E assim se faz campanha eleitoral para as autárquicas em Alcochete.
Uma imagem vale por mil palavras... e quanto valerá uma cacetada?!
Ao lado destes senhores, o Sr. deputado José Eduardo Martins e o Sr. ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, são uns verdadeiros aprendizes.
É nestes políticos que o povo deve confiar?!
Veja a notícia do jornal i aqui.
17/08/2009
Livro de Reclamações
A partir de hoje já é possível ver o seguimento dado às reclamações feitas no "Livro de Reclamações".
Porque ainda assim há necessidade duma intervenção humana, não podemos esperar ver a reclamação a "andar" nos dias imediatamente a seguir ao momento em que a escrevemos.
O link é: http://rtic.consumidor.pt/home
Ass:
Um defensor deste instrumento de defesa do consumidor.
Porque ainda assim há necessidade duma intervenção humana, não podemos esperar ver a reclamação a "andar" nos dias imediatamente a seguir ao momento em que a escrevemos.
O link é: http://rtic.consumidor.pt/home
Ass:
Um defensor deste instrumento de defesa do consumidor.
15/08/2009
Há com cada cromo...
Há coisas que se dizem que me deixam boquiaberto. Então neste últimos dias têm sido demais. É por estas e por outras que quando se tenta falar ou discutir política, uma grande maioria das pessoas "desliga" por completo. Deixo de ter argumentos para as dissuadir...
Ouvi esta noite nas notícias um Sr. vice-presidente do PSD, Aguiar Branco, talvez empolgado pela noite algarvia ou pelo calor, apelar ao voto no PSD porque «este é um governo sob suspeita»... mas será que se esqueceu que o PSD, mesmo sem vencer as eleições, elegerá deputados acusados pela justiça? Entram na AR em Setembro e em Outubro sentam-se no banco dos réus.
Depois, na reacção à entrevista de Ferro Rodrigues ao jornal Expresso, ouço o Prof. Fernando Rosas a "recusar" coligações com «este PS», o «governo do corte dos investimentos públicos» (na Antena 1)... mas será que o Prof. está a falar mesmo do PS? É o governo do PS que corta nos investimentos públicos? Ui, que tenho andado distraído...
Ainda, Ferro Rodrigues na entrevista ao Expresso volta a remexer no tema das coligações... um tema que está mais que discutido e todos partidos já se manifestaram desfavoráveis a tal coisa (naturalmente, e as pessoas não são parvas para perceber que o governo que sair destas eleições se não tiver uma maioria absoluta terá que ter muito "jogo de rins" para fazer passar diplomas na Assembleia da República - passa-se ao estilo "uma mão lava a outra").
Começo a ficar seriamente preocupado pois cada vez mais fico com a impressão de que alguns destes "políticos profissionais" nos tomam a todos por parvos!
Cheira-me que a campanha para estas legislativas vai levar o mesmo rumo que levou a de 2005. Em vez de se fazer "política de verdade" vamos ouvir partidos degladearem-se com insultos e ataques pessoais, ou seja, tudo aquilo de que Portugal não necessita neste momento.
Será seguramente mais uma oportunidade desperdiçada de se recuperar a credibilidade que a classe política nunca deveria ter perdido.
O país não necessita de demagogia. Precisa de soluções!
A parte divertida da noite foi quando ouvi a explicação do Sr. Mendes Bota para não ter convidado a Sra. Manuela Ferreira Leite para a "festa" (definição de "comício" para a presidente do PSD) porque não é do seu gosto levar «duas tampas seguidas da mesma rapariga no mesmo baile».
Desta vez não foi a gripe...
Há com cada um...
Ouvi esta noite nas notícias um Sr. vice-presidente do PSD, Aguiar Branco, talvez empolgado pela noite algarvia ou pelo calor, apelar ao voto no PSD porque «este é um governo sob suspeita»... mas será que se esqueceu que o PSD, mesmo sem vencer as eleições, elegerá deputados acusados pela justiça? Entram na AR em Setembro e em Outubro sentam-se no banco dos réus.
Depois, na reacção à entrevista de Ferro Rodrigues ao jornal Expresso, ouço o Prof. Fernando Rosas a "recusar" coligações com «este PS», o «governo do corte dos investimentos públicos» (na Antena 1)... mas será que o Prof. está a falar mesmo do PS? É o governo do PS que corta nos investimentos públicos? Ui, que tenho andado distraído...
