28/01/2010

Big Brother, eles "andem" aí...

O novo alarme social volta a ser a figura do "Big Brother", criada e retratada por Eric Arthur Blair, mais conhecido por George Orwell, na obra "Mil novecentos e oitenta e quatro".

Ainda que possa ser encontrada aqui uma contradição, a explicação é rápida e simples: "novo alarme social" porque, depois da Gripe A, das bases terroristas da ETA ou dos terramotos iguais aos de 1755 e do Haiti deste ano que podem ocorrer em Portugal, há necessidade de nova parvoeira que faça estremecer a malta para encher jornais, tv's e rádios; está de "volta" porque é um tema recorrente e que dura normalmente uma semana nos "meios de sensação social" (leia-se "meios de comunicação social"). Para gerar confusão e medo não há melhor!

Agora, e no seguimento duma "Declaração da CNPD por ocasião do Dia Europeu da Protecção de Dados" e dum alerta também divulgado pela CNPD, amplamente empolada pela pseudo-imprensa, já se começa a levantar burburinho, ou assim se deseja, porque estamos cada vez mais vigiados e a nossa privacidade cada vez mais invadida.

«Malvadas portagens, malvados telemóveis com e sem GPS, malvadas câmaras de vigilância, malvados chips para as matriculas, malvados cartões de crédito ou débito, malvados sistemas de informação de dados do Estado que agora até concentram várias dados num único cartão, malvados... malvados... e digo mais, malvados!»

Este, acredito eu, pelas conversas que vou tendo, é o pensamento duma grande parte das pessoas que se sentem indignadas por verem a sua privacidade invadida através deste "mecanismos do controlo". Sim, porque o que está por detrás de tudo isto, segundo alguns, não é mais do que uma tentativa a todo o custo dos Estados, ou do Estado, nos controlar e conhecer todos os nossos passos.

A forma (ridícula) como as coisas estão a ser colocadas dá-nos uma falsa sensação de que se instalou um Totalitarismo nunca antes visto.

O curioso de tudo isto é que quase todos os que dizem mal destas "restrições à liberdade individual", até porque dizer mal do que quer que seja é mesmo muito fácil, são aqueles que depois de se lamentarem por serem alvo duma perseguição sem tréguas, facilmente limpam as lamúrias dos seus âmagos colocando fotografias das férias, filhos e restante família (animais de estimação incluídos) no "Facebook"; relatando acções pessoais no "Twitter" ou mesmo anunciar rotinas diárias e pensamentos no seu Blog; e, claro está, logo em seguida ainda são capazes de fazer a compra duma viagem ou até um livrinho com o seu cartãozinho de crédito no seu site de compras online favorito e "100% seguro"*!

Provavelmente, e porque a tudo são capazes de tecer impropérios, seriam estas mesmas pessoas que, no caso de lhes verem furtadas um carro, e no qual livremente pagaram para instalar um dispositivo "GPS anti-roubo", ficariam muito irritadas por os bandidos se fazerem passear pelas AE a utilizar o seu dispositivo de Via Verde não controlado; ou muito desapontadas pelo facto do seu telemóvel estar a uso por um gatuno sem poder ser localizado ou bloqueado; ou até mesmo capazes de perder a cabeça porque o seu cartão de crédito ter sido usado por terceiros para compras astronómicas.

Qual seria a reacção dum cidadão que, numa qualquer caixa de multibanco, numa simples operação de levantamento de dinheiro, e isto já me aconteceu, se deparasse com um problema e não conseguisse ter evidencias do local ou operação realizada? (Felizmente, no meu caso, que o meu banco e a SIBS sabiam onde estive naquele dia, àquela hora a realizar determinada operação... caso contrário veria o meu dinheiro, que custa a ganhar, desaparecer num sistema informático não controlado).

O que diria o cidadão acusador da existência dum "Big Brother" ao ver-se assaltado numa rua duma "zona problemática" sem uma câmara de vigilância (em circuito fechado) que poderia contribuir para prevenir ou até mesmo identificar responsáveis?

Certamente perguntas que dão que pensar e que ficariam sem resposta...

Alguns deles são incapazes de admitir que, por exemplo, um cruzamento de dados entre os sistemas de previdência social com os de controlo de impostos e rendimentos, é benéfico para a prossecução duma maior justiça social porque, e não é segredo para ninguém, há muito boa gente com grandes rendimentos não declarados. Há mesmo quem disso se regozije.

