Nestas últimas semanas não temos ouvido outra coisa se não de sucessivos pedidos de «explicação cabal», «comissões de inquérito», e de «justificações» sobre a teoria de que este Governo papão quereria tomar conta da comunicação social portuguesa (pois agora diz-se que eram só um ou dois jornais e uma ou outra rádio). Curiosamente não ouvi qualquer pedido de «explicação cabal» dos partidos políticos e seus oradores, ou mesmo um pedido de «investigação profunda», sobre a continuada quebra do segredo de justiça! Mas isso são outros quinhentos... ou como diria a Teresa Guilherme «mas isso agora não interessa nada»!
Aquilo que eu ainda não consegui entender, quiçá por preguiça intelectual ou uma visão muito redutora da coisa, está relacionado com a dimensão da estupidez das pessoas:
1 - ou é grande naqueles que inventam uma intentona ditatorial sem qualquer fundamento, pois julgo que até à data apenas aparecem transcritas conversas privadas de terceiros que nada tiveram ou têm a ver com o Governo, sendo que parecem não existir quaisquer provas de que de facto haveria um plano eminente;
2 - ou é grande num Primeiro-Ministro e em Ministros que, acabados de sair vencedores com maioria absoluta em 2005 e vencedores com maioria relativa em 2009, quereriam controlar órgãos de comunicação social. E com que objectivo?! Se a maioria do eleitorado esteve e continua a estar do seu lado para quê controlar órgãos de imprensa?
A sério que não consigo perceber (se calhar por que não leio o jornal SOL pejado de sobras do PSD)! Há aqui qualquer coisa que não bate certo...
E já agora, peço também que me elucidem, a PT não é uma empresa que procura o lucro? Não tem accionistas? Será que a intenção da PT em adquirir capitais de empresas ligadas à Comunicação Social não tinha nada a ver com a procura de obtenção de lucros para a PT? Ou será que só nos lembramos que a PT quer ter lucros quando nos chega a casa a conta do telefone e da Meo?!
Já começa a faltar a paciência para tanta estupidez junta... não me lixem!
Mas uma coisa é certa: com esta história, lá nos esquecemos que o Sr. Jardim (o da Madeira) vai receber mais uns trocos resultante dos impostos da malta do continente... Ele endivida a região autónoma (de forma pouco transparente) e a malta cá ajuda a pagar!
Reconheço também que a campanha publicitária do Sol para vender jornais tem estado a resultar...
Há uma célebre frase que em Portugal, seja qual for o caso, se verifica ter enorme sustentação: «A estupidez é bem mais fascinante que a inteligência, pois a inteligência tem limites. A estupidez não.»
Estive a ver com alguma atenção a entrevista que Judite de Sousa fez ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento. (De entrevista teve muito pouco. Mais parecia um interrogatório.)
Diverti-me com alguns atestados de estupidez e incompetência que Noronha Nascimento passou a alguns jornalistas... por uma ou duas vezes também a Judite de Sousa levou o seu recado. Já a vi ter muitos ataques de "limitação intelectual", mas hoje abusou... pareceu-me que em algumas alturas Noronha Nascimento sentia que tinha de partir para o desenho para que a entrevistadora percebesse o que ele estava a dizer (com a parte das razões porque teria de ser o Pres. do Supremo Tribunal de Justiça a pronunciar-se sobre aquelas escutas em questão apenas e não sobre outras foi por demais!!).
Mas para mim, o ponto alto foi mesmo o fim. A forma como termina a entrevista foi deliciosa: (e cito de memória) «[...] ficámos com uma notícia importante, o facto de, nas escutas em que o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça teve de se pronunciar, o nome do Presidente da República não ter sido referenciado.»
(Na verdade, para a comunicação social é uma notícia importante porque é má!... Lá se acabou a possibilidade de "indiciar", "julgar" e "acusar" alguém que não tem nada a ver com o assunto)
Do vinho do Porto (assim como de algumas outras coisas) costuma-se dizer que «quanto mais velho melhor»... o mesmo já não se pode dizer de alguns profissionais do jornalismo.
Se há uma coisa de que Portugal continua à espera desde o séc. XVI é do D. Sebastião. Se há uma coisa de que Portugal está cheio é de oportunistas.
Agora fico na duvida...