Ainda, Ferro Rodrigues na entrevista ao Expresso volta a remexer no tema das coligações... um tema que está mais que discutido e todos partidos já se manifestaram desfavoráveis a tal coisa (naturalmente, e as pessoas não são parvas para perceber que o governo que sair destas eleições se não tiver uma maioria absoluta terá que ter muito "jogo de rins" para fazer passar diplomas na Assembleia da República - passa-se ao estilo "uma mão lava a outra").
Começo a ficar seriamente preocupado pois cada vez mais fico com a impressão de que alguns destes "políticos profissionais" nos tomam a todos por parvos!
Cheira-me que a campanha para estas legislativas vai levar o mesmo rumo que levou a de 2005. Em vez de se fazer "política de verdade" vamos ouvir partidos degladearem-se com insultos e ataques pessoais, ou seja, tudo aquilo de que Portugal não necessita neste momento.
Será seguramente mais uma oportunidade desperdiçada de se recuperar a credibilidade que a classe política nunca deveria ter perdido.
O país não necessita de demagogia. Precisa de soluções!
A parte divertida da noite foi quando ouvi a explicação do Sr. Mendes Bota para não ter convidado a Sra. Manuela Ferreira Leite para a "festa" (definição de "comício" para a presidente do PSD) porque não é do seu gosto levar «duas tampas seguidas da mesma rapariga no mesmo baile».
Desta vez não foi a gripe...
Há com cada um...
13/08/2009
Incêndios

Já não chegavam os incêncios que todos os anos fustigam o país, ainda temos mais um:
«Listas de Manuela Ferreira Leite incendeiam PSD»
Uma peça que resume muito bem uma parte da polémica instalada... talvez se a Sra. MFL a tivesse lido compreenderia o porquê de tanta «preocupação com as listas do PSD».
Não posso, no entanto, deixar de concordar com ela quando diz que este tema não deverá servir para desviar as atenções dos problemas mais sérios de Portugal. É preciso no entanto que o seu partido apresente soluções para esses problemas e as formas que utilizará para os ultrapassar caso tenha a oportunidade de ser Governo.
Interessante é a opinião de Ângelo Correia (e que subscrevo na integra): «"Se Ferreira Leite falhar, foi ela própria que escolheu o seu sucessor".»
Por falar em incêncios e Governo, duas notas:
Governo - Estou a fazer um esfrço para ler todos os programas de governo: para já o do PSD é fácil, 3 páginas (aguardo o completo); o do PS são 120 páginas (tenham dó); o do PCP com pouco mais de 50 tem algumas passagens que já me tiraram do sério (mas julgam que as pessoas são assim tão estúpidas?!); o do CDS-PP ainda não o encontrei; o do BE, 110 páginas, mais uma estucha. Farei alguns comentários lá mais para a frente.
Incêndios - a minha homenagem a todos os Homens e Mulheres que por esse país fora põem diariamente a sua vida em risco combatendo o lume (muitas vezes provocado intencionalmente) para salvar um dos mais preciosos bens do planeta assim como, em alguns casos, bens pessoais.
Ao mesmo tempo uma palavra de agradecimento a todos os elementos que promovem a investigação e se lançam na procura e perseguição dos agentes (humanos) catalizadores de centenas de incêndios todos os anos.
O jipe do Sr. Presidente
Já não é a primeira vez que o Sr. Presidente toma a iniciativa de se pronunciar sobre temas e no final verifica-se que o silêncio teria sido a melhor solução.
O célebre discurso sobre o estatuto político-administrativo dos Açores e a "preocupação" manifestada com um negócio entre entidades privadas (onde o Governo dispõe duma golden share) são dois exemplos claros disso mesmo.
Na semana passada assistimos a mais um episódio:
«Que há muitos, muitos diplomas para analisar, isso posso garantir que há. Nunca me recordo de tantos diplomas. Eu penso que quase enchem um jipe.»
Pois no sábado, o Expresso recordou o Sr. Presidente que já foi Primeiro-ministro e que ele próprio contribuiu, em tempo de férias, para "encher jipes" com diplomas para analisar. Segundo o semanário é ele mesmo quem detém o recorde de mais diplomas enviados para promulgação.
Vou ficar à espera do número oficial, pois serão precisos mais de 119 para bater o recorde estabelecido em Agosto de 1991 pelo então «Sr. Silva» (como Alberto João Jardim o chamou).