Depois, e porque esses não pagam impostos sobre rendimentos não declarados, quando precisarem de um subsídio social qualquer (e já há muitos à escolha) vai recebe-lo porque eu e outros como eu declaramos e pagamos os nossos impostos.

Mas a existência de mecanismos que possam ajudar a combater situações deste tipo (demasiadamente vulgares) são "claras e inequívocas invasões à privacidade do cidadão"!

É que na mente de muito boa gente, como a utilização internet e das redes sociais nela instaladas são na verdade uma divulgação autorizada (ainda que inconscientemente) de dados privados não há lugar para a condenação ou indignação de qualquer tipo.

No entanto os dados que divulgam, algumas vezes de livre e espontânea vontade, a entidades e organismos aparentemente merecedoras de credibilidade (depende sempre muito dos recursos humanos e técnicos de que dispõem), já pode constituir uma grave falha na privacidade de cada um assim como um inadmissível golpe na liberdade individual!

A declaração da CNPD é válida e pertinente. Não é isso que está deve estar em causa. O que deve estár em causa é o tratamento pseudo-noticioso dum documento, que levanta questões relevantes, mas que tratadas com rigor não servem para encher espaços noticiosos.

Assim, e outra vez, o cidadão comum, possivelmente distraído por outros coisas importantes em mente, é bombardeado com estas teorias da conspiração criando condições para que cresçam no seu inconsciente complexos de perseguição.

É por isso que, sujeitos a esta dramatização e ao fantasma do Estado controlador, aliado à preguiça intelectual (quando não a limitações de outros tipos), as pessoas sentem uma vontade enorme de apontar o dedo a todo e qualquer "mecanismo de controlo de dados" sem que haja previamente uma reflexão sobre os benefícios e os prejuízos de tal ferramenta ou medida.

Apesar da CNPD ter um importante papel de destaque na manutenção da privacidade e confidencialidade dos dados, é por isso que qualquer sistema só pode ser implementado com a concordância deste organismo, essa protecção não é exclusivamente da responsabilidade de empresas ou Estados. É de todos: «do Estado, das empresas, dos media, das escolas e de cada um de nós, colectiva e individualmente.»

Apontamos com frequência o dedo às instituições do Estado e empresas quando nos esquecemos do resto. (E, cá está, os media incluídos... quantas vezes não incorrem estes em invasões de privacidade? Só os outros são culpados… nunca a comunicação social!)

Parece-me que o que deve ser discutido são os métodos e a sua aplicação eficiente (ou não). O princípio não.

E já diz o povo, «quem não deve, não teme».

NOTA: todos os exemplos que referi como supostos “mecanismos de controlo”, à excepção do Cartão do Cidadão, ouvi-os e li na comunicação social. Curiosamente nenhum deles, ou outro, é referido no documento da CNPD!...

Portugal é frequentemente apelidado de “país de inventores”… porque é que a comunicação social haveria de ser diferente?!
Será que custa muito fazer uma peça jornalística sem que o sensacionalismo seja o objectivo da notícia, centrando-a no seu essencial que é a informação e a verdade?... Não percebo nada de jornalismo, mas acho que a resposta é fácil.


*
- Na rede (Internet) nunca houve, não há nem nunca haverá nada 100% seguro. Seja computador pessoal, seja servidor de serviços ou de armazenamento de dados! Todos eles são violáveis. A diferença é que uns são mais do que outros!


26/01/2010

Falsa pandemia ou hipocrisia?


Quem me conhece sabe o que penso da comunicação social, especialmente daquela que tende a confundir-se com hienas famintas e abutres... enquanto que os animais, mesmo os necrófagos, agem segundo um instinto de sobrevivência, a impressa que vive da polémica tem por hábito usar métodos deontologicamente condenáveis e para apontar o dedo a terceiros esquecendo sempre a sua própria responsabilidade e contribuição para a confusão!

Agora, vemos muitos jornalistas, ou melhor dizendo, pseudo-jornalistas e muitas empresas de notícias, do alto dos seus pedestais, onde a imundice os coloca, e com um ar de imaculada indignação, a darem a conhecer "indícios" da influência da industria farmacêutica no anuncio de pandemia do virus H1N1.