Em 28 de Maio de 2009, o designio de Paulo Rangel era taxativamente cumprir o mandato de Eurodeputado até ao fim: «Não tenho mais nenhum plano senão esse. » In Jornal de Notícias
Uma decisão que foi provocada pelos alemães que andavam a escrever coisas más de Portugal nos jornais: « [...] lia os jornais alemães a colarem Portugal e Espanha à Grécia, e o Governo português andava aqui entretido a dizer que se demitia e a contribuir activamente para a degradação da situação financeira.»
... Ainda assim, nunca ouvi qualquer membro do Governo a ameaçar que se demitia e considero que o que o Paulo Rangel fez esta semana no PE é bem pior do que qualquer artigo na imprensa alemã! Pontos de vista...
O que é certo é que esta decisão repentina, feita enquanto decorria o debate sobre o OE 2010 na Assembleia da República (sentido de oportunismo ou de oportunidade?!) já provocou reacções no interior do PSD. O primeiro recado vem de Pedro Aguiar Branco: «Cumpro a minha palavra» In Publico.pt
Jornal Sol, TVI, Correio da Manhã, Felícia Cabrita, Moura Guedes e até Paulo Rangel, o pequeno capacho, andaram todos a alar em torno do tal plano do Governo e de José Sócrates para se apoderar dos órgãos de Comunicação Social mas nenhum deles conseguiu revelar os contornos desse desígnio.Até ao Parlamento Europeu o pequeno Rangel (e não me refiro à estrutura física) levou hoje este malévolo plano mas sem conseguir apresentar o quando, o porquê ou o como - isto vindo dum eurodeputado eleito por um partido cujo líder, há muito pouco tempo, defendia que os orgãos de comunicação deviam ter alguém que controlasse as notícias que publicavam (curiosa ironia!?).
Pois bem, em primeira mão, digo: Yes I Can!... isto é, eu consigo ir mais além do que todos eles e estou em condições para revelar qual é o verdadeiro objectivo e como pensava o Governo conquistar o controlo sobre a Comunicação Social portuguesa (CSp)!... e verifico que tem mais tentáculos que um polvo... Berlusconi ao lado disto não passa de um aprendiz!
Aqui vai a primeira bomba:aquilo que os órgãos de comunicação, já sob a alçada deste Governo ditatorial, ainda que duma forma ténue, anunciam como a descoberta duma alegada base da ETA em Portugal não é verdade! Aquilo que a GNR descobriu em Óbidos fazia parte duma base logística, isso sim, para tomar conta da CSp. A ramificação do Governo português vai ao ponto de pressionar o Governo espanhol para corroborar a versão de que aquilo fazia parte duma base etarra. Esta influência estava bem congeminada não fosse, e foi aí que eu vi o alcance da coisa, a discrepância entre a carga explosiva anunciada pelo lado português (500Kg) e pelo lado espanhol (1.500Kg)... uma ligeira diferença de 1 tonelada revelou esta cumplicidade. Mas não fica por aqui!
O desmantelar desta plataforma vem prejudicar e atrasar bastante a intenção do Governo, aliás, de José Sócrates, de extinguir todas as forças militares e policiais substituindo-as pela "Policia do Pensamento".
Depois de colocar no terreno esta Policia do Pensamento a controlar tudo e todos, e estou em crer que isto já estará um estádio avançado, senão vejam as declarações de alguns dirigentes sindicais, todos os Ministérios seriam extintos. No seu lugar surgiriam novas organizações que manteriam a designação Ministério apenas para enganar os otários da UE - esses tipos que andam sempre a dormir e nem nunca perceberiam nada se não fosse o pequenino Rangel (começou por "pequeno", já vai em "pequenino", vamos ver onde pára...).
Assim passariam a existir o Ministério da Verdade (nome de código: Minivero), o Ministério da Paz (nome de código: Minipax), o Ministério da Riqueza (nome de código: Minirico) e finalmente o Ministério do Amor (nome de código: Minamor). Ao primeiro caberia o controlo das notícias e divertimento (encabeçado por Pedro Silva Pereira); ao segundo a guerra (encabeçado pelo Prof. Augusto Santos Silva); o terceiro lidaria com finanças e economia (e aqui não sei que o lideraria, se o Prof. Teixeira dos Santos ou Vieira da Silva); finalmente, ao último caberia a responsabilidade da ordem e da lei (mais uma vez não me foi possível descortinar que tomaria conta desta organização)!
O culminar desta tomada de poder seria a mudança de designação de Primeiro-Ministro para Grande Irmão, do hino nacional e o lema de Portugal passaria a ser:
Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força.
