12/09/2009

Postas de pescada...

Quando li que o Sr. Medina Carreira no seu livro, que lançará no dia 14/09, «arrasa a classe política e dá as suas soluções para 'endireitar o País'» fiquei admirado. Não pelo facto de lançar (mais um) livro, nem pelo facto deste arrasar a classe política - o costume. A minha admiração deve-se ao facto de dar «as suas soluções para 'endireitar o País'». Isto sim, é novidade numa pessoa que quando lhe perguntam quais as soluções e alternativas para evitar os cenários catastróficos que preconiza responde com um «não sou eu que tenho que encontrar soluções» ou «eu não faço parte do Governo».

Confesso que coloquei na minha lista de compras este livro de Medina Carreira, quebrando assim uma determinação minha em evitar comprar maus livros. Seria este a excepção, apenas pela curiosidade de conhecer estas soluções. Mesmo correndo o risco de encontrar soluções do mesmo tipo que dava enquanto Minístro das Finanças, quando confrontado com o aumento dos combustíveis: «[os portugueses que] andem de burro»!

No entanto li a entrevista deste Sr. à revista Visão. Começa, como todas as outras, com as raízes e origens do entrevistado e as "dificuldades" como atingiu o curriculum e estatuto actual.
Depois de ter terminado de ler a entrevista a este antigo Ministro das Finanças licenciado em Direito fiz um risco na minha lista de compras. Mantenho meu princípio: dinheiro gasto em livros, só mesmo em bons livros.
Concluo que o Sr. Medina Carreira continua igual a si próprio.

Destaco aqui pequenos pormenores reveladores das previsões e soluções que MC nos poderá dar:

«Com 27 anos, como viu a candidatura de Humberto Delgado?
Viu-se que o regime ia descambar. Mas o desmoronamento foi em 1960, 1961. E eu vejo hoje Portugal a desmoronar-se de forma parecida: sem norte, sem chefia esclarecida, sem elasticidade, sem capacidade de adaptação... Sinto hoje um Portugal tão trémulo como nos últimos dez anos do Estado Novo.»

- Qual Zandinga qual quê...


«Como se vê nas suas intervenções, e neste novo livro, continua zangado - e um pessimista inveterado.
Sou um pessimista sob condição. Se continuarmos com estas instituições a funcionar tal como estão, os dirigentes políticos que para aí andam e mais o seus acólitos, que vivem da política, eu sou um imenso pessimista.»


«Os políticos profissionais também estão no poder noutros países da União, que estão melhor que nós...
Sim, é essa a diferença. Nós somos mais pobres e estamos a ficar ainda mais pobres, em relação à Europa.»

- Qual é, afinal, a diferença...?


«Mas o senhor já fazia previsões catastróficas há dez ou 15 anos. Nesta altura Portugal já não devia existir. O que correu menos mal?Catastróficas, não! O que eu digo - e se calhar, essa mensagem não passa - não é para "amanhã". A sociedade portuguesa está viciada em falar "ontem" para "amanhã". Ora, a direcção que o nosso País leva não se mede entre dois centímetros, mas em dois metros. E se vir como estávamos em 2000 e como estaremos em 2010, verá. A longo prazo, anda não errei nada! Em 1995 escrevi um livro sobre políticas sociais. E disse que era absolutamente necessária uma reforma da Segurança Social antes do séc XXI. Ela só se fez agora, em 2006... Este ministro fazia parte da equipa que engonhou aquilo tudo. Disseram ao Guterres que isto estava garantido até ao fim do séc. XXI! Quem percebe isto dez anos depois, não deve ser ministro!»

«Mas olhe que os economistas falham muito nas suas previsões. Viu-se na crise e está a ver-se nas previsões sobre a retoma...
O problema é diferente. Temos de olhar para os gráficos. Para a evolução da nossa Economia. A tendência de estagnação e empobrecimento. É perante esta tendência que eu digo "cuidado". Porque, ao mesmo tempo que temos uma economia menos produtiva, temos um estado que exige cada vez mais meios para sustentar os seus compromissos sociais! E a despesa social está a crescer três vezes mais do que a Economia!»

- Os economistas falham... mas MC não falha porque é formado em Direito... será essa a razão?