Não quero de qualquer forma contestar ou contra-argumentar contra essas alegadas influências denunciadas por Wolfgan Wodarg, futuro ex-presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa. Se as houve, confesso que não ficaria admirado.

Mas o que me deixa completamente boquiaberto é o facto desta imprensa medíocre dar destaque a essas alegadas influencias esquecendo o seu próprio papel na pressão que fez sobre Governos, Organizações e sobre as populações. Foi esta pseudo-imprensa, e não a OMS ou os Governos, que fizeram da gripe A um bicho incontrolável ou uma arma de destruição maciça.
Não foi esta pseudo-imprensa que criou o pânico na população e que chegou a comparar a Gripe A com a Gripe Espanhola?
Não foi esta pseudo-imprensa que não descansou até que alguém, neste caso, que algum português tivesse uma morte provocada pelo vírus H1N1? Lembro-me até que os primeiros "casos de morte por vírus da gripe A" afinal não foram de Gripe A... todos os dias havia alguém em Portugal que padecia devido a este "vírus mortal".
Não foi esta pseudo-imprensa, que agora cobra o facto de existirem milhões de vacinas compradas e não administradas, que noticiava que os stocks das empresas farmacêuticas estavam a ser escoados a um ritmo que, por exemplo em Portugal, o Governo corria o risco de não ter vacinas a tempo? (estranho conhecimento dos ritmos de venda das vacinas... que "fonte anónima" poderia estar na origem duma informação destas?!)
Não foi esta pseudo-imprensa que, em conferências de imprensa promovidas pelo Min. da Saúde, onde era a própria Ministra que fazia pontos de situação, direccionava as suas primeiras perguntas para "quantos infectados há em Portugal?", ou "quantas vítimas mortais estão contabilizadas?" ou ainda "quando é que o Governo adquire as vacinas contra a pandemia?"... será que já ninguém se lembra?

A atitude que esta pseudo-imprensa revela agora quase que dá vontade de pensar: "então esta gente é toda estúpida e não viu logo que isto era uma gripezita e que era um disparate comprar vacinas para toda a gente?! Estava na cara! Andam todos a dormir! Onde será que foram buscar esta ideia de que este vírus ia matar milhões e milhões de pessoas?"

Agora, são todos culpados: a OMS que se deixou influenciar por interesses privados; as farmacêuticas que influenciaram; os Governos porque compraram a mais.
E será que esta pseudo-imprensa não percebe, ou não quer que as pessoas percebam, que também eles contribuíram, provavelmente mais do que qualquer outro, para aquilo que de facto se revelou uma histeria generalizada?

Como em Portugal gostamos sempre de estar um pé à frente dos outros (pena que não tenhamos movimentos separatistas em território luso para tornar os dias desta pseudo-imprensa bem mais completos e plena de verborreia intelectual) só lhes falta dizer que uma das industrias a que o Governo mostrou subserviência foi a dos produtos de higiene que, à base "formulas ultra inovadoras" (e que ao fim e ao cabo não passavam de mistelas com álcool), vendeu que se fartou - quando um simples sabão azul e branco fazia o mesmo efeito!

Resta encontrar a fonte do problema: má formação académica, má formação deontológica ou más linhas editorias? Vá-se lá saber...

Hesito... até porque o Inverno ainda não acabou!


15/01/2010

Band of brothers.

Peguei no titulo duma excelente série dramática para dar título a uma excelente comédia.

Em 2004 o candidato a candidato a Presidente da República, o Prof. Aníbal Cavaco Silva, escreveu uma artigo de opinião no semanário Expresso comparando a lei de Gresham («
a má moeda tende a expulsar do mercado a boa moeda») aos políticos em Portugal.
Também os maus políticos tinham tendência a fazer com que os bons políticos optassem pelo afastamento da vida política.
Uma inequívoca alusão a Pedro Santana Lopes. Não como o bom político que se afasta mas sim como o mau político que afasta os bons.


Santana Lopes, creio que já depois de perder as legislativas para José Sócrates, responde que a responsabilidade por ele, o "menino guerreiro", não ter ganho as eleições estava no facto de não ter contado com o apoio de altas figuras do PSD e, pior ainda, porque os «irmãos mais velhos» davam «pontapés na incubadora» onde estava o irmão mais novo e prematuro.
Uma inequívoca alusão ao referido artigo de opinião do Prof. Cavaco Silva.