É por estas e por outras que lá se vai a tão famosa "cooperação institucional"... tal como no tango, são precisos dois para dançar!
O célebre discurso sobre o estatuto político-administrativo dos Açores e a "preocupação" manifestada com um negócio entre entidades privadas (onde o Governo dispõe duma golden share) são dois exemplos claros disso mesmo.
Na semana passada assistimos a mais um episódio:
«Que há muitos, muitos diplomas para analisar, isso posso garantir que há. Nunca me recordo de tantos diplomas. Eu penso que quase enchem um jipe.»
Pois no sábado, o Expresso recordou o Sr. Presidente que já foi Primeiro-ministro e que ele próprio contribuiu, em tempo de férias, para "encher jipes" com diplomas para analisar. Segundo o semanário é ele mesmo quem detém o recorde de mais diplomas enviados para promulgação.
Vou ficar à espera do número oficial, pois serão precisos mais de 119 para bater o recorde estabelecido em Agosto de 1991 pelo então «Sr. Silva» (como Alberto João Jardim o chamou).
É por estas e por outras que lá se vai a tão famosa "cooperação institucional"... tal como no tango, são precisos dois para dançar!
11/08/2009
Vésperas
Mais um dia, mais um "tropeção" de MFL (acho que Pacheco Pereira encontrou a melhor expressão para alguns comentários públicos da sua líder).Recuperada da gripe que a impossibilitou de estar presente em eventos que odeia, nomeadamente no comício de Chão da Lagoa, a líder do PSD enumerou, em poucos dias, o segundo tema que não discute em vésperas de eleições: «ataques políticos».
Ora para MFL em vésperas de eleições não se discutem as «iniciativas que tenham por objectivo dar maior transparência à vida política e à democracia» nem se comentam «ataques políticos». Resta ainda saber que outros temas não se discutem nesta altura. Serão os programas eleitorais outro "tema tabú" nestes períodos?!
Se já era conhecida a vontade de privatização de alguns serviços como saúde e pensões, isto é, minimizar ao máximo o papel do Estado, ao lermos o seu artigo de opinião esta semana no Expresso ficamos também a saber que o que interessa é legislar pouco: «Para que um país progrida é essencial que as pessoas se sintam livres para fazer tudo aquilo que a lei não proíbe, em vez de ser a lei a desenhar todos os contornos do que é permitido». Portanto, uma visão minimalista também no que a legislação respeita.
Na falta da apresentação de soluções para os problemas que acusa (um pouco ao estilo de Medina Carreira) fico com a impressão que o PSD se está a afastar do papel de partido de alternativa governativa. Se internamente o partido não se mostra coerente entre os chavões que apregoa e as acções/atitudes que toma (e lembro-me do outdoor que transcreve um pedido feito ao call center do PSD, «Façam política com as pessoas», mas dentro do partido só se faz política com os amigos) que confiança o PSD poderá transmitir ao portugueses?
A forma escolhida para a a composição das listas de candidatos a deputados, uma espécie de autoritarismo ("quero, posso e mando") que criou guerras internas, também não me parece que vá no sentido de reafirmar o PSD como um partido que pode assumir o controlo do país sem voltar a meter o pé na argola como no tempo de Durão e Santana (isto para não irmos mais atrás...).
Se tomar em consideração os "tropeções" e a "necessidade de interpretação especial" de MFL assim como o seu passado político enquanto membro de governos, olhar para o historial de alguns dos deputados que surgem agora como sendo uma renovação (João de Deus Pinheiro, Pacheco Pereira, Couto dos Santos...), ou constatar ainda que existem lá colocados candidatos que encontram neste momento acusados judicialmente, julgo que há mais probabilidades de se instalar o tão famoso "clima de ingovernabilidade" com uma vitória do PSD, independentemente da dimensão, do que com um governo minoritário do PS nas próximas legislativas.
Porque a minha memória não é tão curta como a de alguns, lembrei-me de ver onde estava (ou se estava) colocado o actual deputado José Eduardo Martins (o tal que mandou para o "alho" um colega de profissão em plena Assembleia da República - um deputado do PS). Surpresa ou talvez não, é o cabeça-de-lista por Viana do Castelo.
É seguramente mais "Política de Verdade".