«Mas a deslocalização do investimento não afecta só Portugal. Também afecta os nossos parceiros, onde há mais protecção aos trabalhadores.
Os governos têm de dizer: 'Meus senhores, ou querem os empregos e passam a ganhar menos, ou querem mais dinheiro e não há tantos empregos'. As pessoas podem optar - e a democracia é isto. O País pode dizer: ' Ah, então antes queremos ser pobrezinhos, enrascados, passar o tempo na praia a apanhar sol' e tal. Pronto, então tudo bem. Ou então as pessoas querem viver melhor - e a malta quer viver melhor, coitada! E com toda a legitimidade.»

- ... revelador!


«Mas, no seu tempo, a Educação tinha melhor qualidade? Com meio país analfabeto? E se tinha, como chegámos à situação actual?
Lá está você a confundir! Para as pessoas aprenderem não era preciso estarem lá todos! O abandono escolar, quando é feito por aqueles que não andam lá a aprender nada, é uma coisa boa! Nem gastam dinheiro à gente nem chateiam os outros! Esta ideia imbecil da escola inclusiva serve para depositar dentro de quatro paredes uns tipos! Para que o eng.° Sócrates e a Maria de Lurdes Rodrigues lhes passem, depois, um papelucho! Um tipo com cabeça devia perguntar, olhando para o papelucho: 'E isto serve para limpar o quê?'

Mas exagera um bocadinho. No seu tempo, em que a escola era tão "boa", havia 30 ou 40% de analfabetos. Hoje não há uma criança que não saiba aceder à internet. Não acha que melhorámos?

Se a criança souber ler, escrever, ler, contar, pensar, expor, tudo bem. O Magalhães vai morrer por si próprio. As crianças escangalham aquilo tudo rapidamente ou vendem-no na Feira da Ladra...
»

- O nível da entrevista pode mesmo deixar a dúvida, não relativamente à qualidade escolar daquele tempo mas sim à qualidade dos alunos... melhor, do aluno!



E o chorrilho dos habituais disparates de Medina Carreira continuam aqui!


Louçã, o menino.

O título não é meu. É de Henrique Cardoso, colunista no jornal Expresso.
Li-o a semana passada na edição impressa mas hoje já posso colocar aqui o link para o lerem online.

Uma crónica interessante de ler. Ficamos a conhecer um pouco as atitudes do líder do BE.

«[...]Louçã concede-me as suas raízes aristocratas, e eu ofereço-lhe as minhas raízes plebeias. Para enorme benefício profissional, eu ascenderia à aristocracia da esquerda caviar. Para enorme benefício psicológico, Louçã adquiriria origens proletárias. Uma troca justa.»

Vale a pena ler.

10/09/2009

Olha para o que digo e não para o que faço...

Os acontecimentos dos últimos dias são inacreditáveis e, diria até, inadmissíveis quando são protagonizados por políticos profissionais com aspirações a chefiarem o Governo de Portugal.

Antes de ir à asfixia e à Madeira, não posso manifestar a minha total estupefacção com as declarações do Sr. Louçã relativamente à adjudicação de obras com preços inflacionados por parte do actual Governo.

Estas declarações, ainda que ostentadas como bandeira de campanha do BE uns dias antes, tiveram um maior impacto no debate de dia 8 de Setembro.
Nesse mesmo dia quando esse argumento foi contrariado ainda teve a coragem de ironizar dizendo que já se sabia como é o caso ia acabar.

Já tive oportunidade de o dizer aqui: não gosto que tentem fazer de mim parvo!
Por isso, é importante que o Sr. Louçã, um político profissional, seja honesto naquilo que diz. E lembro que já no dia 20 de Agosto, cerca de 3 semanas antes do debate, o Jornal de Notícias dava conhecimento de que já tinham sido comunicadas «recomendações de não adjudicação devido ao aumento do Valor Actualizado Líquido (VAL) do esforço financeiro da EP da primeira para a segunda fase do concurso.»


Demagogia radical à parte, fico muito apreensivo e receoso quando ouvi chamar "bom Governo" ao que é praticado pelo Sr. Jardim. Medo...
Mas temos que ser justos e fazer aqui uma correcção: a Sra. não disse que o que faz o Sr. Jardim é um «exemplo de um bom Governo». Na verdade, o que disse foi que o que ali existe é um «exemplo de um bom Governo PSD». E, verdade seja dita, tem toda a razão!
Quando desta forma tão clara se explica o que se entende por um «bom Governo PSD», realmente, para que se precisa dum programa eleitoral?
Acho que ficam cada vez mais claras as opções de escolha para o próximo dia 27 de Setembro.
Não pude deixar de reparar que para a pré-campanha eleitoral dum partido, neste caso do PSD, se usam recursos do Governo Regional da Madeira, nomeadamente viaturas oficiais, pagos com recurso a impostos.
Ora aqui está outro belo exemplo que o PSD dá aos portugueses relativamente ao controlo da despesa pública (já para não falar do período 2003-2005).