O tempo avançou.
Chegámos a 2010.

O então candidato a candidato a Presidente da República ganhou as eleições presidenciais em 2006 e prepara já, em 2010, a sua recandidatura para 2011.

E não é que agora o Sr. Presidente, um dos «irmãos mais velhos», vai condecorar o «irmão prematuro»!?
Passaram 6 anos, o «
prematuro» cresceu, amadureceu, continuou a perder eleições e, presumo, terá deixado de ser uma «má moeda» passando a ser uma «boa moeda».

Então, se assim é, há que reconhece-lo! E com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo por ter exercido «funções públicas de alto relevo».
Se já estranhei a condecoração do ex-inspector Moita Flores pelas mesma razões (?!) mais reservas coloco nesta.

Isto podia ser uma piada de mau gosto... mas não é.
O site da Presidencia anuncia-o
aqui.

Fica facilmente evidenciado como, na política e na vida, uma pessoa pode passar de besta a bestial!
Será que 6 meses de asneiras atrás de asneiras é considerado o exercer de
«funções públicas de alto relevo»?
Será que o Sr. Presidente que há um ano pedia rigor e mais exigência por parte de todos os portugueses baixou ele agora os seus níveis de exigência?!
Ou será a condecoração atribuída só pelo facto de Pedro Santana Lopes ser o único ex-Primeiro-Ministro que não foi agraciado com este "prémio"?...

Opinião minha: nem uma carica de latão pendurada ao pescoço merece!

É por estas e por outras que a política continua a merecer olhares de desconfiança dos cidadãos.

Penso que há uma ideia generalizada de alguns (muitos) políticos de que todos têm memória curta. A verdade é que ainda há alguns que gostam de fazer exercícios de memória...

Hesito...


14/01/2010

Mogwai

Foi em meados de 2006, numa noite de "zapping" em frente à TV, passei os olhos pela MTV e, mais do que ver, ouvi uma música (ou parte dela) que me deixou muito curioso.
À pressa peguei num lápis e num pedaço de papel e fiquei atento ao fim do vídeoclip para ver se conseguia apanhar o nome da música e de quem a tocava. Apenas melodia.
Sem ninguém a cantar (qualidade que mais aprecio nas músicas).


A musica chegou ao fim eu tomei nota no meu papelito: «mogwai - friend of the night».
Curioso nome para uma banda.
No dia seguinte iniciei a minha busca.

Então encontrei o nome Mogwai associado ao filme de Joe Dante, "Gremlins", de 1984. Estranho!


Enquanto procurava pela música duns tipos com uma banda chamada "Mogwai" tentava simultaneamente perceber qual o significado dessa palavra.
A palavra "mogwai" tem origem no cantão, uma variação do chinês, muito falado em Hong Kong e Macau.
Pelo que tive oportunidade de ler significa "monstro" (há quem traduza também para "fantasma") e
a relação com o dito filme é pelo facto da pequena e simpática criatura (que depois dá origem a toda aquela confusão no filme), o Gizmo, é alegadamente da espécie "mogwai" (monstro).

Segundo Stuart Braithwaite, um dos elementos fundadores da banda, o nome escolhido foi mesmo por causa do filme: «The name comes from the film Gremlins and means ghost in Chinese. It has no significant meaning and we always intended on getting a better one, but like a lot of other things we never got round to it».

Mogwai é uma banda proveniente de Glasgow, (Escócia, um país que faz parte do meu sonho de viagem) com cerca de 15 anos (formada em 1995).
Consegui encontrar alguns vídeos e músicas que me deixaram de boca aberta.

Estes 5 rapazes escoceses conseguem fazer o tipo de música que mais admiro.
Maioritariamente instrumental, fazem uso das guitarras, baixo e bateria duma forma que, ao ouvi-los, consigo abstrair-me de quase tudo o que me rodeia! É de facto uma sensação que não consigo transpor para palavras... é fechar os olhos e deixar que a musica nos transporte!

"I know you are but what am i?", "Hunted by the freak", "Black spider" (e "Black spider 2"), "Killing al the flies", "Rats of the Capital", "Friend of the night" (a que me fez descobrir esta magnifica sonoridade e com video mais a baixo), "We're no Here", "Tracy", "Superheroes of bmx", "Summer (priority version)" e, do mais recente albúm (The Hawk is Howling), as estrondosas "I'm Jim Morrison, I'm Dead" e "Scotland's Shame" são algumas das que oiço em modo de repetição!