Como irritar a Sra. Clinton
É simples... basta perguntar a opinião do seu marido sobre temas de política internacional!
Ao que parece um estudante no Congo deve ter julgado que a Sra. Hillary Clinton, a actual Secretária de Estado dos EUA, estaria ali em representação do seu marido (antigo Presidente dos EUA).
Ao que parece um estudante no Congo deve ter julgado que a Sra. Hillary Clinton, a actual Secretária de Estado dos EUA, estaria ali em representação do seu marido (antigo Presidente dos EUA).
08/08/2009
Eterno Raúl
O panorama cultural português ficou hoje mais pobre.Morreu um grande actor português e um ser humano generoso: Raúl Solnado.
Conhecido como "humorista" quando na verdade foi um "actor com um enorme sentido de humor", são vários e de grande qualidade os trabalhos que deixa para as actuais e futuras gerações de actores e humoristas.
Destaca-se ainda o trabalho que desenvolveu em prol dos actores e artistas portugueses (por exemplo o seu papel na fundação da Casa do Artista e do Teatro Villaret)
Deixa saudades...
Os fins justificam os meios...
«Mas esta natureza convém saber colori-la, ser-se grande fingidor e dissimulador; e são tão simples os homens, e obedecem tão bem às necessidades presentes, que aquele que engane, sempre há-de ter quem se deixe enganar[...]. A um Príncipe não é pois necessário que possua as sobreditas qualidades, sendo porém de grande precisão o parecer tê-las[...] Como de parecer piedoso, fiel, humano, generoso, e até sê-lo; impõe-se-lhe porém ter o espírito instruído de tal modo que, sendo preciso não ser tais coisas, possa e saiba tornar-se o contrário delas.»
Este pedaço de texto foi escrito em 1532 por Nicolau Maquiavel. Pertence à sua (grande) obra O Príncipe.
Mal interpretada na maioria das vezes, esta é uma das mais importantes obras das Ideias e Teorias Políticas.
Refira-se que a expressão "maquiavélica" (ou "maquiavélico") é aplicada quando se pretende conotar determinado indivíduo ou acção com uma "maldade extrema". Isso graças à interpretação feita erradamente deste trabalho.
As teorias expressas por este autor no século XVI são facilmente aplicáveis nos tempos que correrem. Não esqueçamos que foi um dos pioneiros na defesa dum dos pressupostos das democracias actuais: a separação do Estado e da Igreja e ainda o monopólio da violência pelo Estado.
(Recomendo a leitura desta obra despida de preconceitos... não foi pelo facto de terem lido este livro que Hitler ou Mussolini se tornaram ditadores... algures ouvi que este também era um livro de cabeceira do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa e não é por isso que o vemos a proferir comentários que possam indiciar tendências ditatoriais... significa apenas que consideram O Príncipe uma boa obra de teoria política. É importante, antes de iniciar a leitura, contextualizar a obra com a Itália da altura - uma manta de retalhos, isto é, um aglomerado de Principados.)
Não pretendendo entrar na área reservada aos filósofos, nomeadamente à filosofia política, podemos encaixar Nicolau Maquiavel na área da "Ética Teleológica", ou seja, as teorias defendidas por este autor podem ser encaixadas no "estudo do fim".
Porque a "Ética" é a parte da filosofia que se ocupa com a reflexão a respeito das noções e princípios que fundamentam a vida moral (sendo este último conceito o conjunto de princípios, juízos ou normas aceites por uma sociedade), a "Ética Teleológica" é aquela defende que o valor da acção reside nas suas consequências. É portanto uma ética consequencialista, onde as boas e más acções se devem medir pelas consequências que delas resultam.
É, tal como Maquiavel concluiu, onde «os fins justificam os meios».
Uma outra vertente da ética é a "Ética Deontológica" que não é mais do que o oposto à anterior: trata-se da teoria do dever onde o valor da acção reside na intenção com que é promovida. Independentemente das consequências, a acção é boa (ou má) se a intenção for boa (ou má).
A propósito da elaboração das listas do PSD para as legislativas, os meios de comunicação social foram preenchidos com conceitos de "ética" (ou falta dela) e "moral".