Ainda em terras do Sr. que ocupa o cargo de Presidente do Governo Regional da Madeira e que aos jornalistas que não concordam com ele responde «fuck them»*, a Sra. Manuela Leite ousa falar em «asfixia democrática» em Portugal continental e na inexistência dela no arquipélago madeirense.

Achei muito interessante o editorial do Jornal de Negócios do dia 8 de Setembro assinado pelo Director Pedro Santos Guerreiro:
«O critério de Manuela Ferreira Leite para identificar a Madeira como um exemplo do melhor do que o PSD é e quer ser é o mesmo com que Elvis Presley vendia discos há 50 anos: tantas pessoas não podem estar erradas. Ir à Madeira negar a asfixia democrática é como ir à China celebrar o respeito pelos direitos humanos. O banho de multidão é encantório e ainda ontem fez parar o trânsito - e talvez também o cérebro.»

Andei a vasculhar os meus arquivos e encontrei um discurso do qual deixo aqui uma pequena parte:
«A Senhora Dr.ª Manuela Ferreira Leite, a Quem muito prezo e respeito e que tenho pena que não esteja aqui para ouvir isto, faria um grande Serviço ao partido, não se candidatando. Não tem hipóteses de ganhar 2009. Se a Senhor Dr.ª Manuela Ferreira Leite, ou outros de certo modo exóticos, persistem em ir para a frente, representarão, todos, sem excepção meras facções do partido. Com o risco de fazerem o Partido implodir, na sequência das eleições internas. Não tenham ilusões!»
O autor deste discurso foi proferido pelo Sr. Jardim no Conselho Nacional do PSD em Agosto de 2008.

* Foi muito o alarido feito com o gesto feito pelo ex-Ministro Manuel Pinho, e que lhe valeu a demissão. Mas onde está a reacção da suposta classe jornalística às palavras injuriosas (mais uma vez) do Sr. Jardim?
Desta vez foi ainda mais directo aos jornalistas: «fuck them».

Umas vezes reagem como "virgens ofendidas" e noutras revelam-se muito distraídos. Ou será este um exemplo da não existência da «asfixia democrática»?



07/09/2009

Debates - Vira aos 5...

A primeira parte dos 10 debates que antecedem as legislastivas de 2009 está concluída. Verdade seja dita que de debate tem muito pouco. É mais um frente a frente do que outra coisa qualquer até porque o modelo escolhido não promove uma verdadeira discussão de ideias e propostas.

Esta é a minha visão dos primeiros 5 "encontros":

Sócrates vs Portas
- Esperava um "debate" forte e agressivo e rico em discussão. Como referi antes, o modelo de debate não deu liberdade a essa discussão e serviu, em algumas das vezes, para os candidatos se refugiarem evocando a necessidade de respeito pelas regras.
Falou-se muito do passado e pouco do futuro. Discussão parca em ideias para o futuro. Muita demagogia na contra-argumentação das iniciativas aplicadas pelo Governo.
Ficou ainda por explicar por que razão uma das bandeiras eleitorais do CDS-PP contra o actual Governo foi aprovada com os votos do partido de Paulo Portas.

Louçã vs Jerónimo
- Confesso que já o apanhei quase a meio, mas fiquei com a impressão que não perdi muito. Alguma convergência nas ideias e com os ataques dirigidos unicamente ao Governo e ao PS com o objectivo claro de chamar assim eleitores do espectro socialista.
Tanto BE como PCP, e na sequência dos programas eleitorais que apresentaram, podem dar-se ao luxo de defender teorias e ideias que agradam ao ouvido do eleitorado pois claramente são partidos, e disso têm noção, que dificilmente se verão na posição de ter que formar um Governo.
De debate, pouco ou nada houve, ainda que a moderadora tenha espicaçado os dois candidatos ao contraditório.
É de facto mais fácil à distância, e para os órgãos de comunicação social, atacar adversários da mesma ala política em vez de o fazer olhos nos olhos.
Julgo que perderam aqui uma excelente oportunidade de clarificar ou acentuar as diferenças entre os dois partidos. Imperou uma estratégia calculista.

