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30/03/2016

Jornalismo circense

Aquilo que deveria ser a notícia sobre um acontecimento grave tornou-se numa amostra do crescente jornalismo circense em Portugal.
Mas contrariamente à coragem demonstrada por trapezistas ou domadores de feras, à destreza e agilidade de malabaristas, ou subtiliza de encantadoras de serpentes ou contorcionistas, aquilo que a comunicação social portuguesa (ou uma boa parte dela, a mais visível, pelo menos) mostrou sobre o grave acontecimento na Ameixoeira, foi a descoordenação motora e verbal dos palhaços, o ridículo e a ignorância dos bobos e a racionalidade de um equídeo ou dum paquiderme cheio de lantejoulas.

Aquilo que simplesmente podia ter sido resumido como:
«No bairro da Ameixoeira [o onde] ocorreu uma troca de tiros [o como] entre famílias, alegadamente rivais, que obrigou à intervenção policial e da qual resultaram cinco feridos, três dos quais polícias da PSP [o quê]. As causas da ocorrência ainda estão por apurar [o porquê].»
foi transformado num triste espectáculo (televisivo) de sucessivos e contínuos "directos", cheios de contradições, num exercício de especulação, suposições e adivinhação - ora se falavam em mortos, ora se falavam em feridos, ora se falava "num casal de civis" ou se diziam "mulheres feridas". Procuraram-se entrevistas junto de moradores que, quando não respondiam "não moro cá no bairro, só vim ver o que se passava, sou do Lumiar", conseguiram testemunhos que diziam uma coisa e logo o seu contrário. Filmaram-se pessoas que pediam para não ser mostradas ou que não queriam falar - a uma dessas pessoas, às quatro perguntas feitas por uma jornalista - sim, quatro insistências! - a resposta foi sempre a mesma: "não quero dizer nada".

A acompanhar o pouco ou nada que se via nas imagens em directo, ouviam-se entusiasmados jornalistas (?!) falar em rusgas em prédios que os surpreendiam porque "os polícias tocaram às campainhas" para entrarem nos prédios à procura de pessoas - havia  uma profissional que repetidamente se referia à presença duma "polícia musculada", o que, pela insistência (e quase inexistência nas imagens) me deixou na dúvida se haveriam agentes da UEP a rachar ou a partir cabeças ou se se tratava de algum fetiche.
A um dos moradores que explicou que havia aberto a porta da sua casa à polícia para que estes entrassem, a preocupação da jornalista (!?) era a de saber se a porta teria sido arrombada ou a entrada forçada. Uma inglória busca por sangue, suor e lágrimas - ou qualquer discurso de ódio - que terminou com esse morador a dizer-lhe "minha senhora, não me leve a mal, eu só posso dizer-lhe o que sei. Não lhe vou dizer o que não sei, está bem?".

Mas enquanto o circo e o espectáculo do ridículo já estava armado na Ameixoeira, outra tenda circense se levantava à porta do Hospital de Santa Maria. Ali, jornalistas (!?) mostravam o seu constante desagrado por terem sido deixados do lado de fora "enquanto as famílias podiam entrar mas ficavam no relvado, inclusivamente com crianças e bebés de colo". Entanto bradavam a sua desgraça por não poderem andar a passarinhar pelo hospital dentro a filmar tudo e todos, mesmo aqueles que não quisessem ser filmados ou que nada tinham a ver com a situação, as imagens mostravam as "várias famílias" ao longe e as crianças... por vezes a correr e a brincar (como só as crianças têm a capacidade de fazer, mesmo em momentos duros e de grande tensão!).
Entrava-se em directo com introduções do género "um familiar não quis dar a cara mas disse-nos que uma das vítimas foi atingida pela polícia" mas quando a esse familiar se perguntou "como sabe que foi a polícia?" a resposta foi "disseram-me umas pessoas lá daquele bairro".

Mas se poderíamos julgar que a característica circense é exclusiva do imediatismo das televisões, repare-se na imprensa escrita.
A fome desta comunicação social portuguesa por algo catastrófico e dramático é tanta que um jornal, sobre os cinco feridos (três dos quais já tiveram alta e dois permanecem internados mas em situação estável), faz uma chamada de capa que contraria toda e qualquer regra e código jornalístico: «Mulher morta e três polícias feridos. Tiroteio na Ameixoeira fez ainda mais dois feridos graves.»


Mas poderíamos dizer que tudo isto que, em minha opinião, contribui para colocar todos no mesmo saco da incompetência - os maus e os bons jornalistas - era o resultado de se entregarem microfones e câmaras a jovens jornalistas/estagiários mal preparados e pouco familiarizados com as regras jornalísticas e o código deontológico, mas, infelizmente, neste caso viram-se novos e "velhos".
Poderíamos ainda dizer que tudo isto se havia passado naquilo a que chamam "Correio da Manhã" - pasquim e canal de tv -, mas, infelizmente, neste caso foi também na SIC/SIC Notícias, TVI/TVI24 (e em menor escala na RTP1/RTP3), e o jornal em questão é o "jornal i".
Poderíamos, por fim, dizer que tudo isto se tratou dum circo (no seu sentido mais pejorativo) mediático isolado, mas, infelizmente, está a tornar-se prática comum.
E esta é a prática "Correio da Manhã" que, parece, está a transformar-se numa escola da comunicação social em Portugal.




04/09/2013

Verdade e Direitos

Limitado apenas pelas regras da decência, da boa educação e do respeito - umas vezes mais conseguidas que outras - espaços como este podem disponibilizar conteúdos induzidos pela ideologia, cientificamente incorrectos ou factualmente desencontrados da realidade.

Mas se tais conteúdos em plataformas como as que são os blogs ou redes sociais poderão ser eventualmente tolerados, motivados pelo maior ou menor grau de profissionalismo ou experiência de quem escreve ou pela intenção com que o faz, o mesmo não deveria acontecer quando o conteúdo faz parte de um órgão de comunicação social.

É verdade que a conjectura actual afecta todas os sectores e a imprensa não é diferente. O cortes que as empresas e os meios de comunicação social têm sido alvo por decisão dos grupos económicos que os detêm também tem contribuído para um declínio daquele que foi, em tempos, apelidado de "Quarto Poder". Estas situações têm motivado nestes últimos anos uma redução do número de jornalistas e a substituição da "velha guarda" por recém-formados e estagiários pretendentes à categoria de jornalistas. As redacções transformaram-se e, como consequência natural, verificou-se existir uma perda significativa da memória jornalística.
Destes profissionais são muitos poucos aqueles que, na verdade, representam a essência do jornalismo: há um grande volume de transcrições de ofícios das agências noticiosas, fontes que não são confirmadas e ainda um débil jornalismo de investigação que, em alguns casos, fazem jus ao dizer "a montanha pariu um rato".

Mas se tudo isto é grave mesmo num simples pasquim, a dimensão atinge níveis de grande preocupação em jornais que usam como slogan o facto de há 40 anos fazerem opinião.

De há muito a esta parte que a escolha de pessoas para ocuparem espaços de opinião no semanário Expresso é bastante discutível, pelo conteúdo e qualidade (em especial os casos de Rui Ramos ou, pior ainda, de Henrique Raposo que muita tinta têm feito correr), mas esta poder-se-á ainda argumentar pela pluralidade do espectro ideológico que o semanário quer oferecer aos seus leitores.
O que não se compreende é que essa falta de rigor e até mesmo de isenção, num jornal com história como a do Expresso, ultrapasse as fronteiras das colunas de opinião.