Na verdade aquilo que foi (e continua a ser) publicado em jornais, TV e rádios não passam de "reflexões éticas". Tratam-se assim, não de estudos sobre os actos ou consequências da inclusão de pessoas acusadas (não arguidas) e de fiéis partidários e a exclusão de opositores nas listas de candidatos a deputados na AR (o que vai verdadeiramente a votos e não um primeiro ministro como alguns julgam - outro tema que «daria pano para mangas»), mas sim de "reflexões éticas" que é o que permite ao ser humano pensar a sua acção em função de um fim desejável, que ele escolheu, por considerar conveniente.
Desta forma pode-se perfeitamente aceitar que a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, quando confrontada com a ideia de se tornarem politicamente inelegíveis pessoas que estejam acusados judicialmente responda que «O PSD está de acordo e apoiará todas as iniciativas que tenham por objectivo dar maior transparência à vida política e à democracia. Estamos disponíveis para discutir, mas não em véspera de eleições» ou que «em vésperas de eleições não se discutem assuntos tão sérios».
Então Sra. Manuela Ferreira Leite, quando deverão ser discutidos estes «assuntos tão sérios»? Depois de eleitos para a Assembleia da República ou Autarquias candidatos que enfrentam «em vésperas de eleições» acusações em processos judiciais?
Naturalmente que tenho presente o princípio de que todos são inocentes até provas em contrário, mas não existe nestes casos a necessidade de imposição de princípios morais (não se trata de ética!?)?
O que é feito do projecto de lei aprovado na generalidade em 2006 na AR que estabelecia algumas regras no sentido de «dar maior transparência à vida política e à democracia»?
Pelos vistos não houve qualquer discussão sobre a matéria... nem depois nem em «véspera de eleições»!
Pergunta o Prof. Marcelo no seu blogue «António Preto e Helena Lopes da Costa, elegíveis para o Parlamento por Lisboa. Ambos acusados, e não arguidos, em processo-crime? Se assim fosse, como haveria o actual PSD concordar com a lei de Marques Mendes?»
Começa a ser pouco evidente (ou talvez não) a "Política de Verdade" tão defendida pelo PSD.
Não estaremos nós perante uma evidência de que as teorias do século XVI de Maquiavel são efectivamente aplicáveis nos dias de hoje?
«Mas esta natureza convém saber colori-la, ser-se grande fingidor e dissimulador; e são tão simples os homens, e obedecem tão bem às necessidades presentes, que aquele que engane, sempre há-de ter quem se deixe enganar».
Recordemo-nos de todo o percurso desta liderança do PSD, com os seus sucessivos tropeções (como diz Pacheco Pereira), afinal não foi só no tempo de Santana Lopes, e vem à memória a fábula de George Orwell, A Quinta dos Animais, em que no início do domínio dos animais os princípios regentes foram resumidos a 7 mandamentos, posteriormente alterados em função das circunstâncias, e por fim resumidos em apenas um mandamento: «Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros».
Parafraseando o antigo líder do PSD, Marques Mendes, «basta de hipocrisia».
Volto à velha pergunta (de retórica, seguramente): como pretendem os políticos de hoje dignificar a classe governante?
Recomendação de leitura: «A arte da mentira política» atribuído a Jonathan Swift. Um texto de 1733. A edição que conheço é da FENDA EDIÇÕES, LDA de 1996.
Este pedaço de texto foi escrito em 1532 por Nicolau Maquiavel. Pertence à sua (grande) obra O Príncipe.
Mal interpretada na maioria das vezes, esta é uma das mais importantes obras das Ideias e Teorias Políticas.
Refira-se que a expressão "maquiavélica" (ou "maquiavélico") é aplicada quando se pretende conotar determinado indivíduo ou acção com uma "maldade extrema". Isso graças à interpretação feita erradamente deste trabalho.
As teorias expressas por este autor no século XVI são facilmente aplicáveis nos tempos que correrem. Não esqueçamos que foi um dos pioneiros na defesa dum dos pressupostos das democracias actuais: a separação do Estado e da Igreja e ainda o monopólio da violência pelo Estado.
(Recomendo a leitura desta obra despida de preconceitos... não foi pelo facto de terem lido este livro que Hitler ou Mussolini se tornaram ditadores... algures ouvi que este também era um livro de cabeceira do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa e não é por isso que o vemos a proferir comentários que possam indiciar tendências ditatoriais... significa apenas que consideram O Príncipe uma boa obra de teoria política. É importante, antes de iniciar a leitura, contextualizar a obra com a Itália da altura - uma manta de retalhos, isto é, um aglomerado de Principados.)