Tudo isto só seria possível com a ajuda cirúrgica de duas medidas muito importantes e já em curso: 1ª - obrigatoriedade dos jovens permanecerem nas escolas até ao 12º ano; 2ª - a distribuição em massa de pequenos Magalhães e portáteis dos programas e-escola. Estas medidas não seriam nada mais do que métodos de, de forma disseminada e inconsciente, introduzir mensagens nos cérebros dos jovens criando neles pequenos delatores de Guedrespo's, isto é, denunciando todos aqueles que são contra o Governo.
Porque este é o tão falado e ao mesmo tempo tão desconhecido plano do Governo e de José Sócrates para controlar a CSp, vos digo: «Ao futuro e ao passado, a um tempo em que o pensamento seja livre, em que os homens sejam diferentes uns dos outros, e não vivam sozinhos - a um tempo em que a verdade exista e o que for feito não possa ser desfeito: Da era da uniformidade, da era da solidão, da era do Grande Irmão, da era do duplopensar - eu vos saúdo!»
Felizmente, temos políticos e empresas privadas que, de forma completamente desinteressada e imparcial, denunciam tamanhos atentados contra o Estado de Direito! Um bem-haja!
Os mais atentos encontrarão neste relato semelhanças com a obra «mil novecentos e oitenta e quatro» de George Orwell, mas isso é pura... verdade! Por muito que tente, não consigo desenvolver um nível de imagiação semelhante ao de alguma pseudo-imprensa e políticos da nossa praça. Por isso tive que me "encostar" ao trabalho fantástico de Orwell para criar este pequeno texto de ficção (não devo andar muito longe do que fazem alguns pseudo-jornalistas).
Mas lá mais para a frente, talvez me consiga debruçar sobre este divertido tema de forma mais séria.
Se há uma coisa difícil de definir é "arte". Afinal, o que é "arte"?
Há uns anos, e depois da febre para visitar a exposição de arte contemporânea da colecção Berardo, decidi ir ao CCB para ver o que afinal levava as pessoas a fazerem fila para ver este tipo de arte.
Logo à entrada estava exposta um obra de arte (?!) que não passava duma estrutura feita dum material metálico onde o visitante podia ouvir vários sons vindos do seu interior (meras gravações de sons). No CCB, onde estava a exposição, era uma "Obra de Arte"... num aeroporto ou num tribunal (utopia) facilmente poderia ser confundida como um simples detector de metais. Mais de uma hora e meia a passear por entre "obras de arte" e saí de lá com uma alegria: "ainda bem que a entrada era livre. Se fosse paga teria sido um enorme desperdício de dinheiro!"
Vi de tudo. Uma peça que não passava de um bocado de ferro aos rectângulos que se assemelhava a uma parede de "tijolo de 11", empilhados lado a lado, que permitia ao visitante espreitar dum lado ao outro. Um par de bonecos de cera completamente nus deitados lado a lado. Uma sala cheia de telas às cores lembrando uma palete de catálogo de cores duma qualquer marcada de tintas de parede. Vários quadros abstractos (alguns de uma cor só!). Um amontoado de garrafas verdes. Enfim, um sem numero de "obras de arte" completamente estranhas e, na minha modesta opinião, seguramente feitas por autores num momento insano.
Aquele que considerei o expoente alto da exposição aconteceu quando entrei numa sala e, depois de uma vista de relance sobre toda a área, fiquei com a sensação de ter inadvertidamente entrado na zona onde teriam ficado os restos das obras que pudessem ter ocorrido no CCB. Uma chapa ondulada de zinco com restos de cimento em cima, mais adiante algo que me pareceu ser um monte de pneus e ao fundo uns barrotes de madeira. Só depois, quando vi que junto aos dois barrotes havia uma placa que tinha inscrito "Caminho para o Sul" é percebi que ainda estava na dita exposição de arte contemporânea.
Curiosamente, na semana passada (30 de Janeiro) li uma notícia interessante no semanário Expresso sobre «Museus sem soluções para proteger quadros». Em síntese, a notícia falava sobre os acidentes provocados pelos visitantes nas obras de arte expostas em museus. O mais curioso e caricato caso que ali era relatado foi provocado por uma empregada de limpeza na Figueira da Foz: «Vi os cacos no chão. Peguei na pá e na vassoura e detei-os ao contentor.» Pois a bem, intencionada senhora havia pespegado no caixote do lixo uma "obra de arte" que «valia milhares de euros» dum tal de Jimmie Durham - artista plástico. A dita "obra de arte" consistia, pasmem-se, em «17 pedaços de um lavatório de cerâmica». Não conheço a obra mas imagino que seja algo lindo de se ver e, naturalmente, com um significado profundo. Gostava de saber qual o nome da "peça" mas infelizmente a notícia não o dá a conhecer.