Na edição de 31 de Agosto de 2013, no habitual espaço dedicado a uma espécie de avaliação por "Altos" e "Baixos", sabe-se lá quais os critérios utilizados para tal juízo, pode ler-se (nos baixos):
"Sousa Ribeiro
Presidente do Tribunal Constitucional
Na explicação do acórdão em que os juízes consideraram que ninguém pode ser despedido no Estado (apesar de poder sê-lo no privado) e que, portanto, há uma espécie de Constituição para filhos e outra para enteados, brindou os portugueses com uma pérola, ao afirmar que o regime de férias dos juízes do TC é "particularmente desfavorável" para os magistrados. Assim se vê como estão deslocados da realidade do país."

Não deveria ser permitido, pelo menos por quem dirige aquele jornal, mesmo com todas as liberdades editoriais, que alguém que seja detentor da carteira de jornalista possa revelar tamanha ignorância e incompetência.
Martim Silva (pelo menos é assim que assina este enorme disparate) é mais um daqueles que, sem qualquer pudor, ostenta o seu desconhecimento do que é a Constituição da República Portuguesa, o funcionamento do TC e o estatuto dos juízes constitucionais e também do próprio acórdão do TC. Tenho mesmo dúvidas que Martim Silva tenha visto na TV a declaração de Sousa Ribeiro!

Mas o que Martim Silva não sabe, ou faz por não saber, é que o acórdão do TC não proíbe despedimentos pela simples razão que não era essa a essência da questão em análise. A pronúncia de inconstitucionalidade do TC ocorreu pelo facto de que os artigos em fiscalização abriam a possibilidade a que ocorressem despedimentos sem justa causa - da mesma maneira como estes também não são permitidos "no privado", ao contrário do que escreve Martim Silva. Uma pessoa minimamente informada, ou que procure a informação, facilmente perceberá que mesmo sem a lei com artigos inconstitucionais que o Governo tentou fazer passar (se deliberadamente ou por incapacidade em legislar não está aqui em discussão), o Estado pode despedir e despede... com justa causa, tal como no privado. Alegrem-se aqueles que vêm neste ponto o busílis da equidade entre público e privado.

Quero acreditar que a utilização daquele espaço no Expresso tenha sido feita por alguém com um enorme desconhecimento da verdade, aliada a uma descarada incompetência jornalística, e não por alguém que, defendendo que a "realidade do país" permite todo e qualquer abuso e atropelo à lei, não foi propositadamente para "fazer opinião" errada e alinhada com o que de mais podre, a pouco e pouco, se está a enraizar em Portugal alimentado por certa visão política.

A passos largos, Portugal parece caminhar para uma situação em que Verdade e Direitos são conceitos cada vez mais desvanecido na sociedade: o primeiro, esquecido pelo jornalismo e cada vez menos reclamado pelas pessoas; o segundo, gradualmente inaplicável a quem deles deveria beneficiar.

E assim se vê como são incompetentes alguns "escritores" de páginas de jornal, porque de jornalistas nada têm.


Adenda, 04.09.2013: esta questão torna-se mais grave quando quem assina o texto é o editor de política do próprio jornal... agora juntam-se algumas "peças do puzzle"...

24/03/2013

A parvoíce nunca se engana

«O sentimento que o homem suporta com mais dificuldade é a piedade, principalmente quando a merece. O ódio é um tónico, faz viver, inspira vingança; mas a piedade mata, enfraquece ainda mais a nossa fraqueza.»
(Honoré de) Balzac

Se dúvidas existissem de que Henrique Raposo gosta de pavonear características intrínsecas (suas) como a parvoícearrogância, mentira, mentira (já tinha escrito mentira?), ignorância ou burrice, a parte final do canto da idiotice no Expresso, reservado a este jovem, demonstra o quão energúmeno consegue ser (carreguem em cima da foto para ler melhor).

Um tipo que demorou 3 semanas (3 edições) a admitir que, mais uma vez, tinha dito uma aldrabices sem dizer se se tratou de um engano ou pura fanfarronice por lançar números que desconhecia (também conhecida como ignorância ou incompetência), mas que ao fazê-lo ainda consegue demonstrar um completo desrespeito por uma classe profissional (talvez venha a precisar deles um dia) e uma total assumpção de superioridade (pergunto-me como um tipo que se mostra conseguir ser um tipo rastejante e viscoso - desculpem-me os caracóis e lesmas pela analogia - pode alguma vez ser superior ao que quer que seja... nem em relação às pedras da calçada!).

À pergunta que quase todas as semanas me assola o pensamento só encontro uma resposta: este tipo, que não vale um cêntimo furado, só pode ter uma cunha muito grande (Rui Ramos?) ligada ao Expresso para poder continuar a escrever e publicar tanta asneira, ou, então, esta é uma política do semanário que dá espaço e liberdade de escrita mesmo àqueles que já mostraram que não têm qualquer competência para tal!

... no caso deste tipo, vou abrir uma excepção muito rara e contrariar Balzac: de Henrique Raposo, "coitadinho", tenho pena... muita pena! E este merece-a...

03/08/2012

A importância da memória

Reconheço que a minha memória já foi melhor do que é actualmente. Mas nos momentos em que julgo começar a ficar desprovido desse capacidade vital, o caminhar em frente na estrada da vida tem destas coisas, é mesmo assim!, há sempre alguma situação que comprava a teoria do "reflexo condicionado" de Pavlov.


Porque há frases e imagens que marcam, uma notícia de hoje (03 de Agosto de 2011) publicada no site do Diário de Notícias fez com que a 'defesa' que faço da necessidade de memória nas redacções dos jornais, afinal, faça algum sentido.


O título da notícia a propósito da interferência do actual Primeiro-ministro na negociação da venda de um banco nacionalizado, o BPN, é:
"PSD defende que Passos Coelho salvou 1200 empregos"



Nesta notícia o deputado Carlos Abreu Amorim saiu em defesa do partido que o albergou, o PSD, para interpretar as palavras do Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho (uma necessidade que já vem sendo necessária para os líderes do PSD desde há algum tempo, pois já no tempo em que Manuela Ferreira Leite era presidente do PSD era Pacheco Pereira que assumia o papel de "interpretador" do que dizia e anunciava a senhora).
Diz-nos este parlamentar, que já no tempo do "discurso da Verdade" piscava o olho à social democracia laranja, que tudo isso apenas se deveu no interesse dos trabalhadores tendo, assim, salvo 1200 (mil e duzentos) postos de trabalho no ex-BPN, agora BIC.

Sinceramente, o que me incomoda não é propriamente as mentiras de Carlos Abreu Amorim ou do PSD. É que a isso já temos vindo a ser habituados e já são poucos os que estranham (ainda que não reajam!). O que incomoda é a manifesta falta de memória jornalística que existe nas redacções dos jornais. Neste caso, no Diário de Notícias. E eu quero mesmo acreditar que se trata, efectivamente, de falta de memória e não outra coisa qualquer!

