... e não disse nada que se aproveitasse!
O Sr. Presidente da República falou e, mais uma vez, não conseguiu ser claro nem na forma, nem no conteúdo, nem no objectivo.
Pretendeu justificar algo em que se viu envolvido (ou se envolveu) e tentou tapar o sol com uma peneira.
Já o aqui disse por mais do que uma vez, e esta declaração só vem dar mais força a esta ideia: a degradação das relações institucionais entre o Governo e a Presidência tem na instituição "Presidente da República" a principal responsável.
O Sr. Presidente Cavaco Silva começa a sua declaração dizendo que «não existe em nenhuma declaração ou escrito do Presidente qualquer referência a escutas ou a algo com significado semelhante».
Justifica, por isso, a sua decisão de afastar o assessor envolvido nesta polémica no facto de «o e-mail publicado deixava a dúvida na opinião pública sobre se teria sido violada uma regra básica que vigora na Presidência da República: ninguém está autorizado a falar em nome do Presidente da República, a não ser os seus chefes da Casa Civil e da Casa Militar. E embora me tenha sido garantido que tal não aconteceu, eu não podia deixar que a dúvida permanecesse. Foi por isso, e só por isso, que procedi a alterações na minha Casa Civil.»
Além de chegar à conclusão que todas as "fontes" da presidência, excepto os chefes da Casa Civil ou da Casa Militar, não são credíveis entendo também que há dois pontos importantes a reter: ou o responsável pelo jornal Público mentiu (e por escrito) inventado encontros e suspeitas, e o próprio Presidente a levanta també esta suspeita («Desconhecia totalmente a existência e o conteúdo do referido e-mail e, pessoalmente, tenho sérias dúvidas quanto à veracidade das afirmações nele contidas.») ou alguém na Presidência está a mentir.
Não posso, no entanto, de deixar de recordar as palavras de Nicolau Santos (cujas crónicas semanais no jornal Expresso sigo com alguma atenção) sobre o assessor que, segundo Cavaco Silva não falou com ninguém:
«Eu, que tive em Fernando Lima o meu primeiro chefe quando entrei no jornalismo, ponho as mãos no fogo: ele nunca daria um passo destes, num assunto extremamente sensível, sem a aquiescência, ou pelo menos o conhecimento de Cavaco Silva. Só quem não conhece Lima pode supor outra possibilidade.» (aqui).
Curiosamente, outras pessoas ligadas aos meios de comunicação também fazem este tipo de avaliação sobre o Sr..
No fim do discurso ficou, parece-me claro, tudo por esclarecer. As palavras de uns contra os escritos de outros.
No que me parece ser uma tentativa de justificar toda esta embrulhada em que viu envolvido, alude a «declarações de destacadas personalidades do partido do Governo» sobre a participação de membros da sua casa civil na elaboração do programa do PSD e que mais uma vez, segundo o Sr. Presidente, não passavam de mentiras («de acordo com a informação que me foi prestada, era mentira»).
Pois as referidas declarações não passavam de comentários e interpretações no seguimento de notícias publicadas sobre a participação de assessores da Presidência na elaboração do programa eleitoral do PSD, inclusivamente anunciadas pelo próprio PSD no seu sitio de Internet.
Parece-me que, também neste ponto, o Sr. Presidente terá sido mal informado.
A seguir voltam-se a misturar temas, anunciando que «A primeira interrogação que fiz a mim próprio quando tive conhecimento da publicação do e-mail foi a seguinte: “porque é que é publicado agora, a uma semana do acto eleitoral, quando já passaram 17 meses”?»
Será sou eu que não sei fazer contas ou as eleições foram a 27 de Setembro e a primeira notícia sobre as suspeitas de escutas na Presidência foram publicadas no jornal Público de dia 18 de Agosto?
Será que em Agosto todos podiam falar em nome do Presidente e da Casa Civil e só agora é que isso é ir contra a regra?
