A divergência de ideias é saudável e é, normalmente, a partir da discussão que nascem as melhores conclusões e soluções.
Há ideias boas e más. Mas quando se discutem ideias sérias com ideias estapafurdias o resultado só pode mesmo ser um chorrilho de asneiras.
Há uns dias atrás, Marques Mendes, na Universidade de Verão do PSD defendia, e com toda a razão, que a bem da política e das instituições não deverão ser candidatos a eleições indivíduos condenados por crimes graves como fraude fiscal ou corrupção. Uma clara alusão às listas de candidatos apresentada pelo seu partido.
No dia a seguir à defesa destas, digam-se acertadas, ideias de Marques Mendes, veio Paulo Rangel, o grande vencedor das eleições europeias*, em defesa da presidente do seu partido: «a credibilidade da política não está na ética».
Pergunto eu: se «a credibilidade da política não está na ética» então está onde? Será que devemos tomar por credível um indivíduo cuja condenação por corrupção ficou provada? A presunção de inocência deve ser sempre um pilar num estado de direito. Mas quando fica provado em tribunal que esse indivíduo de facto atentou contra a lei, merece que o eleitor deposite nele confiança para exercer cargos de governo?
Esta discussão nem sequer se deveria estar a colocar. Cabe ao visado ser o primeiro a tomar a inciativa de se afastar até que o processo de acusação e julgamento termine.
Se a fome de poder for maior do que uma reflexão ética cabe às direcções do partidos se demarcarem destes indivíduos.
Se ainda assim isso não for suficiente, em última instância cabe ao eleitorado afastar estas pessoas ou os partidos que os suportam.
Não sou nem nunca fui grande defensor de Marques Mendes. Lembro-me dos governos a que pertenceu e de algumas ideias que defendeu enquanto presidente do PSD. No entanto não posso deixar de enaltecer a sua defesa da credibilidade política. Infelizmente é um dos poucos nessa luta.
* Para que não fiquem quaisquer dúvidas, quando escrevi que Paulo Rangel foi o «grande vencedor das eleições europeias» fi-lo com ironia. Vi muita peça jornalistica a coloca-lo nesse pedestal.
Nada de mais errado. É um facto que o PSD, com Paulo Rangel como cabeça de lista, foi o mais votado nas eleições para o Parlamento Europeu. Mas basta olhar para todas as sondagens que foram feitas antes das eleições para se constatar que o resultado que "Paulo Rangel obteve" não se desviou do resultado que era esperado. Todos os outros partidos excederam as previsões com excepção do PS que desceu. O único que se manteve na linha das sondagens foi o PSD.
Por isso entendo que o destaque que é dado a Paulo Rangel é exagerado (lembremo-nos das suas prestações como líder parlamentar na AR para aceitarmos que é apaenas mais uma cara no partido).
Há no PSD, seguramente, outras figuras com ideias mais enriquecedoras para a discussão política.
30/08/2009
26/08/2009
Educação, Reformas e Professores
Muito interessante o artigo de opinião da Sra. Helena Garrido no Jornal de Negócios de ontem (25/Agosto/2009).
«A contestação que o Governo teve - e tem, com o risco de ter perdido eleitores com esta reforma - mostra bem que as mudanças foram muito para além da maquilhagem. [...] A educação está manifestamente diferente e, com elevada probabilidade, melhor que há cinco anos. Os bons professores agradecem, os pais e alunos também. A prosperidade do País está nas mãos da educação.»
Aconselho a leitura e, naturalmente, a devida reflexão.
Está disponível aqui.
«A contestação que o Governo teve - e tem, com o risco de ter perdido eleitores com esta reforma - mostra bem que as mudanças foram muito para além da maquilhagem. [...] A educação está manifestamente diferente e, com elevada probabilidade, melhor que há cinco anos. Os bons professores agradecem, os pais e alunos também. A prosperidade do País está nas mãos da educação.»
Aconselho a leitura e, naturalmente, a devida reflexão.
Está disponível aqui.
O Antes e o Depois...
Nem sei como classificar esta notícia...
Segundo a Exame Informática a Microsoft na Polónia alterou, vá-se lá saber porquê, uma foto da campanha dum software.
Não tiveram com meias medidas e vai de trocar a cara de uma pessoa...
Resultado da "brincadeira": «A Microsoft emitiu um pedido de desculpas oficial pelo facto de a sua subsidiária na Polónia ter alterado a raça de uma pessoa que surge numa campanha publicitária.»
Veja a noticia aqui.
Segundo a Exame Informática a Microsoft na Polónia alterou, vá-se lá saber porquê, uma foto da campanha dum software.