Sócrates vs Jerónimo
- Um frente a frente tranquilo e sem grades confrontos. Não interessa a José Sócrates hostilizar os militantes comunistas. Jerónimo de Sousa também optou pela prudência na escolha das palavras, seguramente para não fechar as portas a um possível futuro entendimento (pelo menos parlamentar).
Esta tónica calma e delicada, onde só o código do trabalho serviu para amornar a discussão, deveu-se seguramente à estratégia do líder socialista, logo no início, em estabelecer como alvo dos ataques políticos os partidos da direita.
Notou-se que Jerónimo se encontrava mal preparado para a discussão dos problemas e por isso teve de se socorrer dos chavões comunistas que facilmente ficam no ouvido sem que se saiba muito bem o seu significado. Sócrates, naturalmente, beneficiou com disso.

Ferreira Leite vs Louçã
- Esperava mais de Louçã e menos de Manuela Ferreira Leite. Conciso nas ideias conseguiu com que um dos argumentos de Manuela Ferreira Leite fosse um «é a vida!». Uma vez mais, defendendo medidas mais radicais e só possiveis de defender porque não formará Governo, logo não as poderá nunca aplicar, colocou a sua opositora algumas vezes em situação de fraca contra-argumentação.
Foi uma discussão de ideologias, bem aproveitada pelo candidato do BE.
Um aspecto interessante, e com pouca ressonância na comunicação social do dia seguinte, foi o facto de MFL ter admitido o sucesso da sustentabilidade e viabilidade conseguidas na Segurança Social pelo actual Governo. Ficámos também a saber que o que não consta no programa eleitoral do PSD não será mexido. Ou porque está bem ou porque não é prioritário mexer. Se não se fala, então não se mexe.
Preocupam-me estas omissões e a falta de clarificação de ideias no que concerne a determinadas áreas... fica-se sem saber claramente qual a visão do PSD para determinados sectores da sociedade.

Jerónimo vs Portas
- Este era o debate onde não esperava nada de novo. E assim aconteceu.
Uma vez mais, Jerónimo de Sousa pouco à vontade e naturalmente voltaram a emergir chavões como «aparelho produtivo», «bem de Abril» ou «programa constitucional». Tentou direccionar a atenção o discurso contra o Governo. Foram poucas as vezes em que tentou espicaçar a direita ou o CDS-PP. Muito bem quando lembrou a Paulo Portas que embora não tenha sido Ministro da Saúde ou da Agricultura, teve responsabilidades no anterior Governo e por isso tem que assumir responsabilidades no legado que deixou em 2005.
Já Portas aproveitou bem as fragilidades demonstradas pelo seu opositor. Sentiu-se como peixe na água explorando muito bem o tempo de antena que teve. Seguro, definiu como seu adversário directo José Sócrates e Jaime Silva (Ministro da Agricultura). Sustentou sempre a sua argumentação em exemplos, ainda que por vezes empolados.
Dirigiu-se essencialmente ao eleitorado do "centrão" e, com a apresentação de soluções (poucas) que me parecem algo demagógicas, deverá ter conseguido despertar a atenção em algum eleitorado do grupo dos "Não Sabe/Não Responde". No entanto não me parece suficiente para conseguir obter mais votos para o CDS-PP.
Ficaram patentes a convergência na identificação dos "problemas" e divergência na aplicação das "soluções".


Vamos ver o que nos reservam para os próximos 5 frente a frente.

Quem TVIu e quem TV - II

Curiosamente continuam a não surgir os factos que ligam o PS ou o Governo a decisão empresarial sobre uma grelha de televisão.

No entanto, a entrevista do Sr. Pais do Amaral ao jornal i pode ajudar-nos a compreender a decisão da Media Capital e da Prisa:
«Não entendo como é que só agora é que esta decisão foi tomada. Penso que aquele jornal excedia tudo o que era possível em termos de limites do aceitável e que muita gente estava à espera que isto acontecesse mais cedo do que mais tarde [...] quele jornal não se enquadra naquilo que a Prisa faz, do ponto de vista de informação, séria e credível, e também não se enquadra sequer naquilo que já era hoje em dia o perfil de informação da TVI»

Fica aqui a notícia na íntegra

A propósito deste tema, também o jornal i coloca um inquérito online onde a pergunta é «Quem é que fica a ganhar com o fim do Jornal de Sexta da TVI?».
As opções de resposta são «Ninguém», «TVI», «SIC e RTP», «Manuela Ferreira Leite e o PSD», «Cavaco Silva» (há que tenha escolhido esta opção) e finalmente «José Sócrates e o PS».