Será que se eu partir em cacos a minha sanita também a poderei expor numa qualquer galeria ou exposição?! Tenho o nome ideal para a "obra": "Desvaneio fecal"!
Pergunto-me como seria o tecto da Capela Cistina se Miguel Angelo em vez de ter perdido tanto tempo a pintar aquilo colasse pedaços de vitrais partidos? Ou pendurasse frigideiras e tachos? Seria algo fantástico, já estou a imaginar...!
Parece, afinal, que não sou só eu a olhar para este tipo de "obras de arte" e ver nelas apenas um aglomerado de lixo. Pelo menos, há uma senhora na Figueira da Foz que, tal como eu, também possui falta de "visão cultural". Acho que hoje em dia, qualquer guarda-chuva esquecido num bengaleiro poderá ser facilmente confundido com uma "obra de arte contemporânea"... (ora aqui deixo uma excelente ideia para algum "artista plástico" que possa eventualmente passar os olhos por este blog...)
Mas podemos sempre acompanhar as tendências da moda e entrar numa exposição deste tipo. Mesmo que olhemos para estas obras tal como um burro olha para um palácio, fica sempre bem dizer que se assistiu a uma exposição de arte contemporânea. Dá um ar intelectual e, naturalmente, passamos a parecer pessoas modernas... de alguém que está na moda (erudita)... hodierno.
Concluo: arte, pode ser aquilo que nós quisermos. Até a apara de um lápis em cima dum pedaço de papel de cozinha amarrotado e salpicado de molho de tomate pode ser considerado uma "obra de arte". Basta que haja uma pessoa qualquer que se julgue mais "à frente" do que os outros todos e veja nisso a representação da fragilidade da vida humana no universo resplandecente!
O novo alarme social volta a ser a figura do "Big Brother", criada e retratada por Eric Arthur Blair, mais conhecido por George Orwell, na obra "Mil novecentos e oitenta e quatro".
Ainda que possa ser encontrada aqui uma contradição, a explicação é rápida e simples: "novo alarme social" porque, depois da Gripe A, das bases terroristas da ETA ou dos terramotos iguais aos de 1755 e do Haiti deste ano que podem ocorrer em Portugal, há necessidade de nova parvoeira que faça estremecer a malta para encher jornais, tv's e rádios; está de "volta" porque é um tema recorrente e que dura normalmente uma semana nos "meios de sensação social" (leia-se "meios de comunicação social"). Para gerar confusão e medo não há melhor!
Agora, e no seguimento duma "Declaração da CNPD por ocasião do Dia Europeu da Protecção de Dados" e dum alerta também divulgado pela CNPD, amplamente empolada pela pseudo-imprensa, já se começa a levantar burburinho, ou assim se deseja, porque estamos cada vez mais vigiados e a nossa privacidade cada vez mais invadida.
«Malvadas portagens, malvados telemóveis com e sem GPS, malvadas câmaras de vigilância, malvados chips para as matriculas, malvados cartões de crédito ou débito, malvados sistemas de informação de dados do Estado que agora até concentram várias dados num único cartão, malvados... malvados... e digo mais, malvados!»
Este, acredito eu, pelas conversas que vou tendo, é o pensamento duma grande parte das pessoas que se sentem indignadas por verem a sua privacidade invadida através deste "mecanismos do controlo". Sim, porque o que está por detrás de tudo isto, segundo alguns, não é mais do que uma tentativa a todo o custo dos Estados, ou do Estado, nos controlar e conhecer todos os nossos passos. A forma (ridícula) como as coisas estão a ser colocadas dá-nos uma falsa sensação de que se instalou um Totalitarismo nunca antes visto.