É que, acredito, se houvesse memória talvez na mesma notícia do DN a informação da Lusa (pois parece que é só a Lusa que produz conteúdos e os jornais se limitam a divulgar o que a Lusa recolhe) teria sido feita qualquer referência a uma notícia (mais uma vez da Lusa) veiculada pelo mesmo jornal sobre o BPN/BIC e os postos de trabalhos "salvos" no dia 1 de Agosto de 2011, há 1 ano e 2 dias!...

Mesmo sem entrar no conceito "salvar" ou no que efectivamente aconteceria aos trabalhadores deste banco vendido pelo XIX Governo Constitucional de Portugal ao desbarato, há uma coisa que salta à vista: a Matemática (tão querida do Ministro Crato!).



Das duas uma, e para além da memória jornalística claramente inexistente: ou estamos perante alguém (só mais um) responsável no PSD que não tem qualquer pejo em mentir a todos os portugueses (acho que acabei de constatar o óbvio!!), ou estamos perante alguém que não está muito à vontade com a matemática!... aceitam-se equivalências... quero dizer, sugestões!



23/02/2012

Pela defesa dos direitos adquiridos

Desde que terminaram as perseguições políticas nos jornais portugueses, na altura em que se investigavam tios, primos, mães e amigos de lideres políticos, as manchetes passaram a dar-nos conhecimento da existência duma crise, que inicialmente era exclusivamente portuguesa mas que rapidamente passou a ser fruto duma conjuntura internacional apresentando-nos, assim, o trio ideal que pode ser utilizado como justificação para tudo: A Crise, A Troika e O Memorando.
Três aspectos que cedo nos apresentaram na condição de consequências e que subitamente passaram à condição de causas.

Por causa da crise, os Portugueses terão de empobrecer para a economia crescer, disse-nos o Primeiro Ministro; por causa da Troika nem sequer foi dada a tradicional tolerância de ponto no Carnaval; por causa do Memorando os trabalhadores terão menos dias de férias.
Por causa da crise, os trabalhadores e os pensionistas pagaram de imposto mais cerca de 50% do seu subsídio  de Natal em 2011, que se revelou desnecessário; por causa da Troika terá que se trabalhar mais e ter menos feriados e "pontes" defendendo que isso trará mais produtividade, uma noção erradamente explorada e de uma forma demagógica e populista; por causa do Memorando as empresas públicas e participações do Estado em empresas vão ser vendidas ao desbarato.
Enfim, tudo por causa da Crise, da Troika e do Memorando... ah, e também, fazem-nos crer, que por causa do último Governo.

Mais recentemente ainda, as manchetes dos jornais vão dando conta de grandes benefícios que os funcionários de algumas empresas públicas têm. Borla nos barbeiros, viagens de comboio grátis para si e seus familiares, medicamentos e até subsídios! Escândalo! Que afronta! Eis a causa de tantos prejuízos nestas empresas! E nós, o povo, que nos cortam o pouco que temos para que estes possam ter estas mordomias!... fazem-nos acreditar estes jornais e o Governo.

Mas ainda que consigamos ignorar que estas notícias façam capa em jornais como o Correio da Manhã ou do Jornal de Notícias ou mesmo do Diário de Notícias, antigas referências jornalísticas que hoje podem ser colocadas lado a lado com edições como o Crime ou o Jornal do Incrível, bem atrás do jornal Ocasião ou da Dica do Dia, é preciso tentar fazer um exercício em perceber por que razão aparecem estas notícias agora.
Por que será que estas notícias que colocam trabalhadores contra trabalhadores aparecem dia sim e dia não nos jornais? Será coincidência que no dia em que se acusam trabalhadores de terem consagrado nos seus contratos colectivos de trabalho uma borla no cabeleireiro, que se calhar poupou muito dinheiro à empresa por não a fazer pagar um subsídio, surge o Ministro da Economia e do Emprego a dizer que Portugal parou no Carnaval devido aos contratos colectivos de trabalho?

Estas situações, e à forma como o jornalismo hoje é feito, num ápice levam a que as pessoas sejam conduzidas para uma linha de pensamento fácil e perigosa! De forma perigosa ouvimos as pessoas apontar o dedo a este tipo de "direitos adquiridos" ou "benefícios" e, sem discutir se são úteis ou disparatados, benéficos ou prejudiciais, como algo que "numa situação de crise" deveriam ser cortados! Eliminados! Cortem-se este tipo de injustiças, porque uns têm e outros não! Se podem cortar subsídios então este tipo de coisas deveria ser cortadas!
Mas esta maneira de pensar é perigosa! Muito perigosa, porque uma acção neste sentido, se uns não têm então os que têm não devem ter, é desrespeitar a lei, a justiça, o princípio de igualdade e o direito democrático. Porquê?
Porque primeiro, estamos a falar de contratos colectivos de trabalho que foram alvo de negociação e para os quais há legislação que lhes confere força; segundo, porque cortar direitos tendo por base um discurso meramente populista, fica bem no ouvido, é verdade, sem que se demonstre se são eles a causa dos prejuízos é descredibilizar toda a luta pela conquista de direitos; terceiro, porque o facto de "eu" não poder usufruir dessas benesses, não me dá o direito de exigir que outros não possam delas usufruir; e quarto, porque cortando por cortar, desrespeitando a legislação com base no "porque sim" ou no "interesse nacional" (qual?) é quebrar o princípio democrático pelo qual as sociedades se devem orientar, bastante característico das ditaduras, diga-se.

Nestes casos, em minha opinião, a abordagem feita na discussão do tema nunca deve ser feita no sentido descendente mas sim no sentido ascendente, isto é, não devo contestar o facto de "eu" não ter esses direitos exigindo que os outros também deles sejam privados! Devo sim contestar o facto de "eu" não ter esses direitos, exigindo que se mantenham para os outros e lutando para que também "eu" possa ter acesso a eles! Ao não agir desta forma e pedindo que cortem a outros porque "eu" tenho menos, estou a legitimar que amanhã alguém possa  vir a cortar ainda mais o pouco que "eu" hoje tenho!

Tal como não aceitei a justificação do Primeiro Ministro para o cortes dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários da Administração Pública, por estes terem maior estabilidade laboral em relação ao trabalhadores do privado (o que também não é totalmente verdade), não posso aceitar que se cortem direitos adquiridos ou negociados só porque há outros na mesma escala hierárquica que não os têm!
Ao defender o corte de direitos adquiridos ou que se possam rasgar contratos negociados e assinados desta forma leviana seria, a cima de tudo, uma forma de legitimação e aprovação da linha de pensamento do Governo para os sucessivos cortes em direitos e meios de subsistências da população. Seria concordar com a visão ultraliberal e insensível do actual Primeiro Ministro quando diz, talvez resultado dos seus tiques autoritárioa, que os "direitos adquiridos caem no dia que for preciso".

Como se vê, até na explicação do Primeiro Ministro que não conseguiu encaixar na mesma linha de raciocínio o corte nos subsídios de que também os pensionistas vão ser alvo, trata-se duma justificação fácil, demagógica, populista e com uma orientação que acarreta seguramente riscos para as classes mais baixas da sociedade.

Digo eu, que não percebo nada disto...