É claro que, politicamente, quem ganha com esta situação é claramente «Manuela Ferreira Leite e o PSD» pelo aproveitamento político e demagógico que pode e está a fazer.
No entanto há ainda possibilidade de existirem outras duas respostas. A primeira, considerando o aspecto qualitativo, quem fica a ganhar é a «
TVI» - e disso não tenho quaisquer dúvidas.
A outra resposta possível não nos é dada como opção: «
os portugueses que procuram estar informados». A estes portugueses foi feito o favor de se ter retirado espaço de antena a uma jornalista "que envergonha o jornalismo português" e "que desrespeita todas as regras deontológicas do jornalismo" (as palavras não são minhas, são do Sr. Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto) e haverá agora (assim espero) mais uma opção de jornalismo digno desse nome às sextas-feiras.

Aqueles que discordam desta ideia sobra-lhes uma pequena esperança da Prisa, porque necessita de capital, vender a sua parte da Media Capital à Ongoin e dessa forma haver a hipótese da Sra. Guedes voltar a ter a protecção do Sr. Moniz para poder encher tempo de televisão, em horário nobre diga-se, com o seu programa de "pseudo-jornalismo".

Este cenário é muito provável de se concretizar, pois o outro interessado nessa aquisição é a PT. E se, por acaso, o Governo como detentor duma golden share não se manifestar contra a aquisição da Media Capital pela PT, virão os mesmos demagógicos dizer e apregoar em praça pública que essa seria a segunda parte do plano elaborado para censurar o programa de sexta à noite da TVI.

Neste blog, o tema encerra aqui a não ser que surjam os tais factos que, como disseram os Srs. Aguiar Branco e Portas, implicam os "socialistas" nesta decisão.
Disse.


06/09/2009

Tête-a-tête

As datas da maratona de frente-a-frente dos principais candidatos às legislativas de 27 de Setembro 2009:

02/09/2009 - TVI
Sócrates - Portas

03/09/2009 - SIC
Louçã - Jerónimo

02/09/2009 - RTP1
Sócrates - Jerónimo

06/09/2009 - TVI
Louçã - Ferreira Leite

07/09/2009 - SIC
Portas - Jerónimo

08/09/2009 - RTP1
Sócrates - Louçã

09/09/2009 - TVI
Ferreira Leite - Jerónimo

10/09/2009 - RTP1
Ferreira Leite - Portas

11/09/2009 - RTP1
Portas -Louçã

12/09/2009 - SIC
Sócrates - Ferreira Leite


Uma visão da educação

Não é minha, pois sou ligeiramente mais radical, mas é a do Mestre Luis Miguel Ferreira.
Expressou-a no Diário de Notícias em 3 de Setembro.

Entre vários pontos de vista e factos ali expressos, destaco a passagem sobre os argumentos demagógicos utilizados por alguns partidos:
«[...] muitos tendem a desvalorizar estes resultados, alegando que são "meras manipulações estatísticas" ou que são fruto de algum "facilitismo". Ora, dizer isso é o mesmo que dizer, antes de tudo, que os professores, nas suas escolas, nos seus conselhos de turma, fizeram batota. Dizer isto é, de facto, desvalorizar o trabalho diário desenvolvido pelos professores com os seus alunos, é ignorar o esforço dos que ensinam em melhorar o desempenho e as competências dos que aprendem, é menosprezar o empenho dos docentes na construção de uma escola pública melhor e mais eficaz na qualificação do País. Sugerir que houve facilitismo é pôr em causa o profissionalismo dos professores e só eles sabem o quanto tiveram de trabalhar mesmo numa altura em que várias mudanças iam surgindo na sua própria carreira, com as quais discordaram de forma frontal e generalizada.»

Para uma leitura completa, que recomendo, podem aceder por aqui.


03/09/2009

Quem TVIu e quem TV

Pois bem, se estavam à espera duma campanha eleitoral com discussão séria de ideias, propostas e soluções, então estavam prefeitamente enganados.
Primeiro Freeport, depois Eurojust, a seguir TVI, depois escutas e jipes em Belém, pressões dirigentes partidários (contestadas pelo próprio pressionado) e agora PRISA\TVI novamente.