O curioso de tudo isto é que quase todos os que dizem mal destas "restrições à liberdade individual", até porque dizer mal do que quer que seja é mesmo muito fácil, são aqueles que depois de se lamentarem por serem alvo duma perseguição sem tréguas, facilmente limpam as lamúrias dos seus âmagos colocando fotografias das férias, filhos e restante família (animais de estimação incluídos) no "Facebook"; relatando acções pessoais no "Twitter" ou mesmo anunciar rotinas diárias e pensamentos no seu Blog; e, claro está, logo em seguida ainda são capazes de fazer a compra duma viagem ou até um livrinho com o seu cartãozinho de crédito no seu site de compras online favorito e "100% seguro"*! Provavelmente, e porque a tudo são capazes de tecer impropérios, seriam estas mesmas pessoas que, no caso de lhes verem furtadas um carro, e no qual livremente pagaram para instalar um dispositivo "GPS anti-roubo", ficariam muito irritadas por os bandidos se fazerem passear pelas AE a utilizar o seu dispositivo de Via Verde não controlado; ou muito desapontadas pelo facto do seu telemóvel estar a uso por um gatuno sem poder ser localizado ou bloqueado; ou até mesmo capazes de perder a cabeça porque o seu cartão de crédito ter sido usado por terceiros para compras astronómicas.
Qual seria a reacção dum cidadão que, numa qualquer caixa de multibanco, numa simples operação de levantamento de dinheiro, e isto já me aconteceu, se deparasse com um problema e não conseguisse ter evidencias do local ou operação realizada? (Felizmente, no meu caso, que o meu banco e a SIBS sabiam onde estive naquele dia, àquela hora a realizar determinada operação... caso contrário veria o meu dinheiro, que custa a ganhar, desaparecer num sistema informático não controlado).
O que diria o cidadão acusador da existência dum "Big Brother" ao ver-se assaltado numa rua duma "zona problemática" sem uma câmara de vigilância (em circuito fechado) que poderia contribuir para prevenir ou até mesmo identificar responsáveis?
Certamente perguntas que dão que pensar e que ficariam sem resposta... Alguns deles são incapazes de admitir que, por exemplo, um cruzamento de dados entre os sistemas de previdência social com os de controlo de impostos e rendimentos, é benéfico para a prossecução duma maior justiça social porque, e não é segredo para ninguém, há muito boa gente com grandes rendimentos não declarados. Há mesmo quem disso se regozije.
Depois, e porque esses não pagam impostos sobre rendimentos não declarados, quando precisarem de um subsídio social qualquer (e já há muitos à escolha) vai recebe-lo porque eu e outros como eu declaramos e pagamos os nossos impostos.
Mas a existência de mecanismos que possam ajudar a combater situações deste tipo (demasiadamente vulgares) são "claras e inequívocas invasões à privacidade do cidadão"! É que na mente de muito boa gente, como a utilização internet e das redes sociais nela instaladas são na verdade uma divulgação autorizada (ainda que inconscientemente) de dados privados não há lugar para a condenação ou indignação de qualquer tipo.
No entanto os dados que divulgam, algumas vezes de livre e espontânea vontade, a entidades e organismos aparentemente merecedoras de credibilidade (depende sempre muito dos recursos humanos e técnicos de que dispõem), já pode constituir uma grave falha na privacidade de cada um assim como um inadmissível golpe na liberdade individual! A declaração da CNPD é válida e pertinente. Não é isso que está deve estar em causa. O que deve estár em causa é o tratamento pseudo-noticioso dum documento, que levanta questões relevantes, mas que tratadas com rigor não servem para encher espaços noticiosos.
Assim, e outra vez, o cidadão comum, possivelmente distraído por outros coisas importantes em mente, é bombardeado com estas teorias da conspiração criando condições para que cresçam no seu inconsciente complexos de perseguição. É por isso que, sujeitos a esta dramatização e ao fantasma do Estado controlador, aliado à preguiça intelectual (quando não a limitações de outros tipos), as pessoas sentem uma vontade enorme de apontar o dedo a todo e qualquer "mecanismo de controlo de dados" sem que haja previamente uma reflexão sobre os benefícios e os prejuízos de tal ferramenta ou medida. Apesar da CNPD ter um importante papel de destaque na manutenção da privacidade e confidencialidade dos dados, é por isso que qualquer sistema só pode ser implementado com a concordância deste organismo, essa protecção não é exclusivamente da responsabilidade de empresas ou Estados. É de todos: «do Estado, das empresas, dos media, das escolas e de cada um de nós, colectiva e individualmente.»
Apontamos com frequência o dedo às instituições do Estado e empresas quando nos esquecemos do resto. (E, cá está, os media incluídos... quantas vezes não incorrem estes em invasões de privacidade? Só os outros são culpados… nunca a comunicação social!) Parece-me que o que deve ser discutido são os métodos e a sua aplicação eficiente (ou não). O princípio não.
E já diz o povo, «quem não deve, não teme».