Por que razão, logo nessa altura, o Sr. Presidente Cavaco Silva não esclareceu que ninguém fala por ele?
Estranho timming, não?!...
Mas tudo isto, diz-nos o Sr. Presidente, com dois objectivos claros: colar a imagem do Presidente ao PSD e desviar as atenções dos portugueses dos assuntos que eram de facto importantes.
Esta parece-me ser a maior e a melhor evidência que a imagem do Sr. Presidente está de facto colada ao PSD. Não porque o PS o tenha feito ou tentado sequer, mas sim porque o próprio Presidente da República o faz.
É o Sr. Presidente Cavaco Silva que vem hoje anunciar (mais) uma teoria da cabala com origem no PS juntando-se assim, recordemos, ao PSD que passou uma campanha eleitoral inteira a promover este tipo de insinuações infundadas desviando, isso sim, as atenções do que de facto era importante discutir.
Se isto não é colar imagens ou discursos então não sei o que será!
No fim, nem sei bem a que propósito, ficamos todos a saber que toda situação culmina no facto do sistema de comunicações da Presidência não apresentar um nível de segurança que seria desejável.
Recorde-se que, mesmo com «vulnerabilidades», o e-mail que coloca um assessor da Presidência e o próprio Presidente no centro de toda a polémica não saiu da Casa Civil mas sim do Jornal Público (ainda que o sistema de comunicações não tivesse sido violado como concluíram elementos desse órgão de comunicação social)
Em conclusão:
o sr. Presidente, como o fez já em situações anteriores, veio ocupar espaço de antena de forma completamente atabalhoada e sem qualquer explicação cabal, lançado para a praça pública declarações sem qualquer fundamentação baseadas em interpretações pessoais.
Se as relações entre a Presidência e o actual e futuro Governo (assim se espera) já não estavam estáveis, o Sr. Presidente veio colocar mais uma acha na fogueira com aquilo que considero ser uma tentativa de sacudir a responsabilidade duma situação que continua por esclarecer. Perdeu-se hoje mais uma boa oportunidade para esclarecer toda esta situação e criaram-se condições para continuar a alimentar todos estes disparates e complexos de perseguição.
Ou terá sido esta uma forma encontrada no sentido de criar condições para "justificar" alguma surpresa futura?... Os próximos dias o dirão...
29/09/2009
27/09/2009
Resultados I

Estão apurados os resultados para as 4.260 freguesias, faltando ainda os votos dos portugueses no estrangeiro que equivalem a 4 mandatos na AR.
Perante estes resultados, ainda que provisórios, podemos verificar o seguinte:
- A julgar pela distribuição dos dois mandatos da "Europa" e os outros dois de "Fora da Europa" em eleições anteriores, muito provavelmente os PS ficará com 97/98 deputados e o PSD 81/80;
- Numa primeira análise, o PS terá perdido cerca de meio milhão de votos (504.741) e, a confirmar-se o ponto anterior, terá menos 24 deputados na Assembleia da República. Ainda assim deverá considerar-se um bom resultado tendo em vista a iniciativa reformista que este Governo teve e o clima social e económico que vivemos (em verdade, não exclusivamente português);
- O PSD terá aumentado o número de votos em relação ao resultado de 2005 nuns aparentes 6.857 votos (3 deputados), isto é, mais 0,39% que o resultado obtido por Pedro Santana Lopes. No entanto, devemos lembrar que na altura o PSD concorreu coligado com o PPM e MPT que equivalem a cerca de 15.000 votos (visto que o MPT este ano se coligou com o PH, que em 2005 obteve mais de 16.000 votos, considero para efeitos apenas os votos do PPM que são facilmente identificáveis). Penso, por isso, que podemos arredondar os números e estimar que, para já, o PSD terá tido um aumento real de cerca de 20.000 a 22.000 votos nestas eleições - "objectivo cumprido" dizem alguns dirigentes do partido ainda que reconheçam a derrota (tal como previa, os únicos a fazê-lo) visto que pretendiam ser o partido mais votado.