Não pretendendo entrar na área reservada aos filósofos, nomeadamente à filosofia política, podemos encaixar Nicolau Maquiavel na área da "Ética Teleológica", ou seja, as teorias defendidas por este autor podem ser encaixadas no "estudo do fim".
Porque a "Ética" é a parte da filosofia que se ocupa com a reflexão a respeito das noções e princípios que fundamentam a vida moral (sendo este último conceito o conjunto de princípios, juízos ou normas aceites por uma sociedade), a "Ética Teleológica" é aquela defende que o valor da acção reside nas suas consequências. É portanto uma ética consequencialista, onde as boas e más acções se devem medir pelas consequências que delas resultam.
É, tal como Maquiavel concluiu, onde «os fins justificam os meios».
Uma outra vertente da ética é a "Ética Deontológica" que não é mais do que o oposto à anterior: trata-se da teoria do dever onde o valor da acção reside na intenção com que é promovida. Independentemente das consequências, a acção é boa (ou má) se a intenção for boa (ou má).
A propósito da elaboração das listas do PSD para as legislativas, os meios de comunicação social foram preenchidos com conceitos de "ética" (ou falta dela) e "moral".
Na verdade aquilo que foi (e continua a ser) publicado em jornais, TV e rádios não passam de "reflexões éticas". Tratam-se assim, não de estudos sobre os actos ou consequências da inclusão de pessoas acusadas (não arguidas) e de fiéis partidários e a exclusão de opositores nas listas de candidatos a deputados na AR (o que vai verdadeiramente a votos e não um primeiro ministro como alguns julgam - outro tema que «daria pano para mangas»), mas sim de "reflexões éticas" que é o que permite ao ser humano pensar a sua acção em função de um fim desejável, que ele escolheu, por considerar conveniente.
Desta forma pode-se perfeitamente aceitar que a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, quando confrontada com a ideia de se tornarem politicamente inelegíveis pessoas que estejam acusados judicialmente responda que «O PSD está de acordo e apoiará todas as iniciativas que tenham por objectivo dar maior transparência à vida política e à democracia. Estamos disponíveis para discutir, mas não em véspera de eleições» ou que «em vésperas de eleições não se discutem assuntos tão sérios».
Então Sra. Manuela Ferreira Leite, quando deverão ser discutidos estes «assuntos tão sérios»? Depois de eleitos para a Assembleia da República ou Autarquias candidatos que enfrentam «em vésperas de eleições» acusações em processos judiciais?
Naturalmente que tenho presente o princípio de que todos são inocentes até provas em contrário, mas não existe nestes casos a necessidade de imposição de princípios morais (não se trata de ética!?)?
O que é feito do projecto de lei aprovado na generalidade em 2006 na AR que estabelecia algumas regras no sentido de «dar maior transparência à vida política e à democracia»?
Pelos vistos não houve qualquer discussão sobre a matéria... nem depois nem em «véspera de eleições»!
Pergunta o Prof. Marcelo no seu blogue «António Preto e Helena Lopes da Costa, elegíveis para o Parlamento por Lisboa. Ambos acusados, e não arguidos, em processo-crime? Se assim fosse, como haveria o actual PSD concordar com a lei de Marques Mendes?»
Começa a ser pouco evidente (ou talvez não) a "Política de Verdade" tão defendida pelo PSD.
Não estaremos nós perante uma evidência de que as teorias do século XVI de Maquiavel são efectivamente aplicáveis nos dias de hoje?
«Mas esta natureza convém saber colori-la, ser-se grande fingidor e dissimulador; e são tão simples os homens, e obedecem tão bem às necessidades presentes, que aquele que engane, sempre há-de ter quem se deixe enganar».
Recordemo-nos de todo o percurso desta liderança do PSD, com os seus sucessivos tropeções (como diz Pacheco Pereira), afinal não foi só no tempo de Santana Lopes, e vem à memória a fábula de George Orwell, A Quinta dos Animais, em que no início do domínio dos animais os princípios regentes foram resumidos a 7 mandamentos, posteriormente alterados em função das circunstâncias, e por fim resumidos em apenas um mandamento: «Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros».
Parafraseando o antigo líder do PSD, Marques Mendes, «basta de hipocrisia».
Volto à velha pergunta (de retórica, seguramente): como pretendem os políticos de hoje dignificar a classe governante?