NOTA: todos os exemplos que referi como supostos “mecanismos de controlo”, à excepção do Cartão do Cidadão, ouvi-os e li na comunicação social. Curiosamente nenhum deles, ou outro, é referido no documento da CNPD!...
Portugal é frequentemente apelidado de “país de inventores”… porque é que a comunicação social haveria de ser diferente?! Será que custa muito fazer uma peça jornalística sem que o sensacionalismo seja o objectivo da notícia, centrando-a no seu essencial que é a informação e a verdade?... Não percebo nada de jornalismo, mas acho que a resposta é fácil.
* - Na rede (Internet) nunca houve, não há nem nunca haverá nada 100% seguro. Seja computador pessoal, seja servidor de serviços ou de armazenamento de dados! Todos eles são violáveis. A diferença é que uns são mais do que outros!
Quem me conhece sabe o que penso da comunicação social, especialmente daquela que tende a confundir-se com hienas famintas e abutres... enquanto que os animais, mesmo os necrófagos, agem segundo um instinto de sobrevivência, a impressa que vive da polémica tem por hábito usar métodos deontologicamente condenáveis e para apontar o dedo a terceiros esquecendo sempre a sua própria responsabilidade e contribuição para a confusão!
Agora, vemos muitos jornalistas, ou melhor dizendo, pseudo-jornalistas e muitas empresas de notícias, do alto dos seus pedestais, onde a imundice os coloca, e com um ar de imaculada indignação, a darem a conhecer "indícios" da influência da industria farmacêutica no anuncio de pandemia do virus H1N1.
Não quero de qualquer forma contestar ou contra-argumentar contra essas alegadas influências denunciadas por Wolfgan Wodarg, futuro ex-presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa. Se as houve, confesso que não ficaria admirado.
Mas o que me deixa completamente boquiaberto é o facto desta imprensa medíocre dar destaque a essas alegadas influencias esquecendo o seu próprio papel na pressão que fez sobre Governos, Organizações e sobre as populações.Foi esta pseudo-imprensa, e não a OMS ou os Governos, que fizeram da gripe A um bicho incontrolável ou uma arma de destruição maciça. Não foi esta pseudo-imprensa que criou o pânico na população e que chegou a comparar a Gripe A com a Gripe Espanhola? Não foi esta pseudo-imprensa que não descansou até que alguém, neste caso, que algum português tivesse uma morte provocada pelo vírus H1N1? Lembro-me até que os primeiros "casos de morte por vírus da gripe A" afinal não foram de Gripe A... todos os dias havia alguém em Portugal que padecia devido a este "vírus mortal". Não foi esta pseudo-imprensa, que agora cobra o facto de existirem milhões de vacinas compradas e não administradas, que noticiava que os stocks das empresas farmacêuticas estavam a ser escoados a um ritmo que, por exemplo em Portugal, o Governo corria o risco de não ter vacinas a tempo? (estranho conhecimento dos ritmos de venda das vacinas... que "fonte anónima" poderia estar na origem duma informação destas?!) Não foi esta pseudo-imprensa que, em conferências de imprensa promovidas pelo Min. da Saúde, onde era a própria Ministra que fazia pontos de situação, direccionava as suas primeiras perguntas para "quantos infectados há em Portugal?", ou "quantas vítimas mortais estão contabilizadas?" ou ainda "quando é que o Governo adquire as vacinas contra a pandemia?"... será que já ninguém se lembra?
A atitude que esta pseudo-imprensa revela agora quase que dá vontade de pensar: "então esta gente é toda estúpida e não viu logo que isto era uma gripezita e que era um disparate comprar vacinas para toda a gente?! Estava na cara! Andam todos a dormir! Onde será que foram buscar esta ideia de que este vírus ia matar milhões e milhões de pessoas?"
Agora, são todos culpados: a OMS que se deixou influenciar por interesses privados; as farmacêuticas que influenciaram; os Governos porque compraram a mais. E será que esta pseudo-imprensa não percebe, ou não quer que as pessoas percebam, que também eles contribuíram, provavelmente mais do que qualquer outro, para aquilo que de facto se revelou uma histeria generalizada?
Como em Portugal gostamos sempre de estar um pé à frente dos outros (pena que não tenhamos movimentos separatistas em território luso para tornar os dias desta pseudo-imprensa bem mais completos e plena de verborreia intelectual) só lhes falta dizer que uma das industrias a que o Governo mostrou subserviência foi a dos produtos de higiene que, à base "formulas ultra inovadoras" (e que ao fim e ao cabo não passavam de mistelas com álcool), vendeu que se fartou - quando um simples sabão azul e branco fazia o mesmo efeito!