Julgo que o PSD perdeu muito em centrar a sua campanha nas "conspirações" e, principalmente, no apelo ao voto de protesto.
Já começaram a soar as vozes discordantes e, como era expectável, António Preto e Helena Lopes da Costa foram eleitos para deputados na AR pelo círculo eleitoral de Lisboa.
Com este resultado, uma repetição do obtido em 1985, não se prevêem dias pacíficos no interior do PSD.
- O BE aumentou o número de votos em 192.702 e com isso a sua representação na AR passou de 8 para 16 deputados. Deixa assim de ser o 5º partido com representação parlamentar passando a ser o 4º.
A maior "queda", ainda que também com aumento de votos (mais 14.174) e deputados (mais 1), é a da CDU que deixa de ser a 3ª força representada para passar a ser a 5ª.
- Paulo Portas e o CDS-PP conseguiram dois objectivos importantes: serem superiores ao BE e assumirem-se como a 3ª força na AR. A campanha centrada na questão dos subsídios, nomeadamente o RSI, conseguiu chamar muitos eleitores a votar CDS-PP. Verifica-se um aumento de 177.142 votos e 9 deputados.
Com este resultado, Paulo Portas e os seus deputados podem ter adquirido um valioso "poder negocial" no que respeita à aprovação de diplomas no Parlamento... e Portas sabe disso.
- Constata-se que PSD e CDS-PP juntos, comparativamente com 2005, tiveram um aumento de votos que rondam os 185.000 a 200.000 este ano significando que esta duas forças cresceram apenas 3% a 4% em relação a 2005, muito graças ao CDS.
- A abstenção, a confirmar-se nos 39,40%, é a maior desde 1976. Este foi também o acto eleitoral com maior número de inscritos.
- Com o aumento dos inscritos e da abstenção verificados nestas eleições, parece-me pouco correcto, sem dados que o comprovem, especular sobre as deslocações do eleitorado.
Para ver melhor o quadro que elaborei basta premir em cima da figura.
Voltarei ao tema assim que os resultados sejam definitivos e com as devidas actualizações.
Projecções - Análise
Foram conhecidas as primeiras projecções (CESOP, Eurosondagem e Intercampus) que dão a vitória ao PS.
Como habitualmente em todas as outras eleições anteriores, todos os partidos são vencedores... mesmo que não ganhem!
Há sempre objectivos atingidos e feitos conquistados (curiosamente nunca há perdedores).
Para estes resultados prevejo o mesmo discurso com excepção para o PSD.
A confirmarem-se as projecções é o maior perdedor de todos.
A expectativa centra-se nos resultados nacionais do CDS-PP e BE e no resultado final do PSD.
No que concerne ao primeiro ponto de interesse, ficaremos a saber se o objectivo do CDS-PP em retornar ao lugar da 3ª força política na AR (com isso ficar à frente do BE), será ou não atingido e que consequências isso terá na direcção do partido - recordemos as razões da demissão de Paulo Portas na sequência dos resultados das legislativas de 2005.
O segundo aspecto é o resultado final do PSD, visto que todas as projecções, e já aqui anunciadas, admitem como provável um resultado inferior ao de 2005 (28,70%).
Um dado que se verifica desde já, é a perda da maioria absoluta pelo PS, e que será aproveitada para justificar os resultados dos partidos de oposição. Há que realçar, no entanto, que as projecções apontam para um bom resultado se tivermos em conta o ambiente social e económico em que vivemos.
Dois pormenores:
- As forças de "esquerda" permanecem em maioria na Assembleia da República;
- A abstenção perspectiva-se superior à verificada em eleições anteriores (34,98% em 2005). Mais alta até que aque se verificou em 1999 (38,16%).
Como habitualmente em todas as outras eleições anteriores, todos os partidos são vencedores... mesmo que não ganhem!
Há sempre objectivos atingidos e feitos conquistados (curiosamente nunca há perdedores).