Não tiveram com meias medidas e vai de trocar a cara de uma pessoa...
Resultado da "brincadeira": «A Microsoft emitiu um pedido de desculpas oficial pelo facto de a sua subsidiária na Polónia ter alterado a raça de uma pessoa que surge numa campanha publicitária.»
Veja a noticia aqui.
25/08/2009
Espião aqui não entra

Noticiou ontem o Correio da Manhã que os serviços secretos estariam a celebrar protocolos com organismos públicos no sentido de neles integrarem agentes tendo como um dos objectivos «o combate à criminalidade organizada e crime financeiro».
Hoje, Alberto João Jardim decretou a proibição dos organimos regionais estabelecerem estes protocolos...
Temos gato escondido de rabo de fora?!
... hesito.
24/08/2009
Direita e Esquerda I
Diz-nos o Prof. Jaime Nogueira Pinto sobre os princípios antropológicos da «direita» e da «esquerda»:«A direita, porque não vê o homem como um ser naturalmente bom, é céptica quanto à sua possibilidade de criar modelos perfeitos e é até céptica quanto à perfectibilidade dos modelos. Apesar de acreditarem no aprefeiçoamento gradual através de melhores instituições, os pensadores e os homens de Estado «de direita» não costumam prometer o paraíso terreno, já porque não o crêem possível, já porque nem sequer o acham desejável. A utopia [a esquerda] - ou seja, a contra-cidade acabada, em que um sistema jurídico-institucional pensado por filósofos generosos e posto em execução por idealistas e homens de boa-vontade, põe termo, ad aeternum, aos «males do mundo», à fome, à doença, ao conflito, às contradições - está nos antípodas do pensamento «de direita».»
Em suma, antropológicamente podemos assim associar à «direita» a visão pessimista e à «esquerda» a visão optimista.
In «A Direita e as Direitas» editado por Difel
23/08/2009
Feios, Porcos e Maus...

A Symantec elaborou um relatório com os 100 sites «mais sujos» da internet: Dirtiest Websites of Summer 2009.
Agora não há desculpa... nestes, só se suja quem quer!
Nota: Para os conhecer todos é necessário pertencer à Norton Safeweb Community.
Atletismo

Parabéns a todos os atletas portugueses presentes em Berlim.
«Em termos globais, [...] um balanço amplamente positivo, pelos resultados dos atletas que não se esperava que entrassem em luta pelo pódio, já que a maioria se classificou até ao 16.º lugar.»
Veja a análise completa aqui, no site da FPA.
O perfeito disparate
Aqueles que me conhecem sabem bem o que penso sobre a qualidade do jornalismo em Portugal: péssima!
Há honrosas excepções mas uma grande parte dos jornalistas portugueses não presta um bom serviço ao país e à imagem da sua classe profissional. Culpem as linhas editoriais, culpem dos directores, culpem as orientações políticas dos grupos detentores das empresas de comunicação social, culpem quem quiserem, mas os principais responsáveis são os próprios jornalistas que, na ânsia de verem o seu nome ligado a uma notícia polémica ou bombástica são capazes de deixar de lado toda e qualquer regra deontológica ou moral.
E, claro está, os média aproveitam-se de tudo isso para tentar aumentar volumes de vendas.
No seguimento deste mau jornalismo, o Expresso, na edição deste fim de semana, na página 4 contribui substituindo a notícia por uma novela.
É incrivel que um jornal de referência como é o Expresso encha páginas com "hipóteses" de conspiração.
Na hipótese 1 o Prof. Cavaco Silva perde a paciência e «quer vingança». Na hipótese 2 a intenção do Presidente da República é «fragilizar Sócrates» e «vale tudo, incluindo acusá-lo de espiar Belém».
A última hipótese, a 3ª, diz que o PR perdeu o pulso de ferro que tinha antes e não controla os seus acessores.
Ao que isto chegou!
Tudo isto porque dois militantes do PS trouxeram à discussão situações de cooperação entre acessores do PR com o PSD para a elaboração do programa eleitoral, exposta num artigo do jornal Semanário e não resultado de "escutas".
Mas pior que a menção dessas situações, que não são novidade, foi o que se seguiu.
Os orgãos de comunicação social, talvez sem mais nada que pudesse encher manchetes, empolaram o assunto com recurso a "fontes anónimas" ou "fontes não oficiais" ou ainda "fontes próximas". Os partidos, alguns, sedentos de algo que desviasse a atenção dos verdadeiros problemas, mandaram mais achas para a fogueira negando coisas que antes haviam reconhecido.