20/10/2011

A estupidez devia pagar imposto

Se a estupidez pagasse imposto talvez os nossos sacrifícios não tivessem que ser tão grandes. E este iluminado estaria num dos escalões de contribuição mais elevados: José Manuel Fernandes!



Diz JMF: «Eu fechava amanhã a RTP Informação»

Pois se fosse eu, mandava erradicar amanhã todos os estúpidos da crosta terrestre... Mas José Manuel Fernandes está com sorte porque eu não tenho esse poder!

É preciso que se saiba que fechar qualquer serviço público de televisão ou rádio é entregar nas mãos de privados e grupos económicos, neste caso ligados à informação, o controlo sobre aquilo que nos entra pela casa a dentro.
Basta que olhemos o que se passa, esse triste cenário, com os canais generalistas. A RTP tornou-se, nesta fase, o refúgio daqueles que não se querem evangelizar com a ignorância e o espectáculo degradante em que se tornaram os canais generalistas privados (tanto na área noticiosa como na do entretenimento), em particular, com os seus "reality show's" - mas há mais exemplos nas grelhas de programação.

O desaparecimento dum canal de informação público, ainda que com manifestos problemas no funcionamento (que seguramente podem ser melhorados), é autorizar de forma implícita que através dos grupos de  interesses meramente económicos a informação nos entre pela casa a dentro já digerida e em forma de opinião.
Será um benefício para quem prefere usar e defender ideias já processadas por cabeças terceiras, muito mais fácil, portanto, mas uma séria dor de cabeça para quem gosta de diversificar as fontes de informação para formular as suas próprias conclusões.

Já agora, e não se aplicando em concreto ao canal público de informação, por falar em privatizações, é importante não esquecer o nº 5 do art.º 38 da CPRP quanto à necessidade de um serviço público de rádio e TV para assegurar a «Liberdade de imprensa e comunicação social»:
«O Estado assegura a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão.»

Por isto e por muito mais, não sou defensor de qualquer privatização do serviço público de TV's ou rádios...

04/07/2011

Construção Social

Em Portugal, como noutros países, também a imprensa esteve no passado associada ao poder político que, quando não era do Estado, era pertença dos próprios partidos políticos. A independência da Comunicação Social face ao poder político, que viria a sofrer um atraso em Portugal em virtude do período ditatorial que viveu, dá-se porque se começa a verificar uma maior dependência do poder económico. Encontram-se também, desde muito cedo, ainda que com uma aplicação prática bastante mais tarde, preocupações no sentido de regular e defender o jornalismo e a liberdade de imprensa.

É dessa forma, e porque deixa de ser uma voz concordante com o poder político, que a imprensa assume com agrado o papel que os políticos lhe atribuíram e que ficou rotulado de “Quarto Poder”. A imprensa e os jornalistas assumem-se como defensores da opinião pública e dos cidadãos face aos políticos e aos governantes ainda que para isso não tenham sido eleitos ou nomeados. É a falta dessa legitimidade que leva alguns radicais a sugerir que os jornalistas passem a ser escolhidos pelos cidadãos e, inclusivamente, a serem remunerados[1] também por estes.

À pergunta de partida “quais as relações entre a Comunicação Social e o Poder Político?”, percebe-se que não conseguirá ter uma resposta objectiva e concreta pois constata-se que uma relação que inicialmente se poderia considerar bipartida, encontra um terceiro poder com interesses tácitos nesta interacção: o poder económico.

Passam a ser claros os papéis de cada um nas relações observadas: o poder político detém o poder de decisão e possui conteúdo para notícias; o poder económico detém o capital e além de depender da decisão do primeiro também contribui, através de muitas formas disponíveis (impostos, apoios, subsídios, parcerias, etc.) para a sua manutenção; e os meios de comunicação social, dependentes do poder económico, que funcionam como canal de transmissão das mensagens pensadas e estrategicamente planeadas. A Comunicação Social serve, muitas vezes, como arma política mesmo no interior do poder político ou, melhor dizendo, na luta pelo lugar de destaque no interior da actividade política. Por exemplo, na vertente ideológica de esquerda, a Comunicação Social tem um papel negativo na sociedade porque serve os interesses do sistema capitalista, enquanto na visão de direita, a sua função é prejudicial por tentar enaltecer, falseando para isso, as virtudes dos sistemas anticapitalistas. Por essa razão, a Comunicação Social é frequentemente designada com um instrumento de acção política e os seus profissionais, por inerência, actores políticos.

Verifica-se que existem interesses que convergem neste “triângulo” mas também outros que se revelam antagónicos. Todos eles contribuem para o adensar da suspeita e da desconfiança da opinião pública sobre a classe governante e até sobre a classe jornalística. Muitas vezes o poder económico, que detém as empresas de Comunicação Social, fica isento da crítica porque, normalmente, prefere manter pouco visíveis as relações empresariais que detêm com os jornais, televisões ou rádios. São assim, os personagens políticos e os jornais, cadeias de televisão e emissoras de rádio, as faces mais visíveis desta relação.

Não obstante a imagem negativa que a opinião pública tem destes actores, que por norma incide mais na classe política face a uma capacidade que a imprensa tem de formar opiniões nesse sentido, existe entre políticos e jornalistas uma visão pejorativa do outro, visto que cada um deles se coloca no papel de defensor da liberdade e da democracia:

«O mundo divide-se em países que querem substituir os meios de comunicação, para os quais a única solução é a restauração da democracia; e países em que os meios de comunicação querem substituir o governo para os quais a solução assenta nos próprios meios de comunicação e na verdade dos factos transmitida pelos jornalistas para juízo da opinião pública.»[2]

Políticos, jornalistas e empresários não podem ficar indiferentes ao poder que os seus papéis representam e fazerem dele um aproveitamento de acordo com os seus próprios interesses. Devem assumir a sua preponderância na construção da realidade das sociedades mas de forma clara e transparente, com respeito pelos direitos fundamentais e valores éticos.

Mas essa função não deve ficar apenas nas mãos de quem detém o poder político, económico ou da informação. Cabe também à sociedade civil imiscuir-se nesta relação e participar na construção social. Estar atenta aos fenómenos que fundamentam essa construção e desempenhar uma acção crítica, exigente e participativa. É importante romper com situações de acomodação, porque são mais confortáveis ou por uma crença de incapacidade própria.



[1] TRAQUINA, Nelson (2007). O que é Jornalismo. Lisboa: Quimera. Pág. 33.

[2] SANTOS, Margarida Ruas dos (1996). Marketing Político. Mem Martins: Edições CETOP. Pág. 192.

16/02/2011

Emprego, trabalho e jornalismo

A SIC, hoje, ao fazer notícia sobre a "geração à rasca" mostrou que consegue fazer "jornalismo rasca". Deu-se ao trabalho de fazer um trabalho de comparação entre "Pai" e "Filho" no mercado de trabalho.
Um dos exemplos, e que mostra o carácter científico da coisa, mostra o "Pai", na área da saúde com acesso ao SNS e com um seguro de saúde pago pela empresa. Já o "Filho" só tem direito ao SNS porque "os jovens têm trabalho precário"... nem o meu avô nem o meu pai não tiveram seguro de saúde pago... eu tenho, mas é pago por mim!