Resta encontrar a fonte do problema: má formação académica, má formação deontológica ou más linhas editorias? Vá-se lá saber...
Peguei no titulo duma excelente série dramática para dar título a uma excelente comédia.
Em 2004 o candidato a candidato a Presidente da República, o Prof. Aníbal Cavaco Silva, escreveu uma artigo de opinião no semanário Expresso comparando a lei de Gresham («a má moeda tende a expulsar do mercado a boa moeda») aos políticos em Portugal. Também os maus políticos tinham tendência a fazer com que os bons políticos optassem pelo afastamento da vida política. Uma inequívoca alusão a Pedro Santana Lopes. Não como o bom político que se afasta mas sim como o mau político que afasta os bons.
Santana Lopes, creio que já depois de perder as legislativas para José Sócrates, responde que a responsabilidade por ele, o "menino guerreiro", não ter ganho as eleições estava no facto de não ter contado com o apoio de altas figuras do PSD e, pior ainda, porque os «irmãos mais velhos» davam «pontapés na incubadora» onde estava o irmão mais novo e prematuro. Uma inequívoca alusão ao referido artigo de opinião do Prof. Cavaco Silva.
O tempo avançou. Chegámos a 2010. O então candidato a candidato a Presidente da República ganhou as eleições presidenciais em 2006 e prepara já, em 2010, a sua recandidatura para 2011.
E não é que agora o Sr. Presidente, um dos «irmãos mais velhos», vai condecorar o «irmão prematuro»!? Passaram 6 anos, o «prematuro» cresceu, amadureceu, continuou a perder eleições e, presumo, terá deixado de ser uma «má moeda» passando a ser uma «boa moeda».
Então, se assim é, há que reconhece-lo! E com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo por ter exercido «funções públicas de alto relevo». Se já estranhei a condecoração do ex-inspector Moita Flores pelas mesma razões (?!) mais reservas coloco nesta.
Isto podia ser uma piada de mau gosto... mas não é. O site da Presidencia anuncia-o aqui.
Fica facilmente evidenciado como, na política e na vida, uma pessoa pode passar de besta a bestial! Será que 6 meses de asneiras atrás de asneiras é considerado o exercer de «funções públicas de alto relevo»? Será que o Sr. Presidente que há um ano pedia rigor e mais exigência por parte de todos os portugueses baixou ele agora os seus níveis de exigência?! Ou será a condecoração atribuída só pelo facto de Pedro Santana Lopes ser o único ex-Primeiro-Ministro que não foi agraciado com este "prémio"?...
Opinião minha: nem uma carica de latão pendurada ao pescoço merece! É por estas e por outras que a política continua a merecer olhares de desconfiança dos cidadãos.
Penso que há uma ideia generalizada de alguns (muitos) políticos de que todos têm memória curta. A verdade é que ainda há alguns que gostam de fazer exercícios de memória...
Foi em meados de 2006, numa noite de "zapping" em frente à TV, passei os olhos pela MTV e, mais do que ver, ouvi uma música (ou parte dela) que me deixou muito curioso. À pressa peguei num lápis e num pedaço de papel e fiquei atento ao fim do vídeoclip para ver se conseguia apanhar o nome da música e de quem a tocava. Apenas melodia. Sem ninguém a cantar (qualidade que mais aprecio nas músicas).
A musica chegou ao fim eu tomei nota no meu papelito: «mogwai - friend of the night». Curioso nome para uma banda. No dia seguinte iniciei a minha busca.
Então encontrei o nome Mogwai associado ao filme de Joe Dante, "Gremlins", de 1984. Estranho!
Enquanto procurava pela música duns tipos com uma banda chamada "Mogwai" tentava simultaneamente perceber qual o significado dessa palavra. A palavra "mogwai" tem origem no cantão, uma variação do chinês, muito falado em Hong Kong e Macau. Pelo que tive oportunidade de ler significa "monstro" (há quem traduza também para "fantasma") e a relação com o dito filme é pelo facto da pequena e simpática criatura (que depois dá origem a toda aquela confusão no filme), o Gizmo, é alegadamente da espécie "mogwai" (monstro).
Segundo Stuart Braithwaite, um dos elementos fundadores da banda, o nome escolhido foi mesmo por causa do filme: «The name comes from the film Gremlins and means ghost in Chinese. It has no significant meaning and we always intended on getting a better one, but like a lot of other things we never got round to it».