Ah, e a explicação para os nomes é «We make up the music first and add the titles later. Because we don't use a singer, it's much harder to come up with a name for a song so it'll be something that one of us has said or seen that sounds good or makes us laugh or whatever. Arguably, the titles have nothing to do with the songs (see Golden Porsche or Secret Pint)»

Provavelmente, e sem o perceberem, muitos já se "cruzaram" com esta banda devido às suas participações em bandas sonoras de filmes como "Miami Vice" (2006), "Wicker Park" (2004) ou as séries "CSI Las Vegas" e "Sex and the City". Também os amantes do futebol e fãs de Zidade viram, por certo, o documentário "Zidane, un portrait du 21e siècle" onde todas as músicas são dos Mogwai. Nem Michael Moore lhes conseguiu resistir e usou a musica "Auto Rock" no seu documentário "Sicko" (2007).

Em 2009, 5 de Fevereiro, estiveram em Portugal (pela 2ª vez) e infelizmente, por "razões académicas", fui obrigado a falhar este concerto! Foi uma enorme desilusão... Ansiosamente aguardo pelo 3º concerto em Portugal!

Em 2006, os Mogwai entraram para o topo das minhas preferências... e mantêm-se até hoje!
Passaram a ser a terceira banda/grupo que acompanho com atenção e de quem faço questão de comprar todos os trabalhos juntando-se, assim, aos Sigur Rós e aos Blue Man Group.

Ainda que os gostasse de ver e ouvir trabalhar juntos, aqui fica desfeita a dúvida:
«Q: Did you ever collaborate with Sigur Ros? There are songs on the internet that say "Mogwai and Sigur Ros".
A: Nope. All Rubbish. Never have and never will.»

Este foi o vídeo com que descobri os Mogwai





E aqui fica uma das melhores, "Scotland's Shame" (é de ouvir e chorar por mais):






Aqui podem encontrar um pouco da história dos Mogwai.


07/01/2010

Este vale a pena no "Aspirina B"

Por norma não faço deste um ponto concentração de links para outros blogs assim como não é meu hábito colar aqui textos na integra de outros.
E não é agora que o vou fazer.

Mas porque cada vez que o Sr. Presidente da República se dirige a mim (sim, porque também um sou um dos portugueses) fala em código ou então toma-me por estúpido com os seus discursos, em grande parte, perfeitamente despropositados (para não dizer disparatados).
Para não fugir à regra, a mensagem de Ano Novo foi mais do mesmo!

Um texto que achei muito interessante e muito objectivo é o que escreve "Val" no "Aspirira B" (um dos poucos blogs que sigo com alguma regularidade). Não resisti em da-lo a conhecer.
Não vou colocar aqui o texto todo, pois ele tem um autor que não sou eu!

Deixo apenas um "adoçar de boca":
«A Mensagem de Ano Novo do Presidente da República condensa os lugares-comuns da retórica da impotência, característica dos discursos da direita em geral, e do PSD em especial. Que sentido tem repetir maniacamente que há desemprego e défice demasiado altos? Acaso só a direita é que está preocupada? Será que o Governo ignora os números, esse mesmo Governo que reduziu o défice quando pôde e apoiou as vítimas da crise internacional quando foi necessário? Este alarmismo estéril e tóxico, nunca se comprometendo com alguma solução, manifesta a paupérrima qualidade intelectual e cívica que constitui a actual direita.»


O resto podem ler aqui!

Já agora podem adiciona-lo aos "favoritos" para o continuarem a acompanhar! Vale mesmo a pena!


31/12/2009

Cheias no Peso da Régua... ou nem por isso.

Esta não podia deixar passar em claro...

Em 2006 o blog "
Eu Jornalista" dava conta dos estragos que as cheias haviam deixado no Peso da Régua. Em 2008 era o blog de Fernando Peneiras, "Peso da Régua em fotografia", que mostrava fotos das cheias na Régua.
Agora o Sr. Presidente da Câmara Municipal do Peso da Régua, Nuno Gonçalves, e mais alguns empresários estão indignados (e a comunicação social esfrega as mãos com mais esta parvoíce) porque o Centro de Previsão de Cheias do Douro falhou a previsão de cheias para a noite de 29 para 30 de Dezembro!