Depois, os directos são tramados. Apresentam-nos um exemplo da dramática realidade dos jovens de hoje: um jovem licenciado desempregado! À pergunta do jornalista o jovem responde: "sou licenciado em cinema e acabei o curso há 7 meses".
Um exemplo dum jovem que terminou recentemente a sua licenciatura e não consegue há 7 meses encontrar trabalho na sua área. Na minha opinião, e se era para chocar os espectadores, um exemplo que revela uma escolha errada!
Há muitos jovens que há muito mais tempo estão à procura de emprego e não conseguem!

Mas continuando na reportagem, e depois de tanto acentuar o drama daquele jovem, o jornalista ainda foi interrompido pela mãe do jovem que queria terminar o directo dizendo: "espero que o nosso filho não tenha que ir para o estrangeiro como nós quando começámos a trabalhar"!! Então, pelos visto, a "geração à rasca" já não é de hoje!

Consegui, apesar da insistência da jornalista Clara de Sousa num cenário negro em Portugal para os jovens licenciados, ouvir as palavras do reitor da Univ de Coimbra dizer que este não é um problema exclusivamente português ("raios", deverão ter pensado os arautos da desgraça) e ainda do responsável do IST a falar das altas taxas de empregabilidade dos seus licenciados e de que não não vem nenhum mal ao mundo se os jovens tiverem que ir para o estrangeiro porque lá fora não há qualificações como as nossas!
Lembremo-nos que, muito recentemente, na Alemanha falava-se na possibilidade de importar jovens licenciados nas áreas de tecnologias em virtude da sua escassez desta "matéria prima".

E já agora: "a taxa de desempregados com menos de 25 anos é o dobro da média nacional" anunciava em rodapé a SIC, mas pergunto eu: "e, então, qual é grandeza da taxa de desempregados com mais de 25 ou até de 45 anos em relação à média nacional?"
... entendo o desemprego como o maior dos males das sociedades, mas mais me revolta ver uma pessoa com mais de 35, 40 ou 50 anos à procura de um emprego e com poucas esperanças em o conseguir, do que um jovem que terminou o seu curso há pouco tempo e não consegue um emprego naquilo em que gostaria de trabalhar.

Este tema não é um tema com que se deva brincar, muito menos para "vender" jornais ou notícias. É muito sensível e deve ser lidado com seriedade!...

Há rascas e rascas, mas o que vi hoje foram alguns jornalistas rascas!

29/06/2010

O último suspiro

Se havia coisa que me fascinava verdadeiramente, era a forma como os vilões, e até os heróis, morriam depois dum duelo feroz ou dum tiro rápido e certeiro.

Toda a "encenação" da morte (a dor... o grito... o revirar dos olhos... a queda lenta e acrobática...) deixava-me na expectativa assolado por uma pergunta: "será que morreu mesmo?"

E muitas das vezes a resposta à minha pergunta vinha em forma dum suspiro, ou da tentativa de alcançar a velha pistola caída a seu lado ou até nas frases claras antes do último suspiro.

Passados tantos anos depois de se terem deixado de fazer esses verdadeiros clássicos de entretenimento, que tantas vezes aluguei no videoclube, e proporcionaram momentos de "cóbóiáda" com a família em frente à televisão, voltei a ter a ter a mesma sensação: com o jornal 24horas!

Parece que, com tiro dado, o grito de dor, o revirar dos olhos e a queda lenta e acrobática, veio a última frase... e diga-se, uma frase que diz tudo sendo que se pode resumir a isto: Com o fim do jornal 24horas entrámos no caos! Morreu um Justiceiro!

Neste momento, a velha pergunta volta a ocupar a minha mente: "será que morreu mesmo?"

28/06/2010

Má notícia para a ficção nacional


A ficção nacional, que depende cada vez mais das estações de televisão para continuar viva face à importação de séries, novelas e filmes, têm hoje mais um revés.

O meio de ficção que sempre apostou na devassa e exposição das vidas pessoais, roçando a zona de "reality shows", e na intriga disfarçada de jornalismo, tem hoje a sua última edição: o jornal 24horas.

A ficção nacional fica, (só) a partir de amanhã, mais pobre. E o Jornal SOL ganha mais leitores... Resta-nos ainda "o Diabo"...

Aproveite-se, desde já, para instaurar uma Comissão de Inquérito na Assembleia da República para averiguar qual a implicação do Governo... qual Governo qual quê... aproveite-se, desde já, para instaurar uma Comissão de Inquérito na Assembleia da República para averiguar qual o papel de José Sócrates no encerramento deste pseudo-jornal, deste pasquim que tanto nos entreteve.

Sem qualquer ponta de ironia ou escárnio, desejo sinceramente toda a sorte aos jornalistas (aos verdadeiros jornalistas, porque certamente havia por lá) que trabalharam neste caderno de entretenimento, esperando que em futuras publicações jornalísticas encontrem linhas editoriais sérias que correspondam à essência do que é o Jornalismo.

25/06/2010

Títulos de jornais

Com títulos e primeiras páginas de jornais assim, como é que poderemos achar que temos uma Comunicação Social isenta e credível?!
Impossível!

no Jornal de Notícias de hoje (25.06.2010):

«Recusa dos chips deixa portagens em suspenso»

mas depois, numa visita ao site do jornal lemos que «A introdução de portagens nas SCUT no próximo dia 1 ainda está em aberto. Apesar de os partidos da Oposição terem ontem chumbado a obrigatoriedade de instalação de chips nos automóveis, Governo e PSD mostraram-se disponíveis a prosseguir as negociações.»


no Jornal i de hoje (25.06.2010):

«Portagens nas Scuts avançam apesar do chumbo no Parlamento»

lendo-se no site que «A oposição chumbou ontem a legislação da matrícula electrónica que permite cobrar as Scut (auto-estradas sem custos para o utilizador). Mas quem achava que a revogação da lei bastava para travar as portagens a 1 de Julho nas Scut a norte do país estava enganado. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, assegurou ontem a intenção do governo em avançar com a cobrança dentro do calendário.»


Afinal, estão suspensas ou avançam?!
... é este o nosso jornalismo, é este o nosso "Quarto Poder". E que precisa duma grande limpeza! Mas quando os próprios profissionais da classe não fazem por "separar o trigo do joio"...

Porque a nostalgia está na moda, também eu manifesto a minha: "ahhh, que saudades do velho jornalismo"!

15/05/2010

A verdade da mentira

O Diário de Notícias escreveu:

«O Governo quer tranquilizar os mercados. E nas medidas adicionais do Programa de Estabilidade e Crescimento que entregará segunda-feira em Bruxelas inscreveu uma promessa: "implementar um programa de aprofundamento de reformas estruturais", nomeadamente do "mercado de trabalho, em linha com recomendações da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico)]". »


O Governo desmentiu:

«O Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social esclarece que não é intenção do Governo efectuar qualquer nova reforma do mercado de trabalho, no âmbito das medidas do PEC, ao contrário das notícias hoje veiculadas na imprensa.

O Governo já procedeu a uma reforma profunda, no sentido do reforço da adaptabilidade dos mercados de trabalho, expressa através do Código do Trabalho e que reuniu consenso social. Esta reforma foi posteriormente avaliada de forma muito positiva pelas instituições internacionais, incluindo a OCDE.
»


Alguém se esqueceu de avisar no DN que o último relatório da OCDE é de 2009 e não de 2008: «No seu último relatório sobre Portugal, de 2008, a OCDE [...]»