Mogwai é uma banda proveniente de Glasgow, (Escócia, um país que faz parte do meu sonho de viagem) com cerca de 15 anos (formada em 1995). Consegui encontrar alguns vídeos e músicas que me deixaram de boca aberta.
Estes 5 rapazes escoceses conseguem fazer o tipo de música que mais admiro.Maioritariamente instrumental, fazem uso das guitarras, baixo e bateria duma forma que, ao ouvi-los, consigo abstrair-me de quase tudo o que me rodeia!É de facto uma sensação que não consigo transpor para palavras... é fechar os olhos e deixar que a musica nos transporte!
"I know you are but what am i?", "Hunted by the freak", "Black spider" (e "Black spider 2"), "Killing al the flies", "Rats of the Capital", "Friend of the night" (a que me fez descobrir esta magnifica sonoridade e com video mais a baixo), "We're no Here", "Tracy", "Superheroes of bmx", "Summer (priority version)" e, do mais recente albúm (The Hawk is Howling), as estrondosas "I'm Jim Morrison, I'm Dead" e "Scotland's Shame" são algumas das que oiço em modo de repetição!
Ah, e a explicação para os nomes é «We make up the music first and add the titles later. Because we don't use a singer, it's much harder to come up with a name for a song so it'll be something that one of us has said or seen that sounds good or makes us laugh or whatever.Arguably, the titles have nothing to do with the songs (see Golden Porsche or Secret Pint)»
Provavelmente, e sem o perceberem, muitos já se "cruzaram" com esta banda devido às suas participações em bandas sonoras de filmes como "Miami Vice" (2006), "Wicker Park" (2004) ou as séries "CSI Las Vegas" e "Sex and the City". Também os amantes do futebol e fãs de Zidade viram, por certo, o documentário "Zidane, un portrait du 21e siècle" onde todas as músicas são dos Mogwai. Nem Michael Moore lhes conseguiu resistir e usou a musica "Auto Rock" no seu documentário "Sicko" (2007).
Em 2009, 5 de Fevereiro, estiveram em Portugal (pela 2ª vez) e infelizmente, por "razões académicas", fui obrigado a falhar este concerto! Foi uma enorme desilusão... Ansiosamente aguardo pelo 3º concerto em Portugal!
Em 2006, os Mogwai entraram para o topo das minhas preferências... e mantêm-se até hoje! Passaram a ser a terceira banda/grupo que acompanho com atenção e de quem faço questão de comprar todos os trabalhos juntando-se, assim, aos Sigur Rós e aos Blue Man Group.
Ainda que os gostasse de ver e ouvir trabalhar juntos, aqui fica desfeita a dúvida: «Q: Did you ever collaborate with Sigur Ros? There are songs on the internet that say "Mogwai and Sigur Ros". A: Nope. All Rubbish. Never have and never will.»
Este foi o vídeo com que descobri os Mogwai
E aqui fica uma das melhores, "Scotland's Shame" (é de ouvir e chorar por mais):
Aqui podem encontrar um pouco da história dos Mogwai.
Por norma não faço deste um ponto concentração de links para outros blogs assim como não é meu hábito colar aqui textos na integra de outros. E não é agora que o vou fazer.
Mas porque cada vez que o Sr. Presidente da República se dirige a mim (sim, porque também um sou um dos portugueses) fala em código ou então toma-me por estúpido com os seus discursos, em grande parte, perfeitamente despropositados (para não dizer disparatados). Para não fugir à regra, a mensagem de Ano Novo foi mais do mesmo!
Um texto que achei muito interessante e muito objectivo é o que escreve "Val" no "Aspirira B" (um dos poucos blogs que sigo com alguma regularidade). Não resisti em da-lo a conhecer. Não vou colocar aqui o texto todo, pois ele tem um autor que não sou eu!
Deixo apenas um "adoçar de boca": «A Mensagem de Ano Novo do Presidente da República condensa os lugares-comuns da retórica da impotência, característica dos discursos da direita em geral, e do PSD em especial. Que sentido tem repetir maniacamente que há desemprego e défice demasiado altos? Acaso só a direita é que está preocupada? Será que o Governo ignora os números, esse mesmo Governo que reduziu o défice quando pôde e apoiou as vítimas da crise internacional quando foi necessário? Este alarmismo estéril e tóxico, nunca se comprometendo com alguma solução, manifesta a paupérrima qualidade intelectual e cívica que constitui a actual direita.»