Recomendação de leitura: «A arte da mentira política» atribuído a Jonathan Swift. Um texto de 1733. A edição que conheço é da FENDA EDIÇÕES, LDA de 1996.
05/08/2009
Opiniões e opiniões
As férias estão a acabar, as legislativas mais próximas e a "luta" política promete aquecer.
Há muitos anos que não passava uma temporada no Algarve. Este ano livrei-me de preconceitos e acedi passar uns dias no sul de Portugal contando que a estadia não fosse na parte confusa deste território nacional virado para o turista.
Naturalmente que "cada um é como cada qual" mas fiquei com a sensação que é preciso muito mais do que campanhas para atrair o turista para o Algarve.
Além do requisito "speake english", "parle fançais" ou "sprechen sie deutch" um dos obrigatórios e principais deveria ser "boa educação" ou "simpatia para os clientes".
Na pior das hipótses a capacidade de perceber que é o cliente que, ao consumir, está a contribuir para o vencimeno ao final do mês ou da semana.
Muitas vezes, num curto espaço de tempo, senti que, como cliente, estava a incomodar... tavez o problema tenha sido o meu "sotaque português"!
Quando passei a fronteira Algarve/Alentejo, senti imediatamente a diferença para melhor.
Turismo de qualidade não é no Algarve... é no Alentejo! Simpáticos e acolhedores, sabem receber as pessoas e deixam vontade para lá voltar.
Definitivamente, Algarve... outra vez... hesito!
Quando deixava de ser um incómodo em território algarvio, a ùltima despesa que lá fiz incluía o Jornal de Negócios.
Uma notícia que me deixou bastante satisfeito foi a de que os candidatos eleitorais passam a estar proibidos de fazer opinião na comunicação social em períodos de campanhas.
Esta proibição fica sem efeito se os meios de comunicação dispenderem o mesmo tempo de antena a todos os candidatos.
Talvez este seja um passo importante para que os espaços de opinião que enchem a TV e os jornais sejam de facto reservados à opinião e não acampanhas de auto-promoção como as que assistimos ainda muito recentemente antes e depois das eleições europeias.
Felicito a Entidade Reguladora para a Comunicação Social na aprovação desta directiva.
Deixe-se os espaços de opinião para aqueles que conseguem emitir opiniões sem que por trás tenham a bandeira partidária.
Veja a notícia aqui.
Há muitos anos que não passava uma temporada no Algarve. Este ano livrei-me de preconceitos e acedi passar uns dias no sul de Portugal contando que a estadia não fosse na parte confusa deste território nacional virado para o turista.
Naturalmente que "cada um é como cada qual" mas fiquei com a sensação que é preciso muito mais do que campanhas para atrair o turista para o Algarve.
Além do requisito "speake english", "parle fançais" ou "sprechen sie deutch" um dos obrigatórios e principais deveria ser "boa educação" ou "simpatia para os clientes".
Na pior das hipótses a capacidade de perceber que é o cliente que, ao consumir, está a contribuir para o vencimeno ao final do mês ou da semana.
Muitas vezes, num curto espaço de tempo, senti que, como cliente, estava a incomodar... tavez o problema tenha sido o meu "sotaque português"!
Quando passei a fronteira Algarve/Alentejo, senti imediatamente a diferença para melhor.
Turismo de qualidade não é no Algarve... é no Alentejo! Simpáticos e acolhedores, sabem receber as pessoas e deixam vontade para lá voltar.
Definitivamente, Algarve... outra vez... hesito!
Quando deixava de ser um incómodo em território algarvio, a ùltima despesa que lá fiz incluía o Jornal de Negócios.
Uma notícia que me deixou bastante satisfeito foi a de que os candidatos eleitorais passam a estar proibidos de fazer opinião na comunicação social em períodos de campanhas.
Esta proibição fica sem efeito se os meios de comunicação dispenderem o mesmo tempo de antena a todos os candidatos.
Talvez este seja um passo importante para que os espaços de opinião que enchem a TV e os jornais sejam de facto reservados à opinião e não acampanhas de auto-promoção como as que assistimos ainda muito recentemente antes e depois das eleições europeias.
Felicito a Entidade Reguladora para a Comunicação Social na aprovação desta directiva.
Deixe-se os espaços de opinião para aqueles que conseguem emitir opiniões sem que por trás tenham a bandeira partidária.
Veja a notícia aqui.
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