Maurice Duverger, em 1964, escrevia no seu trabalho "Introdução à Política":

«Qualquer facto sensacional faz subir velozmente as tiragens, as audições, as visões e aumenta os lucros. O problema, portanto, é encontrar todos os dias qualquer facto sensacional. Vai-se assim pôr em evidência notícias sem interesse verdadeiro, contando que tenham um embora diminuto lado pitoresco. Se for necessário, aumentam-se os casos anódinos, para lhes dar as honras de grandes títulos de primeira página, o que faz aumentar as vendas. [...] Em política, conduz à dramatização dos problemas para lhes fornecer interesse: excita-se artificialmente o ódio ou o entusiasmo dos povos para fazer subir as tiragens

É incrivel como este autor se mantém bastante actual.


Alguns jornalistas deveriam consultar (se possivel com regularidade) a Lei n.º 1/99 de 13 de Janeiro que Aprova o Estatuto do Jornalista.

É este o nosso "Quarto Poder", com vontade de se transformar num "Contrapoder" mas que não passa dum insignificante agente de escárnio.




10/05/2010

Memória jornalística

Além das debilidades deontológicas que encontramos todos os dias numa grande parte do jornalismo português, uma outra que me parece cada vez mais recorrente é a falta de memória nas redacções.

No processo de consulta bibliográfica para a elaboração duma tese académica, encontrei esta pequena citação de um editor na tese de doutoramento de Estrela Serrano (2005) que, ainda que possa não constituir novidade para algumas pessoas, me parece importante e apresenta uma (senão a principal) razão para essa perda de história editorial:

«Por debilidade financeira das empresas retiram-se das redacções as pessoas mais velhas para pagar menos aos jovens jornalistas. Perdeu-se uma certa memória nos jornais que produz esse efeito que é os jornalistas serem mais novos – a juventude está muito afastada da política – e essa cultura é trazida para os jornais, (…) o afastamento das pessoas mais velhas nota-se nas decisões. Em Portugal é quase impossível uma pessoa com idade mais avançada ter espaço para se afirmar profissionalmente.»

Para quem se interessa por jornalismo e política, recomendo a consulta da referida tese.

Jornalismo Político em Portugal
A cobertura de eleições presidenciais na imprensa e na televisão (1976-2001)
Edições Colibri.

(Aproveitem a feira do livro. Está lá com um preço muito bom!)



07/05/2010

Gato escondido com o rabo de fora

Em Março, Diogo Moreira alertava para os riscos das sondagens no "novo" PSD.
A seguir, todos ficámos deslumbrados com o discurso responsável e a (aparente) acalmia do PSD preocupado com a situação grave do país e a sua disponibilidade para «ajudar o país neste momento difícil».

Mas parece-me, e porque agora a «Oposição prepara-se para concluir que Sócrates mentiu ao Parlamento» (com base em opiniões, suposições e imaginações), o discurso do PSD está a voltar ao tom radical proferido por Passos Coelho durante os seus dois anos de campanha eleitoral interna: «O porta-voz do PSD, Miguel Relvas, não fecha a porta à apresentação de uma moção de censura caso o Governo mantenha a aposta nas grandes obras públicas». No entanto, e tentado manter o espectro da responsabilidade, «assume que eleições antecipadas e uma crise política não fazem parte da estratégia do maior partido da oposição».
Estou em crer que não faz parte da estratégia, mas se acontecer agora será muito bem vinda para os dirigentes do PSD.

Porque para o PSD, a solução para o país passa por um "encerramento temporário" da actividade económica em que as grandes obras públicas deveriam ser substituídas com medidas de grande alcance como, por exemplo, «uma nova lei das rendas», além da clara chantagem que estão a exercer sobre o país e sobre o Governo, parece-me que os sociais democratas começam agora a mostrar ter retomado a sua opção por um caminho de contradição.


Julgo que o PSD ainda não conseguiu mostrar quais são as grandes medidas necessárias a Portugal para enfrentar os problemas.
A julgar pela distribuição de "pastas" no «governo-sombra» do PSD, não me parece que as vamos conhecer tão cedo.



Comentando as mais recentes sondagens em que o PSD surge à frente do PS não posso deixar de registar a diferença entre os resultados da Eurosondagem e da Marktest:

Eurosondagem
PS: 36%
PSD: 28,5%
CDS-PP: 13,1%
CDU: 8,2%
BE: 8%


Marktest
PSD: 39,8%
PS: 34%
BE: 8,3%
CDU: 7,2%
CDS: 4,5%

Deve-se no entanto considerar o espaço temporal entre ambas. 8/13.04 a primeira e 20/25.04 a segunda.

Ainda assim é importante não esquecer que esta situação, ainda que o tenham feito crer, não é inédita (mais uma evidência do fraco jornalismo que se vive em Portugal):
«A três meses das eleições legislativas, e três semanas depois das europeias, o PSD passa pela primeira vez para a frente do marcador que dita o novo Governo. Num jogo em que o empate técnico continua a marcar a análise, a sondagem dá agora uma ligeira vantagem ao partido de Ferreira Leite, que sobe sete pontos em relação ao mês passado (de 28,3% para 35,8%) e vê os socialistas perderem dois pontos nas intenções de voto (de 36,3% para 34,5%).»

E depois foi o que se viu.
Julgo no entanto, importantes as considerações de Pedro Magalhães.



05/04/2010

The way things are...

Porque é assim que o jornalismo e a assessoria de imprensa "vive", os casos de projectos assinados por José Sócrates que agora fazem (outra vez) 1ª página em alguns jornais (no Público, neste ou neste ou neste ou neste), não são mais do que "reacções" às notícias sobre o alegado caso de corrupção sobre a compra dos submarinos alemães (aqui ou aqui ou aqui ou aqui).

Não há coincidências...

Eis um exemplo claro do"Quarto Poder" transformado em "contra-poder".
Percebe-se por que razão o jornalismo tem cada vez menos credibilidade...



25/03/2010

Levados ao engano...

Esta semana no Expresso (20.03.2010), Miguel Sousa Tavares "confessa-se"... e não deixa de ter alguma razão.

Não comento dramas pessoais. Muito menos em lugares públicos. E, também desta vez, vou seguir o meu principio de não fazer qualquer comentário.
Mas transcrevo aqui uma parte do seu artigo de opinião, não pelo drama que envolve mas sim porque expõe as contradições e o estado a que a Comunicação Social, duma maneira geral, chegou.

Poderá contribuir para um momento de reflexão.