Para estes resultados prevejo o mesmo discurso com excepção para o PSD.
A confirmarem-se as projecções é o maior perdedor de todos.
A expectativa centra-se nos resultados nacionais do CDS-PP e BE e no resultado final do PSD.
No que concerne ao primeiro ponto de interesse, ficaremos a saber se o objectivo do CDS-PP em retornar ao lugar da 3ª força política na AR (com isso ficar à frente do BE), será ou não atingido e que consequências isso terá na direcção do partido - recordemos as razões da demissão de Paulo Portas na sequência dos resultados das legislativas de 2005.
O segundo aspecto é o resultado final do PSD, visto que todas as projecções, e já aqui anunciadas, admitem como provável um resultado inferior ao de 2005 (28,70%).
Um dado que se verifica desde já, é a perda da maioria absoluta pelo PS, e que será aproveitada para justificar os resultados dos partidos de oposição. Há que realçar, no entanto, que as projecções apontam para um bom resultado se tivermos em conta o ambiente social e económico em que vivemos.
Dois pormenores:
- As forças de "esquerda" permanecem em maioria na Assembleia da República;
- A abstenção perspectiva-se superior à verificada em eleições anteriores (34,98% em 2005). Mais alta até que aque se verificou em 1999 (38,16%).
Afluência - 16h
Até às 12h00 haviam participado 21,29% do eleitores. Cerca de 200 mil a mais que em 2005.
No entanto, às 16h00 haviam já votado 43,30%. Em 2005, à mesma hora, contavam-se cerca de mais 380 mil eleitores do que este ano - a participação rondava na altura os 51%.
Só às 20h00 ficaremos a saber se a abstenção este ano será superior ou inferior à das últimas legislativas.
No entanto, às 16h00 haviam já votado 43,30%. Em 2005, à mesma hora, contavam-se cerca de mais 380 mil eleitores do que este ano - a participação rondava na altura os 51%.
Só às 20h00 ficaremos a saber se a abstenção este ano será superior ou inferior à das últimas legislativas.
25/09/2009
Sondagens e Campanhas
Apesar do volume de sondagens feitas no período que antecede estas legislativas, e para as quais fiz uns gráficos de variação (evolução) para melhor análise, é preciso deixar claro o seguinte: as sondagens não são previsões!
Não será de espantar se os resultados finais se revelarem, em alguns casos, bastante mais além das margens de erro apresentadas pelas empresas e centros de sondagens (a mais baixa de 1,75% e a mais alta 3,58%) pois um dado importante em todos estes estudos de opinião foi a elevada percentagem dos "Não Sabe/Não Responde".
A campanha eleitoral.
Foi melhor a pré campanha do que a campanha eleitoral. A razão é simples: na pré campanha foram apresentados, discutidos e desmistificados programas eleitorais (uns mais que outros) pelo seu maior ou menor conteúdo e na campanha eleitoral as ideias ficaram para trás sendo que o centro da discussão foram casos, pseudo-casos, coligações imaginárias ou maledicência.
CDU - Humildade do seu líder. Jerónimo de Sousa consegue cativar pela simpatia. Pena que o discurso se repita.
BE - A desconfiança no programa do BE começa na pré campanha com a questão dos benefícios fiscais que pretende eliminar. A questão dos dirigentes do partido que apostaram em PPR's e em acções na bolsa (outra bandeira do partido) também não ajudaram a manter a imagem que Louçã, directamente envolvido, transmitia de seriedade e coerência.
Ficaram por explicar os custos, formas e consequências das nacionalizações propostas.
Já agora, «Fim de rodeos», essa actividade tão portuguesa, é na verdade uma proposta do BE - página 76!
CDS-PP - Portas soube explorar a sua imagem, a questão da segurança (ou a falta dela) e o RSI. Atacou os partidos da esquerda e ainda o PSD, este último sempre com muito jeitinho não vá ter que se coligar novamente.