Em primeiro lugar, deveria este autarca, até porque é ele que está a dar a cara, perceber a definição de "previsão" (e se calhar até percebe, mas admiti-lo pode significar menos popularidade).
Uma "previsão", para quem não sabe, e sem entrar na área da etimologia, é sinónimo de conjectura que, por sua vez, significa, e qual quer bom dicionário de português o comprovará, nada mais que uma opinião de fundamento incerto!


Deveria este autarca e os "empresários" que se queixam de terem sido enganados, tendo por isso prejuízos, darem-se por muito contentes por se ter tratado apenas duma "previsão" (não concretizada, felizmente) em vez duma "certeza"!
Já ficou provado que o prejuízo causado por uma cheia é bastante superior ao dum "falso alarme".
Ainda assim, parece haver explicação para que as cheias não se tenham verificado.

Mas, imagino eu, em busca de subsídios ou compensações (os tugas são exímios nisso) há que, seja por que razão, declarar a existência de prejuízos.


O que seriam os seus comentários e os prejuízos materiais (já para não falar da comunicação social, sequiosa de polémicas) se não tivesse sido dado o alerta com base numa "previsão" e a subida do Douro se tivesse verificado efectivamente?!

Já sabíamos que na desgraça dos outros há sempre alguém que tenta retirar proveito... agora vemos que se tenta tirar proveito (seja lá qual for) mesmo quando essas desgraças não ocorrem.
Não deixa de ser grave um Presidente de Câmara manifestar dúvidas em relação à credibilidade de organismos como o Centro de Previsão de Cheias do Douro ou a Protecção Civil!

... mas tudo serve para aparecer uns minutos na TV!


30/12/2009

Tom Sharpe


Uma boa notícia de 2009, ainda que no final: Tom Sharpe, aos 81 anos, está de volta!

Fiquei a conhecer este autor através de amigos (Obrigado Paulo) e fiquei fã!
Tendo já lido «Wilt», «Alternativa Wilt», «Wilt na maior», «Wilt em parte incerta», «Balburdia na Cidade», «A grande aventura», «A epopeia de Mr. Skullion» e actualmente a "devorar" «Vícios ancestrais», destaco como livros seus que mais me "marcaram" o «Wilt» e «Balburdia na Cidade». Simplesmente fabulosos e muito divertidos!

Um autor com uma escrita dum detalhe fantástico das suas personagens e situações caricatas possibilitando ao leitor ter uma visão própria e clara do desenrolar das histórias que nos escreve. Confesso que, principalmente nos livros que destaquei, me proporcionou momentos de grandes gargalhadas em que me chegaram mesmo a vir lágrimas aos olhos.

O novo livro chama-se «Os Gropes» e foi editado em Portugal ainda em 2009, como habitualmente, pela Editorial Teorema e já está à venda (honestamente desconheço a partir de quando).

Já tenho em lista de espera «Uma mancha na paisagem», «O dilema de Grantchester Grind» e «O triunfo bastardo» mas o «Os Gropes» é uma compra certa e para muito breve!

Aparentemente, está já na calha um novo livro da saga Wilt para 2010!! Em inglês chama-se «The Wilt Inheritance».
Fico ansiosamente à espera da edição portuguesa...

Este é um autor que, para que gosta de ler e daí retirar momentos de boa disposição, recomendo vivamente. Como é natural, há histórias mais divertidas que outras, mas todas elas (das que já li) conseguiram com que tivesse momentos muito bem dispostos.

A Editorial Teorema tem recentemente reeditado algumas obras de Tom Sharpe, como a saga Wilt (fantástica!!), mas ainda se conseguem encontrar em algumas livrarias conhecidas ou mesmo em alfarrabistas as primeiras edições em português com preços bastante agradáveis. Vale a pena!