«Confesso que não entendo como é que todos fomos enganados pela morte do Leandro. Todos, eu incluído. Todos engolimos sem pestanejar a primeira e 'definitiva' versão que nos foi apresentada pela imprensa para a morte do jovem de doze anos, apresentado como exemplo limite das consequências do bullying. A saber: a) que Leandro, farto de ser sovado e maltratado pelos colegas da escola; b) por quem já havia sido seriamente espancado um ano antes; c) e incapaz de se defender; d) saiu pela porta principal da escola de Mirandela que frequentava, sem que ninguém o interceptasse, e declarando "não aguento mais, vou-me atirar ao rio": e) o que fez, suicidando-se no Tua; f) sem que a escola tenha tido depois uma só palavra para com a família. Ora, segundo o "Diário de Notícias" desta terça-feira, citando fontes da escola e da PSP e amigos e testemunhas do acto de Leandro, o que realmente terá acontecido foi: a) Leandro era, ele próprio, um miúdo dado a provocações e confrontos, o que terá estado na origem do incidente ocorrido há um ano, quando insultou outros alunos; b) os quais, aliás, não eram da sua escola, mas sim de outra escola de Mirandela; c) no dia fatal, não saiu da escola pela porta da frente, que estaria sempre vigiada, mas sim através das grades exteriores; d) não se quis suicidar, mas apenas tomar banho no rio, tendo sido levado pela corrente; f) e logo no dia seguinte o presidente do conselho executivo da escola falou com a mãe de Leandro, dando-lhe os sentimentos e colocando-se à disposição dela. Ou seja: a fazer fé na segunda e corrigida versão, todos fomos levados ao engano. E porquê? Pois, o que dói é a resposta a esta pergunta.

Fomos levados ao engano, porque a nossa imprensa, quase toda, vive à procura de sangue, escândalos, tragédias ou heróis. E porque, entre procurar a verdade da história além das aparências, esperar pelas investigações das autoridades sem antecipar conclusões, ou optar logo pela versão mais trágica e chocante, escolheu esta sem hesitar. Nada disto aconteceu por acaso. Não deixa de ser eloquente que, num momento em que na Comissão de Ética da Assembleia da República prosseguem as penosas audições para apurar se há ou não liberdade de imprensa em Portugal, a maior e mais real ameaça a essa liberdade esteja ausente de todas as questões colocadas e de todos os depoimentos prestados. Essa ameaça é o tipo de jornalismo que hoje se faz e que é ditado, primeiro que tudo, pela necessidade de vender informação e conquistar audiências a qualquer preço. Os célebres 'conteúdos', que tanto movem os novos patrões da imprensa, são ditados exclusivamente pela vontade de obter lucros e não pelo desejo de prestar um serviço público de informação e formação. Ninguém pergunta à Ongoing ou à PT para que querem eles ter uma televisão ou um jornal, quais são os seus pergaminhos, o seu currículo, as suas intenções em matéria jornalística. Parece que ter dinheiro, próprio ou emprestado, é critério suficiente.

Durante quatro semanas a fio, o jornal "Sol" levou a cabo, tranquilamente, a divulgação de escutas telefónicas recolhidas num processo em segredo de justiça e abrangendo até alguma gente que, tanto quanto sabemos, não é suspeita de qualquer crime. E assim continuou mesmo depois de um tribunal o ter proibido de o fazer, a pedido de um dos escutados. Todos sabemos que o que o "Sol" fez é crime, que é inaceitável num Estado de direito e que é uma perversão deontológica do jornalismo, grave e insustentável. Mas a verdade é que onze, entre doze directores de jornais interrogados, conseguiram justificar a atitude do "Sol" com "o direito à informação" e "o interesse público". E todos nós, mesmo os discordantes, fomos obrigados a ler as escutas e concluir a partir dos factos e indícios nelas contidos, sob pena de sermos excluídos da discussão pública. E, para que dúvidas não restassem, esse farol da ética jornalística, que é o "Público", titulava na primeira página e triunfantemente, no dia seguinte a o "Sol" ter ignorado altivamente a providência cautelar decretada pelo tribunal: "Primeira tentativa de censura em trinta anos falha".

De Mirandela ao 'Face Oculta' não vai assim tanta distância: a história é diferente, mas os métodos são semelhantes e, se pensarmos, o objecto final deste jornalismo é rigorosamente o mesmo.»



O artigo de opinião na integra aqui.

25/02/2010

Investigação... mais ou menos!


Agora já percebo porque é que a Felícia Cabrita disse na Comissão de Ética que para enganar a judiciária, os escutados mudaram radicalmente o discurso para tentar envolver Manuela Ferreira Leite e Cavaco Silva.

Mas será que era mesmo para enganar a polícia? Os escutados começaram mesmo a inventar histórias para desviar atenções?
Não é isso que parece resultar da notícia do DN hoje:
«Ferreira Leite confirma que sabia do negócio PT/TVI»

Impressão minha ou começam a verificar-se algumas contradições na pseudo-investigação da Sra. pseudo-jornalista com um prémio de carreira?
Ui... querem lá ver!?

Começo a ficar ansioso pelo desfecho...

O resto da notícia aqui.


20/02/2010

Um vazio na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura

A audição da Comissão de Ética, Sociedade e Cultura com Felícia Cabrita resume-se em poucas palavras:
muitas conjuras, especulações, suposições, opiniões e nenhuma concretização ou evidência.

Não me admira nada disso na pessoa da Sra. jornalista (que pelo menos ficámos a saber que é jornalista premiada, reconhecida na classe, com prémio de carreira e até escreve livros).

Mas pior foi o Sr. deputado João Oliveira do PCP (onde é que vão desencantar estes personagens?!) que ao contrário dos deputados de outros partidos que colocaram questões na sua maioria concretas, e a maior parte delas ficaram sem resposta, limitou-se a colocar questões especulativas como relações entre o BCP e a situação financeira da Controlinveste (recordo que a Sra. escreve contos para o semanário SOL que pertence a outro grupo), a relações do Governo com a TVI, com o DN, grupos «economicofinanceiros», etc. Enfim, um rol de situações sem objectividade com o assunto em discussão e que, naturalmente, agradou à Sra. por pertencerem ao reino da subjectividade.

Parece-me que, nesta audição, a Comissão de Ética , Sociedade e Cultura perdeu o seu tempo com alguém que, além de ter insinuado que os deputados, ou alguns deles, que além de lentos na compreensão daquilo que explicava seriam racistas motivando um puxão de orelhas do presidente da Comissão, se julga intelectualmente acima de qualquer outro, até mesmo dos «doutores de leis». Pois para ela todos os «factos se confirmam», «tudo se confirma» e o plano que "denunciou" seria executado com uma «técnica apurada».

Só posso concluir que afinal o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador Geral da República andam a "dormir na forma". Ou isso, ou então alguém terá que encontrar outra forma de explicar à Sra. a situação porque com palavras, entrevistas, despachos e comunicados ela não percebe.

O SOL, que «publica escutas e nunca disse que tinha escutas» (curioso paradoxo), a nível de marketing parece-me mesmo muito bom mas no que diz respeito à coerência e credibilidade deixa muito a desejar.

Houve uma pergunta colocada à Sra. que me pareceu pertinente e que ficou (também) sem resposta: «visto que o SOL ao publicar excertos de escutas violou o segredo de justiça, em vez de excertos porque não publica as escutas na integra?»

Julgo que a ideia é boa e serviria para o leitor interessado poder formar a sua própria opinião em vez de seguir a opinião formada por outros.
Talvez não fosse tão lucrativo mas, e já que se fala tanto em transparência, seria uma excelente forma do semanário SOL contribuir para a clarificação da situação e da alegada existência do tal plano.

NOTA: Como não sou grande adepto de reality shows, e por uma questão de princípio, não tenho qualquer interesse em ler ou ouvir qualquer exposição de conversas privadas.