Curiosa é também a afirmação da Sra. Manuela Ferreira Leite, que ajuda à festa, que diz «não quero saber se há escutas ou não. As pessoas sentem que há».
Uma visão bastante interessante - quem sabe se o juizes em Portugal também possam aplicar esta máxima nos julgamentos: não interessa se há provas ou não, interessa é que as pessoas achem que é culpado, logo condena-se...
E assim lá se vão alimentando especulações... desde que as pessoas achem.
Leiam-se as palavras do Sr. Paulo Portas, também ao Expresso: «Toda a vida os consultores de vários presidentes tiveram actividade cívica e isso nunca causou nenhuma surpresa». Reconhece ainda que um dos acessores do PR, Sevinate Pinto, ex-ministro da Agricultura no Governo de coligação PSD/CDS, colabora com o CDS-PP.
Será que daqui a umas semanas vamos voltar a ouvir falar em "escutas" por causa da "divulgação" desta colaboração?
E assim se enchem espaços notíciosos de nada.
Uns consideram este tema um «disparate de Verão». Eu considero uma «estupidez de Verão».
Em suma, não sei a verdadeira «estupidez de Verão» é provocada pelos acessores não identificados do PR, dirigentes partidários ou jornalistas. Sinto-me tentado a eleger os últimos!
Há honrosas excepções mas uma grande parte dos jornalistas portugueses não presta um bom serviço ao país e à imagem da sua classe profissional. Culpem as linhas editoriais, culpem dos directores, culpem as orientações políticas dos grupos detentores das empresas de comunicação social, culpem quem quiserem, mas os principais responsáveis são os próprios jornalistas que, na ânsia de verem o seu nome ligado a uma notícia polémica ou bombástica são capazes de deixar de lado toda e qualquer regra deontológica ou moral.
E, claro está, os média aproveitam-se de tudo isso para tentar aumentar volumes de vendas.
No seguimento deste mau jornalismo, o Expresso, na edição deste fim de semana, na página 4 contribui substituindo a notícia por uma novela.
É incrivel que um jornal de referência como é o Expresso encha páginas com "hipóteses" de conspiração.
Na hipótese 1 o Prof. Cavaco Silva perde a paciência e «quer vingança». Na hipótese 2 a intenção do Presidente da República é «fragilizar Sócrates» e «vale tudo, incluindo acusá-lo de espiar Belém».
A última hipótese, a 3ª, diz que o PR perdeu o pulso de ferro que tinha antes e não controla os seus acessores.
Ao que isto chegou!
Tudo isto porque dois militantes do PS trouxeram à discussão situações de cooperação entre acessores do PR com o PSD para a elaboração do programa eleitoral, exposta num artigo do jornal Semanário e não resultado de "escutas".
Mas pior que a menção dessas situações, que não são novidade, foi o que se seguiu.
Os orgãos de comunicação social, talvez sem mais nada que pudesse encher manchetes, empolaram o assunto com recurso a "fontes anónimas" ou "fontes não oficiais" ou ainda "fontes próximas". Os partidos, alguns, sedentos de algo que desviasse a atenção dos verdadeiros problemas, mandaram mais achas para a fogueira negando coisas que antes haviam reconhecido.
Curiosa é também a afirmação da Sra. Manuela Ferreira Leite, que ajuda à festa, que diz «não quero saber se há escutas ou não. As pessoas sentem que há».
Uma visão bastante interessante - quem sabe se o juizes em Portugal também possam aplicar esta máxima nos julgamentos: não interessa se há provas ou não, interessa é que as pessoas achem que é culpado, logo condena-se...
E assim lá se vão alimentando especulações... desde que as pessoas achem.
Leiam-se as palavras do Sr. Paulo Portas, também ao Expresso: «Toda a vida os consultores de vários presidentes tiveram actividade cívica e isso nunca causou nenhuma surpresa». Reconhece ainda que um dos acessores do PR, Sevinate Pinto, ex-ministro da Agricultura no Governo de coligação PSD/CDS, colabora com o CDS-PP.
Será que daqui a umas semanas vamos voltar a ouvir falar em "escutas" por causa da "divulgação" desta colaboração?
E assim se enchem espaços notíciosos de nada.
Uns consideram este tema um «disparate de Verão». Eu considero uma «estupidez de Verão».
Em suma, não sei a verdadeira «estupidez de Verão» é provocada pelos acessores não identificados do PR, dirigentes partidários ou jornalistas. Sinto-me tentado a eleger os últimos!
Demagogia I
Ora aqui está um belo exemplo de demagogia!
O Sr. Paulo Portas, entre outras coisas, diz que o Estado tem que pagar a horas às empresas e quando não o faz, tem de pagar juros.