Fica a capa da edição portuguesa de «Os Gropes» (pena que não tenham seguido a linha gráfica das edições anteriores)

29/12/2009

2009 e os vírus informáticos

A PandaLabs (Panda Security) divulgou hoje a lista daqueles que considerou os vírus do ano 2009.
Não deixa de ser curiosa a tipificação que faz:

# O mais problemático: Conficker.C

# O mais ilusório: Samal.A

# O mais vingativo: DirDel.A

# O mais viajado: Sinowal.VZR

# O mais multi-facetado: Whizz.A

# O mais bisbilhoteiro: Waledac.AX

# O mais afectivo: BckPatcher.C

# Os mais hipocondríacos: WinVNC.A e Sinowal.WRN

# O mais incompetente: Ransom.K

# O mais enganador: FakeWindows.A

# O mais festivo: Banbra.GMH


Não deixa de ser curiosa a atribuição do "mais incompetente":
«O Ransom.K (www.pandasecurity.com/homeusers/security-info/214317/Ransom.K) é um trojan que encripta documentos nos computadores infectados, exigindo 100 dólares de resgate para os libertar. No entanto o seu criador, provavelmente por falta de experiência, incluiu um erro de programação que permitia aos utilizadores libertar os ficheiros com uma simples combinação de teclas.»

Podem encontrar as razões da atribuição dos títulos a cada um deles aqui.


28/12/2009

Mas afinal o que é que interessa?

Já andava há algum tempo à procura deste (mais um) momento perfeitamente esclarecido da líder do maior partido da oposição.
Não posso deixar de ficar apreensivo com este tipo de situações quando são estas pessoas que, eleitas deputados na Assembleia da República e erradamente se julgam detentores do poder governativo (uma responsabilidade exclusiva do Governo eleito), se declaram representantes duma parte da população votante.

A Sra. Manuela Ferreira Leite, no seguimento de toda uma campanha eleitoral pouco esclarecida e de tendência quase que apocalíptica (até me admirei que não tenha previsto também o descalabro grego e apontado esse como o nosso caminho), e não tendo ainda percebido que perdeu as eleições, continua a anunciar o fim do mundo naquele estilo tão Medina Carreira que também a caracteriza.
(lembram-se dos seus tempos no Ministério da Saúde e Finanças?! Não é de agora...)

Só posso chegar à conclusão que o que a Sra. diz «não interessa» porque nem ela percebe o que escreve ou que quer dizer.
O que interessa é dizer que os outros não prestam... e quando a oposição se resume a isto, eu fico preocupado!

Deixo aqui o vídeo que espelha (mais uma vez) a liderança do PSD!



Novo Código Contributivo adiado

No país em que se transaccionam, através da SIBS, 380 milhões de euros só num dia, dia 23 de Dezembro, o adiamento do novo Código Contributivo promulgado pelo Sr. Presidente da República é visto pelo Sr. deputado do CDS Pedro Mota Soares como um passo importante para que o país não se afunde mais na crise (!?) que o assola.

Diz este Sr. deputado que com o Código Contributivo do Governo (Lei 110/2009), agora adiado na sequência das propostas de lei aprovadas pela oposição na Assembleia da República e respectiva promulgação presidencial, muitos trabalhadores iriam pagar «mais 100, 200 e até 300%» de impostos ao Estado.
É verdade!
Isso ia acontecer... mas também para esses mesmos trabalhadores, a protecção social ia estar «mais 100, 200 e até 300%» garantida. Pois é aos trabalhadores que iam pagar mais contribuições, nomeadamente à Segurança Social, que as empresas utilizam o actual Código Contributivo para "contornar" as suas obrigações para com o Estado utilizando mecanismos como "despesas de representação", "ajudas de custo", "fundos de pensões", "abonos de viagem" ou "despesas de transporte" para complementar salários.

O resultado da situação actual é óbvio: quando a verdadeira crise bate à porta, por exemplo o desemprego, o Estado que não recebe a contribuição social devida por parte do trabalhador e da empresa, terá que suportar o encargo e com o natural prejuízo para a pessoa em causa pois o valor deste apoio está naturalmente relacionado com os descontos por si feitos.

Parece-me que, desta vez, o Governo tem razão: com o actual código quem fica mesmo a perder são os trabalhadores.

O mais curioso disto tudo é ver partidos como o Bloco de Esquerda e do PCP pactuarem com estas (e outras) visões encabeçadas pelo PSD e CDS. A argumentação é que este adiamento proporcionará mais tempo para discutir o tema e encontrar a melhor solução... mas enquanto isso acontece, tudo continua na mesma... uma esquerda que exige mudança mas mostra vontade de que tudo fique na mesma.
Definitivamente, uma esquerda que parou no tempo e nem mesmo as evidências do passado a fazem mudar de atitude.


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