17/02/2010

Coisas do passado

Há coisas que são sempre actuais e por isso nunca se conseguirá dizer que são coisas do passado.

Este últimos dias não temos visto na ("amordaçada") comunicação social outra coisa senão planos, estratégias ou teorias sobre como o Governo pretendia absorver, em parte ou na sua totalidade, empresas ligadas à imprensa para assim controlar os seus conteúdos ou mesmo eliminar "personagens" incómodas ao PS e o Governo.

Pessoalmente, e já aqui o manifestei, custa-me um pouco a acreditar que esse "plano" existisse. Mas também não sou ingénuo o suficiente para não saber que existem formas dos governos se manterem "próximos" da comunicação social.
Não é por acaso que vemos hoje, e vimos no passado, alguns jornalistas que suspendem a sua profissão e assumem cargos de assessoria nos gabinetes do Governo e Presidência.
E não há nenhum mal nisso!
O mal é quando os jornalistas no activo se deixam influenciar pelos assessores ou quando esses jornalistas se colocam num pedestal e tentam ser "mais papistas que o Papa" esquecendo a função principal do que é ser jornalista para passar a usar um meio de comunicação para emitir opiniões eu situações do "ouvi dizer".

Dois exemplos flagrantes disso, de pessoas que perderam a noção do que é ser jornalistas e se assumiram como comentadores e fazedores de opinião usando espaço nos média que deveriam ser ocupados com outros conteúdos, são Manuela Moura Guedes e Mário Crespo.

E para quem acha que não há "Liberdade de expressão" veja a capa de hoje do jornal "o Diabo" e depois reflicta.
Já agora, seria importante que se entendam verdadeiramente as diferenças entre "liberdade" e "libertinagem".

Penso também que está na altura dos órgãos de comunicação, e os grupos que os detêm, assumirem de uma vez por todas as suas tendências políticas. Já acontece noutros países e não se têm dado mal com isso.
Um acto que contribuiria para uma maior justiça para o "consumidor" de notícias ficando este a saber com que contar quando compra um jornal, ouve uma rádio ou vê uma televisão.
Assumam-se de esquerda, centro, direita, ou independentes. Isso tornaria a situação da comunicação social muito menos nebulosa.

Mas tudo isto faz-me pensar. Pior. Faz-me recordar.
Lembro-me de governos que tentaram acabar com a Alta Autoridade para a Comunicação Social porque dava pareceres contra as intenções do Governo para a RTP; lembro-me de governos que correram com comentadores políticos (e não só) de televisões privadas porque emitiam opiniões contra o partido do governo (e ao qual ele pertence também); lembro-me da criação de notícias por parte de assessores sobre alegadas escutas na Presidência; lembro-me de lideres partidários que defendiam que não deveria ser a comunicação social a seleccionar aquilo que transmite; e lembro-me da tão falada "asfixia democrática".
No entanto, tudo isso foi esquecido e nada disso passou por comissões de ética ou outras quaisquer... tudo isso promovido por quem hoje defende a existência dum plano para tomar conta da comunicação social.

Atenção que não estou com isto a dizer que lá por que outros o fizeram agora este ou os próximos governos o possam fazer também. Nada disso.
O que não gosto é que as pessoas apontem para o umbigo dos outros sem que primeiro olhem para o seu.
Já diz o povo: «se tens telhados de vidro não mandes pedras ao telhado do vizinho»!

Mas uma coisa é certa: se esse plano existiu (o que me custa a acreditar) então significa que o Governo e José Sócrates ainda têm muito que aprender.
Se havia de facto essa intenção então deveriam ter posto os olhos no Alberto João Jardim que "cala" a comunicação social, ainda que à conta do erário público, mas de forma mais súbtil e sem estardalhaço (e já que falo nisso, também não vi qualquer comissão de ética a pronunciar-se sobre o assunto):

«a EDN - Empresa Diário de Notícias, detida maioritariamente pelo Grupo Blandy, não dá sinais de recuo e responsabiliza a crise, Alberto João Jardim e a concorrência desleal do "Jornal da Madeira" ("JM"), pela actual situação financeira da empresa
[...]
sofreu um forte agravamento a partir do ano de 2008 pela circulação gratuita do 'JM' e pelo aumento da sua tiragem para 15 mil exemplares por dia, pagos pelo erário público à razão de 10 mil euros por dia"
[...]
o objectivo do presidente do Governo Regional é óbvio: "Liquidar o 'DN-Madeira'", acusa, acrescentando que em tempos Alberto João Jardim afirmou publicamente que iria "expropriar a EDN"»

(o resto da notícia aqui)

Vá lá perceberem-se certas coisas...


12/02/2010

É necessário um esclarecimento cabal!

Nestas últimas semanas não temos ouvido outra coisa se não de sucessivos pedidos de «explicação cabal», «comissões de inquérito», e de «justificações» sobre a teoria de que este Governo papão quereria tomar conta da comunicação social portuguesa (pois agora diz-se que eram só um ou dois jornais e uma ou outra rádio).
Curiosamente não ouvi qualquer pedido de «explicação cabal» dos partidos políticos e seus oradores, ou mesmo um pedido de «investigação profunda», sobre a continuada quebra do segredo de justiça!
Mas isso são outros quinhentos... ou como diria a Teresa Guilherme «mas isso agora não interessa nada»!


Aquilo que eu ainda não consegui entender, quiçá por preguiça intelectual ou uma visão muito redutora da coisa, está relacionado com a dimensão da estupidez das pessoas:

1 - ou é grande naqueles que inventam uma intentona ditatorial sem qualquer fundamento, pois julgo que até à data apenas aparecem transcritas conversas privadas de terceiros que nada tiveram ou têm a ver com o Governo, sendo que parecem não existir quaisquer provas de que de facto haveria um plano eminente;

2 - ou é grande num Primeiro-Ministro e em Ministros que, acabados de sair vencedores com maioria absoluta em 2005 e vencedores com maioria relativa em 2009, quereriam controlar órgãos de comunicação social. E com que objectivo?! Se a maioria do eleitorado esteve e continua a estar do seu lado para quê controlar órgãos de imprensa?

A sério que não consigo perceber (se calhar por que não leio o jornal SOL pejado de sobras do PSD)!
Há aqui qualquer coisa que não bate certo...

E já agora, peço também que me elucidem, a PT não é uma empresa que procura o lucro?
Não tem accionistas?
Será que a intenção da PT em adquirir capitais de empresas ligadas à Comunicação Social não tinha nada a ver com a procura de obtenção de lucros para a PT?
Ou será que só nos lembramos que a PT quer ter lucros quando nos chega a casa a conta do telefone e da Meo?!

Já começa a faltar a paciência para tanta estupidez junta... não me lixem!

Mas uma coisa é certa: com esta história, lá nos esquecemos que o Sr. Jardim (o da Madeira) vai receber mais uns trocos resultante dos impostos da malta do continente... Ele endivida a região autónoma (de forma pouco transparente) e a malta cá ajuda a pagar!

Reconheço também que a campanha publicitária do Sol para vender jornais tem estado a resultar...

Há uma célebre frase que em Portugal, seja qual for o caso, se verifica ter enorme sustentação:
«A estupidez é bem mais fascinante que a inteligência, pois a inteligência tem limites. A estupidez não.»

Irra...


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