Lembro-me quando ele esteve no Governo (no tempo do Sr. Durão Barroso e do Sr. Santana Lopes)... e naquele tempo o Estado demorava mais tempo a pagar do que actualmente!
Já agora, será que a média que refere de mais 400 euros pagos de impostos ao Estado contempla os efeitos do escalão criado para "taxar" os rendimentos mais altos?
Porque não apresenta a média de apoios concedidos (entre subsídios, isenções e benefícios e deduções fiscais)?
Um forte apelo à memória curta...
O Sr. Paulo Portas, entre outras coisas, diz que o Estado tem que pagar a horas às empresas e quando não o faz, tem de pagar juros.
Lembro-me quando ele esteve no Governo (no tempo do Sr. Durão Barroso e do Sr. Santana Lopes)... e naquele tempo o Estado demorava mais tempo a pagar do que actualmente!
Já agora, será que a média que refere de mais 400 euros pagos de impostos ao Estado contempla os efeitos do escalão criado para "taxar" os rendimentos mais altos?
Porque não apresenta a média de apoios concedidos (entre subsídios, isenções e benefícios e deduções fiscais)?
Um forte apelo à memória curta...
5 boas notícias...
Depois da entrevista da Sra. Manuela Ferreira Leite na RTP, cheia dum enorme vazio de ideias e com bastantes contradições (será que virá o Sr. Pacheco Pereira brindar-nos com uma «interpretação especial» do que ali foi dito?!), li no Weekend Económico uma boa notícia.
Segundo este semanário pelo menos cinco empresas terão já cancelado os seus processos de "lay-off". Leoni, Sival Plásticos, Repsol Sines, Quimonda Portugal e Lusosider viram-se "obrigadas" a retomar a laboração (algumas ainda não na totalidade). Não por imposição legal pois o "lay-off" só poderá demorar 6 meses, mas sim por necessidade dos mercados.
Uma evidência que vem complementar os resultados estimados pelo INE dum crescimento do PIB (ainda em terrenos negativos).
Seria bom para todos nós que esta tendência se mantivesse. Torna-se importante salientar os aparentes bons resultados da nossa economia onde, para já, só Alemanha e França apresentaram resultados positivos este 2º trimestre.
Há quem diga que isso só foi possivel em Portugal pelas "injecções" de dinheiro do Estado na empresas. Se isso corresponde à verdade, parece-me que, em tempos como os que vivemos, o Estado cumpriu a sua função.
Ainda assim aqui está uma breve explicação para esse crescimento.
Os demagogos disseram que o Sr. José Socrates «decretou o fim da crise». Esta notícia mostra-nos que isto será «quanto muito o princípio do fim da crise» (as palavras verdadeiramente proferidas):
«Os primeiros sinais de que a crise já pode ter batido no fundo estão à vista. Aos poucos, embora timidamente, algumas das empresas que suspenderam a produção voltam ao activo.»
Veja-se também uma melhoria da actividade económica no mês de Julho.
Parecem prespectivar-se boas notícias para os resultados do 3º trimestre...
Segundo este semanário pelo menos cinco empresas terão já cancelado os seus processos de "lay-off". Leoni, Sival Plásticos, Repsol Sines, Quimonda Portugal e Lusosider viram-se "obrigadas" a retomar a laboração (algumas ainda não na totalidade). Não por imposição legal pois o "lay-off" só poderá demorar 6 meses, mas sim por necessidade dos mercados.
Uma evidência que vem complementar os resultados estimados pelo INE dum crescimento do PIB (ainda em terrenos negativos).
Seria bom para todos nós que esta tendência se mantivesse. Torna-se importante salientar os aparentes bons resultados da nossa economia onde, para já, só Alemanha e França apresentaram resultados positivos este 2º trimestre.
Há quem diga que isso só foi possivel em Portugal pelas "injecções" de dinheiro do Estado na empresas. Se isso corresponde à verdade, parece-me que, em tempos como os que vivemos, o Estado cumpriu a sua função.
Ainda assim aqui está uma breve explicação para esse crescimento.
Os demagogos disseram que o Sr. José Socrates «decretou o fim da crise». Esta notícia mostra-nos que isto será «quanto muito o princípio do fim da crise» (as palavras verdadeiramente proferidas):
«Os primeiros sinais de que a crise já pode ter batido no fundo estão à vista. Aos poucos, embora timidamente, algumas das empresas que suspenderam a produção voltam ao activo.»
Veja-se também uma melhoria da actividade económica no mês de Julho.
Parecem prespectivar-se boas notícias para os resultados do 3º trimestre...
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