugal agradará a Troika mas, para isso, o seu povo cairá morto pelo esforço a que está a ser obrigado por este Governo e por este Presidente da República!

14/10/2012

A boa e a má despesa

Um artigo de Maria de Lurdes Rodrigues que é importante ler antes de iniciar uma discussão sobre despesa pública.
Publicado no Expresso de 5 de Outubro, 2012.

«[...] é necessário que a narrativa sobre despesa pública seja mais rigorosa e objectiva, distinguindo a boa da má despesa pública.»


clique na imagem para aumentar

10/10/2012

As pombinhas do Professor Augusto

Há uns anos atrás tive a sorte de participar numa acção de formação em que um dos módulos foi ministrado pelo Prof. Augusto dos Santos Silva. Aliado ao interesse que o próprio tema constituía, tive a oportunidade de estar a poucos metros de distância de uma figura da cena política portuguesa que admiro e pude, dessa forma, constatar que a semelhança entre o político que vemos nas televisões e a pessoa ao vivo é a mais pura das realidades.

O discurso simples e acessível, claro e esclarecedor foram tónica no decorrer de todo o módulo. Mas na mesma proporção, as restantes características que lhe aprecio também estiveram presentes: o sentido de humor e a ironia com o perfeito conhecimento das fronteiras do sarcasmo.

No decorrer da prelecção, o Prof. Augusto Santos Silva aludiu a certas diferenças nas visões que os sociólogos e os politólogos têm em determinadas matérias pelo que não perdeu a oportunidade de introduzir, na caracterização que fez, o seu sentido de humor acutilante em relação aos cientistas políticos, sendo ele um homem da sociologia "clássica".

No fim, aproveitei o pedido de autógrafo num dos livros da bibliografia usada para essa acção de formação em que o Prof. era co-autor e aproveitei para usar um pouco do gosto que tenho pela provocação: «Prof. pergunto-lhe se, na qualidade de sociólogo, não coloca reservas em autografar o meu exemplar, mesmo sendo eu licenciado em ciência política.»

E após uma pequena troca de palavras simpáticas e bem humoradas recebi o meu autógrafo! «Para um polítólogo promissor, de um sociólogo mais que clássico.» - Convenhamos que de extrema gentileza e optimismo na parte do "promissor".

Tal como naquele dia, pela riqueza do conteúdo e a forma como o conhecimento foi transmitido, aprendi bastantes coisas novas e aprofundei outras ideias que já não me eram desconhecidas, utilizo todas as oportunidades de que disponho para continuar essa aprendizagem com as suas intervenções.

Hoje no programa "Política Mesmo" da TVI24, no espaço dedicado à opinião e comentário, o Prof. Augusto Santos Silva voltou a ter um momento que só ele poderia ser capaz de proporcionar de verdadeira partilha e absorção de conhecimento imbuído de humor e assertividade.
Quando se referiu às características que os ministros devem possuir, políticas e não técnicas, para estarem disponíveis e preparados para enfrentar os eleitores disse com toda a clareza: «não podemos ser pombinhas nos braços de homens musculados que são os seguranças.»

Obrigado Professor, por mais este momento de grande "malha"!
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