Ainda não estavam todos os dados conhecidos sobre a demissão em bloco da direcção de informação da TVI e já os partidos da oposição se lançavam que nem abutres sobre o Governo e o PS.
Sobre uma decisão dum grupo internacional privado, como é a Prisa, vieram os Srs. José Aguiar Branco e Paulo Portas apontar o PS como sendo o responsável.
Se tentarmos esquecer os episódios em que estes dois Srs. foram protagonistas principais, o primeiro no caso TVI/Marcelo Rebelo de Sousa e o segundo na forma como retomou o poder dentro do seu partido, até poderiamos considerar estas duas atitudes como legítimas no seguimento duma linha de verdade democrática. Mas não é o caso.
É impressionante a "verdade" que auto-proclamam neste caso pois nem sequer se limitam a levantar suspeitas. Partem imediatamente para a acusação.

Trata-se dum puro aproveitamento político com o claro objectivo de continuar a embrenhar as pessoas naquilo que menos interessa colocando num plano secundário os assuntos que realmente fazem falta ser discutidos em Portugal.
Estes Srs. assumem um lugar de destaque na lista de demagogos do espectro político português. E a demagogia não nos leva a lugar algum.

Vou ficar ansioso pelas provas que estes dois Srs., seguramente, irão apresentar. Se acreditarmos nesta "teoria da conspiração" ainda podemos ter esperança de também ver a Ordem dos Advogados, na pessoa do Sr. Marinho Pinto, na lista de suspeitos dos que influenciaram a direcção duma empresa privada espanhola.

Curiosamente os outros dois partidos com assento parlamentar foram mais moderados e inteligentes no uso das palavras. Ponto positivo.

Não deixa de ser curioso que nos dias que anteciparam esta decisão, a protagonista principal deste programa se tenha desdobrado em entrevistas e nos dias que se seguiram à saída do seu marido da direcção da TVI os orgãos de comunicação social se tenham enchido de interrogações relativamente ao futuro da Sra.

Custa-me um pouco a acreditar que o PS e o Governo tenham tido alguma influência neste caso do cancelamento do programa "Jornal de Sexta", pois a existir essa relação isso seria um verdadeiro "suicídio político".
Afinal esta polémica interessa verdadeiramente a quem? Ao PS?
Não será possivel que os proprietários grupo tenham entendido que esse programa não passava dum ponto negro na estação televisiva?
Não será possivel que aquele programa só existisse naqueles moldes porque aquelas pessoas que o protagonizavam estavam "seguras" apenas pela teimosia de alguém?

O importante, e desejável, é que as pessoas pensem por si mesmas sem que esta onda de demagogia alimentada por alguns "políticos profissionais" e que ocupa o espaço das campanhas eleitorais seja o principal factor de decisão.

Lembro-me duma música da Lena d'Água onde cantava «d
emagogia feita à maneira / é como queijo numa ratoeira»...


01/09/2009

Foi à 70 anos

À 70 anos, a 1 de Setembro de 1939, tinha início a segunda grande guerra.

Todas as guerras influenciam o curso da história, mas esta foi a que mais marcou o mundo.
Até então, nunca a humanidade havia passado por um conflito bélico que tivesse morto um tão grande número de civis como a que durou entre 1939 e 1945.

Um momento na história que deve ser pensado e tido como objecto de estudo para as gerações actuais e futuras.
Há erros que não se devem voltar a cometer.


Aproveitanto a data, recomendo a leitura dum excelente livro do historiador Marc Ferro: "Sete Homens em Guerra, 1918-1945 - História Paralela".
A editora é a Bertrand.

Monopólio dos Heróis


A notícia do dia abalou o mundo... dos super-heróis. A Walt Disney anunciou hoje a aquisição da Marvel Entertainment.

Segundo o seu CEO e presidente, Robert Iger, «This transaction combines Marvel's strong global brand and world-renowned library of characters including Iron Man, Spider-Man, X-Men, Captain America, Fantastic Four and Thor with Disney's creative skills, unparalleled global portfolio of entertainment properties, and a business structure that maximizes the value of creative properties across multiple platforms and territories, [...] We believe that adding Marvel to Disney's unique portfolio of brands provides significant opportunities for long-term growth and value creation».

Dentro em breve, se a aquisição for autorizada pelas autoridades que regulam a concorrência nos EUA, poderemos ver o Homem-Aranha a defender o Tio Patinhas da Maga Patalogica ou ainda o trio Capitão América, Pateta e Mickey em busca do Bafo de Onça.

Agora que me tornei um fã de filmes de animação estou ansioso para ver o resultado desta união. É um facto que a fasquia foi significativamente elevada.

A notícia pode ser encontrada aqui.


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