Demasiadas propostas demagógicas.
PSD - Um partido que conseguiu em ambos os períodos (pré campanha e campanha) mostrar-se pouco preparado para ser alternativa. Muitas contradições e incoerencias, o repetitivo discurso da "asfixia" (com dois monumentais tropeções: a asfixia democrática que não existe na Madeira mas existe no continente e o caso das escutas que afinal não tiveram qualquer interferência do Governo). Ainda o "caso TVI", onde apenas existem suposições mas que são usadas como certezas, demasiadamente usado esquecendo o caso TVI/Marcelo Rebelo de Sousa onde o PSD foi protagonista principal; a desculpa despropositada de que o TGV interessa mais aos espanhóis e que as obras públicas contribuem certamente para dar emprego a ucranianos e cabo-verdianos; enfim, um rol de atrapalhações e aberrações que não contribuem certamente para credibilizar o (vago) programa eleitoral do partido assim como transmitir confiança ao eleitorado (ou pelo menos uma parte dele).
Julgo que escapou aos olhos dos jornalistas que tanto gostam de "casos" a pouca importância que a líder do PSD deu a Pedro Passos Coelho que, apesar de afastado por esta, apareceu na campanha.
A inclusão de candidatos acusados de corrupção e a forma como as listas foram elaboradas (afastando as vozes discordantes) não contribuiu em nada para a suposta "Política de Verdade" do PSD.
No meio de tudo isto, ficaram por apresentar as propostas e soluções do PSD para Portugal.
PS - Uma grande máquina de campanha a funcionar. Sócrates centrou-se na apresentação do trabalho realizado em 4 anos e no que pretende para os próximos 4. Deixou para outras figuras os principais ataques à oposição. Marcou pontos quando conseguiu encostar o BE à extrema esquerda desmontando parte do programa eleitoral e beneficiou ainda com a denúncia da eventual tentativa por parte da presidência de encomendar notícias que colocariam em risco a imagem do Governo (acentuada com o afastamento dum elemento da Casa Civil por iniciativa do Presidente da República).
O "caso TVI", sem que haja qualquer dado factual que comprove a relação PS/Governo com a situação, demagogicamente aproveitado, e a opinião de Mário Soares sobre eventuais coligações (quando para qualquer dos partidos o tema estava encerrado) pode ter custado ao PS alguns votos durante este período eleitoral.
Não obstante a união no PS conseguida nesta campanha, as medidas implementadas (e necessárias), nem sempre da melhor forma, nos 4 anos deste Governo custaram certamente a renovação da maioria absoluta.
São as vicissitudes de se implementar reformas que englobam os "poderes instalados" e a resistência natural do ser humano à mudança (mesmo antes de saber quais as consequências dessa mudança).
Ainda assim, é importante votar. Mas mais importante é votar em consciência. É necessário distinguir a realidade da demagogia e da utopia.
Acho que, apesar de ter sido uma má campanha eleitoral com consequências para imagem da classe política, ficaram claros os caminhos que cada partido pretende para Portugal.
É necessário escolher e escolher bem!
As cartas estão na mesa... os trunfos estão à vista!
Não será de espantar se os resultados finais se revelarem, em alguns casos, bastante mais além das margens de erro apresentadas pelas empresas e centros de sondagens (a mais baixa de 1,75% e a mais alta 3,58%) pois um dado importante em todos estes estudos de opinião foi a elevada percentagem dos "Não Sabe/Não Responde".
A campanha eleitoral.
Foi melhor a pré campanha do que a campanha eleitoral. A razão é simples: na pré campanha foram apresentados, discutidos e desmistificados programas eleitorais (uns mais que outros) pelo seu maior ou menor conteúdo e na campanha eleitoral as ideias ficaram para trás sendo que o centro da discussão foram casos, pseudo-casos, coligações imaginárias ou maledicência.
CDU - Humildade do seu líder. Jerónimo de Sousa consegue cativar pela simpatia. Pena que o discurso se repita.
BE - A desconfiança no programa do BE começa na pré campanha com a questão dos benefícios fiscais que pretende eliminar. A questão dos dirigentes do partido que apostaram em PPR's e em acções na bolsa (outra bandeira do partido) também não ajudaram a manter a imagem que Louçã, directamente envolvido, transmitia de seriedade e coerência.
Ficaram por explicar os custos, formas e consequências das nacionalizações propostas.
Já agora, «Fim de rodeos», essa actividade tão portuguesa, é na verdade uma proposta do BE - página 76!
CDS-PP - Portas soube explorar a sua imagem, a questão da segurança (ou a falta dela) e o RSI. Atacou os partidos da esquerda e ainda o PSD, este último sempre com muito jeitinho não vá ter que se coligar novamente.
Demasiadas propostas demagógicas.
PSD - Um partido que conseguiu em ambos os períodos (pré campanha e campanha) mostrar-se pouco preparado para ser alternativa. Muitas contradições e incoerencias, o repetitivo discurso da "asfixia" (com dois monumentais tropeções: a asfixia democrática que não existe na Madeira mas existe no continente e o caso das escutas que afinal não tiveram qualquer interferência do Governo). Ainda o "caso TVI", onde apenas existem suposições mas que são usadas como certezas, demasiadamente usado esquecendo o caso TVI/Marcelo Rebelo de Sousa onde o PSD foi protagonista principal; a desculpa despropositada de que o TGV interessa mais aos espanhóis e que as obras públicas contribuem certamente para dar emprego a ucranianos e cabo-verdianos; enfim, um rol de atrapalhações e aberrações que não contribuem certamente para credibilizar o (vago) programa eleitoral do partido assim como transmitir confiança ao eleitorado (ou pelo menos uma parte dele).
Julgo que escapou aos olhos dos jornalistas que tanto gostam de "casos" a pouca importância que a líder do PSD deu a Pedro Passos Coelho que, apesar de afastado por esta, apareceu na campanha.
A inclusão de candidatos acusados de corrupção e a forma como as listas foram elaboradas (afastando as vozes discordantes) não contribuiu em nada para a suposta "Política de Verdade" do PSD.
No meio de tudo isto, ficaram por apresentar as propostas e soluções do PSD para Portugal.
PS - Uma grande máquina de campanha a funcionar. Sócrates centrou-se na apresentação do trabalho realizado em 4 anos e no que pretende para os próximos 4. Deixou para outras figuras os principais ataques à oposição. Marcou pontos quando conseguiu encostar o BE à extrema esquerda desmontando parte do programa eleitoral e beneficiou ainda com a denúncia da eventual tentativa por parte da presidência de encomendar notícias que colocariam em risco a imagem do Governo (acentuada com o afastamento dum elemento da Casa Civil por iniciativa do Presidente da República).
O "caso TVI", sem que haja qualquer dado factual que comprove a relação PS/Governo com a situação, demagogicamente aproveitado, e a opinião de Mário Soares sobre eventuais coligações (quando para qualquer dos partidos o tema estava encerrado) pode ter custado ao PS alguns votos durante este período eleitoral.
Não obstante a união no PS conseguida nesta campanha, as medidas implementadas (e necessárias), nem sempre da melhor forma, nos 4 anos deste Governo custaram certamente a renovação da maioria absoluta.
São as vicissitudes de se implementar reformas que englobam os "poderes instalados" e a resistência natural do ser humano à mudança (mesmo antes de saber quais as consequências dessa mudança).
Ainda assim, é importante votar. Mas mais importante é votar em consciência. É necessário distinguir a realidade da demagogia e da utopia.
Acho que, apesar de ter sido uma má campanha eleitoral com consequências para imagem da classe política, ficaram claros os caminhos que cada partido pretende para Portugal.
É necessário escolher e escolher bem!
As cartas estão na mesa... os trunfos estão à vista!
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